Costa demite-se se o Orçamento de Estado não for aprovado

Primeiro-Ministro garante que sem o orçamento de 2019 não tem condições para se manter no cargo e coloca pressão sobre a esquerda. Líder Socialista aproveitou para elogiar geringonça e garante que acordo  é para manter negando a vontade de um bloco central com o PSD.

Para António Costa “equipa que ganha não se mexe”, o primeiro-ministro aproveitou o uso de uma fórmula do vernáculo futebolístico para garantir que o acordo à esquerda é essencial, segundo o mesmo, para o “sucesso do país”. Numa entrevista ao Diário de Notícias, o líder do partido Socialista indicou que sem a aprovação do orçamento de estado de 2019 não há condições para continuar à frente do governo: “Este Governo existe porque há uma maioria na Assembleia que o viabilizou, e essa maioria traduz-se designadamente na capacidade de fazermos coisas em concreto como instrumentos essenciais da governação como o Orçamento. O chumbo do Orçamento tinha como consequência inevitável a queda do Governo”, garantiu Costa.

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António Costa / Fonte: Observador

O Primeiro-Ministro aproveitou para garantir que de “maneira alguma” o executivo prevê levar o país para duodécimos (conclusão de um Governo que se mantém mas sem um Orçamento aprovado) e aproveitou para reforçar a sua confiança no acordo à esquerda com o PCP e o BE: “Não me lembro de um caso onde qualquer um dos partidos tenha sido irredutível e não tenha agido positivamente para ultrapassar dificuldades que foram surgindo; não há de ser seguramente em 2019 que nós iremos frustrar a esmagadora maioria dos portugueses, que está satisfeita com o Governo, satisfeita com esta solução política, satisfeita com os resultados sociais e económicos desta governação e que aquilo que deseja é mais e quem deseja mais o que pode desejar é que possamos continuar.”, enviando o recado para os parceiros da geringonça.

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Parlamento / Fonte: SAPO 24

Quanto a um acordo de bloco central com o PSD, António Costa é peremptório: “ Eu tenho, há muitos anos, uma posição – que aliás é idêntica à do líder do PSD e, curiosamente, também à do Presidente da República – de que um sistema partidário como aquele que nós temos em Portugal, salvo em situações excecionais, um Governo que junte o PS e o PSD não é uma solução saudável para a nossa vida democrática porque priva os portugueses de poderem contar com alternativas, que naturalmente terão sempre como pivô um ou outro desses dois partidos. Portanto, salvo em circunstâncias absolutamente extraordinárias, que creio não estão no horizonte de ninguém, não haverá acordo de Governo com o PSD”, reforçou.

A entrevista do Primeiro-Ministro acontece após o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ter indicado que sem a aprovação do orçamento de estado iria dissolver o parlamento e convocar eleições antecipadas porque “não estaria garantida a estabilidade governativa no país”. O orçamento de 2019 é o último antes das legislativas e tem sido alvo de intenso debate à esquerda do PS, que defende um caminho que reforce o investimento público abdicando de um défice menor.

Autor
Luís Carvalho

O Luís tem 24 anos e vem de Sintra. Descreve-se acima de tudo como um curioso, uma das principais características de um jornalista, com o sonho de um dia viajar pelo mundo e relatar essa experiência. É um apaixonado por cinema, aliás obcecado pela sétima arte, e política internacional. Orgulha-se de poder dizer os vencedores de todos os campeonatos do mundo de futebol, outra das suas paixões.

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