Drama, novos líderes e muitas surpresas. Assim foi o Grande Prémio de Jerez

Este foi um fim de semana repleto de ação no traçado espanhol que tomou oficialmente o nome “Circuito de Jerez – Ángel Nieto”, em homenagem ao antigo piloto e 13 vezes campeão do mundo que perdeu a vida, no ano passado, num acidente de mota. Num circuito que é conhecido por juntar uma multidão de fãs sem comparação, os pilotos não desiludiram.

Este foi um fim de semana bem quente em terras de “nuestros hermanos” com o alcatrão a rondar os 44 graus. Na primeira prova em solo europeu, as expectativas estavam muito altas e as atenções voltadas para os pilotos espanhóis das três categorias.

Apesar de esta ter sido, claramente, a expectativa, aquilo que acabou por acontecer foi bastante diferente.

Na categoria principal Marc Márquez (Repsol Honda Team), Jorge Lorenzo (Ducati Team) e Dani Pedrosa (Repsol Honda Team) eram os grandes candidatos ao pódio. Estiveram visivelmente muito fortes ao longo de todo o fim de semana. Chegado o dia da qualificação, Pedrosa mostrou-se recuperado da operação ao pulso surpreendendo-se a si próprio e a todos com os resultados obtidos até aí. Pensou-se já na presença do espanhol na pole position, isto se não existisse Cal Crutchlow. O britânico da LCR Honda Team surgiu com uma volta relâmpago que fez cair o record do circuito. Com 1’37.653, Crutchlow deixou para trás o quatro vezes campeão do mundo Marc Márquez que sairia do 5º lugar da grelha de partida. Pedrosa acabou por sair em 2º lugar ao lado de Johann Zarco da equipa Monster Yamaha Tech 3. O piloto francês confirmou também que na próxima temporada se irá juntar a Pol Espargaro na Red Bull KTM Factory Racing. O piloto espanhol viu também o seu contrato com a marca austríaca ser renovado até 2020.

Ficou bastante claro, ao longo destes dias, que as Hondas lidavam muito melhor com as temperaturas altas. Chegado o dia da corrida, Marquez mostrava confiança. O espanhol queria muito a vitória frente ao público de Jerez, conhecido por ser um dos mais fanáticos do mundo. O piloto da Honda arrancou bem. Saído da 2ª linha da grelha conseguiu colocar-se à frente de Dovizioso, Lorenzo e Pedrosa que, juntamente com o espanhol se começaram a afastar do restante grupo.

A esta altura já Cal Crutchlow, que tinha saído da pole position, tinha caído, deitando a perder a corrida e afastando-se até ao 7º lugar da classificação geral do campeonato.

A 8 voltas do final da corrida, quando Márquez já liderava, um incidente na curva 6 levou os dois pilotos da Ducati, Andrea Dovizioso e Jorge Lorenzo, e Dani Pedrosa da Honda ao asfalto. Esta queda fez com que perdessem várias posições na classificação geral.

A partir daqui Marc Márquez conseguiu manter a liderança até ao final de forma segura e confortável. O piloto espanhol conseguiu vencer pela primeira vez em Jerez os últimos quatro anos levando os fãs ao rubro nas bancadas.

Johann Zarco conseguiu alcançar o 2º lugar do pódio e ocupa a mesma posição na classificação geral com 58 pontos. Já o italiano, Andrea Iannone, da Team Suzuki Ecstar ascendeu ao 3º lugar do pódio e ao 4º da geral com 47 pontos.

Como se pode perceber, houve várias alterações na tabela das classificações. Marc Márquez lidera agora o campeonato pela primeira vez esta temporada com 70 pontos. Os 3 pilotos envolvidos no incidente da curva 6 também sofreram uma queda significativa na classificação geral. Dovizioso, que chegou a estar na liderança do campeonato, caiu para o 5º lugar com 46 pontos. Pedrosa está em 11º com 18 pontos e Jorge Lorenzo em 20º com apenas 8 pontos.

Na Moto 2 as surpresas continuam e o grande destaque foi, sem sombra de dúvidas, Miguel Oliveira. O piloto português tinha já anunciado antes do início da prova que tinha garantido um lugar na categoria rainha na próxima temporada. Oliveira assinou contrato com a Tech 3 para a temporada de 2019.

Depois desta notícia incrível para o desporto português, o piloto de Almada não teve a vida facilitada. Após três sessões de treino complicadas, em que se viu várias vezes fora do Top 10, seguiu-se uma sessão de qualificação ainda mais difícil. O piloto da Red Bull KTM Ajo não conseguiu ir além da 14ª posição.

Apesar da saída numa posição mais recuada do que o habitual, Miguel Oliveira estava confiante e acreditava ter ritmo de corrida.

Da pole position saiu Lorenzo Baldassari da Pons HP40. O piloto italiano mostrou-se dominante durante todo o fim de semana e acabaria por vencer a prova com uma vantagem bastante confortável de quase 3 segundos.

O espanhol Alex Márquez da EG 0,0 Marc VDS saiu do 2º lugar da grelha de partida e era um dos principais candidatos à vitória. O espanhol conseguiu um bom ritmo mas acabou por cair a 13 voltas do final da prova. Ainda tentou regressar mas as condições em que se encontrava a mota não o permitiram fazê-lo.

Miguel Oliveira mostrou que com ele não há impossíveis. O piloto da KTM já estava em 2º lugar passadas apenas 5 voltas. Ultrapassou os adversários até chegar à posição que agarrou com punho cerrado até à passagem pela bandeira de xadrez. Oliveira fez acelerar o coração dos fãs portugueses que se dirigiram ao circuito espanhol para o apoiar num fim de semana que terminou com mais uma prestação incrível do piloto português.

Miguel Oliveira continua na luta pelo título e conseguiu ascender ao 3º lugar da classificação geral com 64 pontos a apenas 1ponto do 2º classificado, o vencedor da prova, Lorenzo Baldassari.

No terceiro lugar do pódio ficou Francesco Bagnaia, da Sky Racing Team VR46. O vencedor da corrida anterior nos Estados Unidos mantém a liderança do campeonato com 73 pontos.

Na corrida de Moto 3 o público foi surpreendido por um pódio inesperado.

O grande candidato à vitória, o espanhol Jorge Martin da Del Conca Gresini Moto 3, foi dominante durante todas as sessões de treinos. Os bons resultados refletiram-se no sábado quando conseguiu assegurar a pole position.

A subida ao pódio era algo previsível mas, como sempre, este é um desporto em que tudo pode mudar em escassos segundos. Foi exatamente isso que aconteceu quando Martin caiu a 4 voltas do final da corrida.

Havia grandes expetativas em relação a outros pilotos que se esperava que discutissem os primeiros lugares, mas que acabaram por cair. Foram eles os italianos Lorenzo Dalla Porta, Enea Bastiannini e o espanhol Aron Canet.

A esta altura quem seguia na frente eram o piloto alemão Philipp Oettl, da Sudmetal Schedl GP Racing, e o italiano Marco Bezzechi, da Redox Pruestel GP.

Oettl e Bezzecchi foram lado a lado até à bandeira de xadrez onde Oettl conseguiu ser ligeiramente mais rápido. O piloto alemão ocupa agora o 5º lugar na classificação geral. No terceiro lugar do pódio ficou o espanhol Marcos Ramirez da Bester Capital Dubai.

A classificação geral acabou por, tal como nas restantes categorias, sofrer alterações significativas. O líder é agora Marco Bezzecchi com 63 pontos. Logo atrás está Jorge Martin, que perdeu a liderança da geral, com 55 pontos. No 3º lugar está o espanhol Aron Canet com 48 pontos.

Segue-se o Grande Prémio de França que terá lugar entre os dias 18 e 20 de maio. A corrida que terá lugar no circuito de Le Mans será a 5ª do calendário de 2018. Depois das reviravoltas no fim de semana em Espanha tudo pode acontecer neste circuito mundial. Faltam 15 corridas para o final da temporada, nada está decidido e ainda há muito pneu para rodar.

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