A Maldição dos irmãos Spierig

Terror (substantivo masculino): Grande medo = pânico, pavor. Qualidade do que é terrível. Aquilo que apavora, aterroriza.

Sempre que ouço falar num filme de terror com atores conhecidos por, pelo menos, metade da população que gosta de cinema, fico um pouco hesitante. A verdade é que existe um estigma que me é difícil ignorar. Será possível criar verdadeiro terror através da representação de atores reconhecidos em áreas cinematográficas tão diferentes de terror?

A Maldição da Casa Winchester poderia ser uma boa biografia com mistério, mas pouco tem para ser um filme de terror ou thriller. O mistério que circunda todo o enredo deixa-nos com vontade de querer descobrir todos os porquês. No entanto, dei por mim a interrogar-me sobre se não teria entrado numa versão cinematográfica barata de Walking Dead.

Inspirado numa história verídica, o filme escrito e dirigido pelos irmãos Spierig, ao lado de Tom Vaughan, foca-se em Sarah Winchester (representada por Helen Mirren), uma viúva herdeira de uma grande fábrica de armas, a Winchester. Esta acredita estar assombrada pelos fantasmas de todas as pessoas que morreram devido às invenções da sua família. O doutor Eric Price (interpretado por Jason Clarke) é então contratado pela direção da empresa para declarar um falso diagnóstico para tirar a viúva do comando.

Helen Mirren desempenha um papel que representa o melhor estilo de personagem que sabe encarnar. Uma mulher altiva, muito dona de si própria e forte. Mas todo o enredo do filme gera uma questão que não se dilui ao longo dos quase cem minutos de filme: porque é que a rainha (vencedora de um Óscar devido ao seu desempenho no filme A Rainha) haveria de se sujeitar a um enredo tão pobre. A verdade é que, mesmo assim, Mirren consegue representar a culpa, o luto e o arrependimento que atormentam Sarah. Mérito para os diretores, que conseguiram que Mirren impedisse que Winchester fosse um completo fracasso.

De qualquer perspetiva, Winchester prima por ser sempre básico e pouco trabalhado. A história em volta da grande empresa nunca chegou a ser aprofundada. Somos simplesmente lançados para os desvarios de Sarah. Quase como se o conteúdo tivesse sido esquecido e o pensamento de que um filme se faz de uma história superficial cortada por ocasionais jumpscares.

O roteiro falha na sua maior promessa: o terror. Os “sustos” que oferece são previsíveis e fracos. Daqueles que a partir da segunda vez já são apenas chatos e aborrecidos.

Uma história que tinha tanto para dar, vê-se mergulhada num mar de fantasmas que lhe sugam a essência. Os noventa e nove minutos parecem quadruplicar. Noventa e nove minutos que não vou mais recuperar. No entanto, no final, parece não foram suficientes para que o filme me satisfizesse.

Todo o roteiro, para além de vazio, torna-se confuso. Às tantas, os irmãos Spierig já não sabem se hão de se focar na trágica história da viúva, nos dramas pessoais do médico, que também sofreu uma perda, ou no trabalho para o qual este foi chamado. Lançam-nos uma mistura de ideias que jamais deixará alguém satisfeito e arruínam uma história promissora.

O filme acerta em cheio numa temática com bastante potencial. Ousa ainda fazer uma forte crítica à indústria das armas. Em tudo o resto, como no som e na imagem, é mediano. E, infelizmente, a vontade de criar sustos baratos estragou o que poderia ter sido um excelente thriller psicológico. Winchester é apenas mais uma história mal contada e repleta de clichés.

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