Género na Arte – Review

A entrada para a exposição é um curto corredor negro. Idealmente sempre se fomentou na sociedade esta ideia de que depois das trevas vem a luz, de que depois do mal vem o bem, da ignorância o conhecimento. No entanto, essas são muitas das conceções perpetuadas pela sociedade, tal como as de género, identidade sexual, orientação sexual, entre outros. A passagem do corredor negro para um comprido corredor de paredes brancas onde se estendem palavras, salas e luminosidade simboliza muito a transformação que a coletânea de obras pode provocar em muitos dos seus visitantes.

A exposição “Género na Arte. Corpo, Sexualidade, Identidade, Resistência.” traz ao Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado obras de diferentes artistas. Vem assim “iluminar” a nossa perspetiva em temáticas que coabitam connosco desde sempre e cuja voz temos vindo a ampliar, uma vez que compreensão ou conhecimento nem sempre devem ser tomados como categorização e imposição de novos estereótipos e perpetuação dos antigos.

“Rich Clown Fucks Poor Clown”, João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira Foto de Humberto Mouco

A organização das salas permite que haja um percurso delineado. No entanto, há a liberdade de não o seguir, sendo que o início pode ser o meio ou o fim – de qualquer forma, o conteúdo transmitido será igualmente poderoso.

Portugal aborda o género, e muito do que envolve esta realidade que nos é tão “natural”, pelos olhos, palavras e pensamentos de quinze artistas. Obras que causam rutura e empatia, mais do que estranheza. Uma visita a fazer com tempo, dada a dimensão da mesma e a reflexão inerente.

Excerto da curta metragem “A Brief History of Princess X” de Gabriel Abrantes Fonte: Sapo Mag

 A ideia de ascender a um ser livre e a uma sociedade sexualmente consciente foi algo que me fascinou. Admito que uma visita para apenas registar imagens para as redes sociais não permite reter nem 5% do que esta exposição tem para oferecer. O conteúdo varia – há registos, instalações, fotografia, serigrafias, escultura, curtas –, o que torna a experiência, num todo, bastante enriquecedora, contando com muitos trabalhos reconhecidos nacional e  internacionalmente.

De todos para todos. Uma exposição que nos “toca” a todos desde o dia em que nem sequer existimos e os nossos pais já projetam quantos filhos querem ter e se querem menino ou menina.

Até dia 11 de Março. Entradas gratuitas aos domingos até às 14h.

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