Charade (Charada) (1963)

Este mês falo-vos de um pequeno tesouro cinematográfico…

Protagonizado por Audrey Hepburn e Cary Grant, Charade narra a história de Regina Lampert (Hepburn), uma mulher rica e elegante, que, ao regressar a Paris depois das férias numa estação de esqui, descobre que o seu marido foi assassinado. O verdadeiro motivo do regresso de Regina era o pedido de divórcio que tencionava fazer, porém, quando Regina é abordada por um agente da CIA e este lhe revela que o seu marido, durante a Segunda Guerra Mundial, roubara, juntamente com três ex-soldados, 250 mil dólares, o divórcio torna-se uma peça irrelevante.

O problema é que Regina desconhece o paradeiro do dinheiro, dinheiro esse que pertence ,na realidade, ao governo dos Estados Unidos… Em confidência, e uma vez que não sabe onde estão os 250 mil dólares, o agente dos serviços secretos americanos alerta Regina para o perigo que corre: continuando casada com o marido, ela pode ser a próxima vítima dos três homens, os principais suspeitos do assassinato do seu marido, que não vão desistir de procurar a fortuna roubada. Assim, Regina não tem outra escolha senão colaborar com as autoridades e manter total discrição e segredo em relação à investigação.

Mas em que circunstâncias surge a personagem interpretada por Cary Grant? Peter Joshua (Grant) é um homem extremamente atraente e misterioso que Regina conhece durante a sua estadia na estância de esqui. Joshua vai aproximando-se a pouco a pouco e ganhando a confiança da recém-viúva conseguindo mesmo que esta lhe mencione a história do dinheiro e da investigação. O que Regina não sabe é que Joshua tem os seus planos muito bem definidos e pode estar demasiado envolvido nesta artimanha…

Mistério, comédia e romance são alguns dos ingredientes principais que fizeram de Charade um clássico do suspense nos anos 60.

Na realização, o filme conta com a assinatura de Stanley Donen, realizador associado a títulos como “Singin’ in the Rain”, “Funny Face” (também com Hepburn) ou “On the Town”.

Destaque para os créditos iniciais, que se tornam deliciosos graças à junção do psicadelismo de Saul Bass com o som de Henry Mancini e de toda a banda sonora (igualmente a cargo de Mancini,=que acentua a aura de mistério e suspense característicos deste filme.

Importa também referir as míticas cenas da “dança das laranjas” entre os dois protagonistas (episódio que patenteia a inegável química entre Grant e Hepburn ao longo de toda a narrativa), uma luta num telhado em Paris, que mostra de uma forma divertida a naïveté deste género de cenas na Hollywood da época, bem como o humor inteligente que carateriza todo o argumento.

Carismática, eterna e singela, Audrey Hepburn não desaponta e brilha em Charade. Cary Grant é a “cereja no topo do bolo”.

Cheio de voltas e reviravoltas, Charade é muitas vezes referido como “o melhor filme de Hitchcock que Hitchcock nunca fez”. Com palavras destas, o que há para não gostar? Sem dúvida, um filme a não perder.

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