Call Me By Your Name

Uma história de amor marcante e um quebrar de tabus, assim se apresenta o filme “Call Me By Your Name”, de Lucas Guadagnino, um dos favoritos para a 90.ª cerimónia dos Óscares.

Elio (Timothée Chalamet) é um jovem talentoso e inteligente de 17 anos que tem por hábito passar o verão com os seus pais numa pequena vila no Norte de Itália. O pai, um professor de arqueologia, recebe todos os anos um universitário para o ajudar nas suas investigações. No verão de 1983 é Oliver (Armie Hammer), de 24 anos, que lhe bate à porta. É ele que retira Elio da monótona vida em Itália e fá-lo despertar para uma paixão avassaladora. No meio de passeios de bicicleta por entre magníficas paisagens e mergulhos à beira-rio, estes dois jovens vão quebrar tabus enquanto se redescobrem um no outro.

“Call Me By Your Name” é o romance que finalmente vem demonstrar a naturalidade e genuinidade de uma relação homossexual com um realismo impressionante. Tudo acontece nas entrelinhas: nas trocas de olhares, nas palavras não ditas, nos gestos… Lucas Guadagnino marca não só pela inovação como também pelo seu estilo único como realizador. Todos os aspetos são pensados ao pormenor: desde a banda sonora ao magnífico cenário que transmite a calma e a leveza da vida que ali se leva. Durante as duas horas de filme a ação decorre a um ritmo lento, tal como a aproximação entre os personagens, que apenas se deixam levar mais tarde na narrativa. Esta é uma história que tem tanto de fascinante como de real, onde podemos ver o amor no seu estado mais puro.

Mas mais do que retratar a homossexualidade, o filme fala sobretudo sobre aceitação: a dos pais e a dos protagonistas em relação aos seus próprios desejos. Isto só é possível através do desempenho dos atores, que se entregaram de corpo e alma à história e às personagens, e que se tornaram numa mais-valia para o filme. Entrega essa que valeu a Timothée Chalamet a nomeação para Melhor Ator nos Óscares que se aproximam.

Apesar de envolvente e apaixonante, “Call Me By Your Name” é uma história com um desenrolar lento, onde a ação se torna, por vezes, escassa. Isto pode tornar, para alguns, o filme um pouco enfadonho, no entanto, um olhar mais atento permite perceber que estes momentos são mais um passo em direção à conexão das personagens. Além de que mantém o realismo da história, sendo que, também na vida real, o amor acontece, quase sempre, devagar.

 

Este filme, adaptado da obra homónima de André Aciman, já conta com quatro nomeações para os Óscares: Melhor filme, Melhor Ator, Melhor Canção Original e Melhor Argumento Adaptado. Em Portugal a estreia deu-se a 18 de janeiro e, neste momento, afigura-se como uma das melhores escolhas para uma tarde de cinema.

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