Ginjal – O Tesouro Escondido do Tejo

O que te propomos desta vez é uma viagem. A nossa sugestão: “Lisboa vista do outro lado da margem”. Está à distância de 1,20€ da capital, ficando a dez minutos do Cais do Sodré, através de uma viagem de cacilheiro.

A viagem da Capital começa no porto fluvial de Cacilhas e é lá que fica a zona do Ginjal, a convidada vip do nosso passeio. Está diretamente virada para Lisboa, com uma vista completamente cinematográfica e ampliada da Ponte 25 de Abril e de toda a cidade, desde a baixa lisboeta a Belém, tendo como panos de fundo o Panteão, o porto de Alcântara e as torres das Amoreiras.

Mesmo à entrada, podemos encontrar o restaurante Farol, um paraíso no que toca a marisco. Um verdadeiro manjar dos deuses para os apreciadores deste tipo de iguaria. São peritos no peixe grelhado e na sapateira, na minha opinião, juntando aquela imperial – é o melhor petisco.  O Ginjal Terrasse, bar lounge bastante famoso nesta área, localiza-se aqui perto do início do cais e é uma ótima escolha para relaxar – basta subires a porta completamente decorada de conchas.

A zona é toda composta por portos e fábricas abandonadas, cuja utilização esteve no auge durante os séculos XIX e XX, nomeadamente durante o Estado Novo. A indústria do vinho, azeite e vinagre esteve aqui localizada, trazida pela família de João Teotónio Pereira, e dava emprego a dezenas de pessoas. Era uma família reconhecida na área dos seguros e teve ligações ao regime salazarista e a muitos outros projetos políticos. Era, também aqui, que se abasteciam os navios de água, sendo um local importante a nível fluvial. Também, aqui, fora construída, na altura, uma quinta e uma residência, por Teotónio Pereira. “E durante largos anos teve muita atividade, muita vida e muita gente”, como podemos ler no fantástico artigo de Marlene Carriço, com fotos de Hugo Amaral, publicado no Observador a 2 de maio de 2015. Atualmente é apenas uma zona turística de passeio, devido à vista deslumbrante sobre o Tejo e Lisboa.

Se continuarmos o nosso passeio, ao longo do Ginjal, encontramos o antigo Clube Náutico de Almada, cuja localização se encontra atualmente no porto fluvial de Cacilhas. Podemos observar as fachadas abandonadas dos edifícios abandonados, completamente grafitados. É uma zona velha, com alguma ferrugem, mas muito rica em história.

A seguir chega uma zona de restauração e bares lounge, completamente renovada e local de paragem de inúmeros turistas. Estamos a falar dos espaços Atira-te ao Rio e Ponto Final, especialmente dedicados à degustação de um bom vinho e de alguns aperitivos, enquanto se observa o pôr do sol fantástico sobre a Ponte 25 de Abril e a vista sobre Lisboa. Esta zona tem uma pequena praia, que dá para molhar os pés nas águas do Tejo.

Continuando a nossa caminhada pelo Cais do Ginjal, vamos ter a um ponto turístico fantástico nesta zona – o elevador panorâmico da Boca do Vento. Ele leva-nos ao café gourmet com o mesmo nome e à zona de Almada velha, e através dele podemos observar toda a vista de Lisboa a muitos metros de altura. A seguir temos o jardim, local propício para piqueniques e passeios à beira rio.

Como podes observar, o Cais do Ginjal é uma zona completamente deslumbrante e rica em história e possibilidades. A sua revitalização traria a Almada uma nova vida e um aumento do fluxo de turistas – seria uma mais-valia para a cidade.

Apanha o barco da Capital e acompanha-nos nesta maravilhosa viagem. Não te vais arrepender de conhecer este tesouro escondido do Tejo!

Agradecimentos ao Observador e aos jornalistas Marlene Carriço e Hugo Amaral.
Categoria: Capital
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