Denis Mukwege e Nadia Murad vencem o prémio Nobel da Paz

O prémio Nobel da Paz foi atribuído, esta sexta-feira, a Denis Mukwege e Nadia Murad. Ambos lutam contra a violência sexual nos conflitos armados de todo o mundo.

Nadia Murad é uma ativista dos direitos humanos dos yazidi – comunidade étnico-religiosa curda, cujos membros praticam uma antiga religião que combina princípios de diferentes doutrinas. Além disso, é uma sobrevivente aos sequestros do Estado Islâmico, também conhecido por Daesh.

Em agosto de 2014, foi raptada no Iraque e mantida como escrava sexual até novembro desse mesmo ano, na cidade de Mossul. Nadia fugiu para a Alemanha e, desde então, tem vindo a desempenhar um importante papel na denúncia deste crime. É, desde 2016, a primeira embaixadora da Boa Vontade para a Dignidade dos Sobreviventes de Tráfico Humano das Nações Unidas.

Já Denis Mukwege é um médico ginecologista de 63 anos, que desenvolve uma ação humanitária na República do Congo: diariamente trata mulheres que foram vítimas de violação por milícias na guerra civil do Congo.

 

É considerado um dos maiores especialistas na reparação e tratamento dos danos físicos provocados pelas violações. Durante os 12 anos de guerra, tratou mais de 21 000 mulheres, e chegou a realizar mais de 10 cirurgias por dia.

O Comité que decidiu o nome dos premiados justificou a decisão com os esforços desenvolvidos por estas duas personalidades em acabar com a violência sexual nos conflitos e guerras por todo o mundo, fazendo com que “os responsáveis respondam pelas suas ações”, afirmam.

A escolha deste tema não tão conhecido conquistou elogios por parte dos dirigentes políticos e ativistas relacionados com os direitos humanos em todo o mundo. António Guterres,  secretário-geral das Nações Unidas, afirmou que “ao defenderem as vítimas de violência sexual nos conflitos, estão a defender os nossos valores partilhados”.

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