Atualidade

Há falta de anestesistas nos hospitais públicos

Faltam mais de 500 anestesistas no Serviço Nacional de Saúde. A saída destes especialistas para o setor privado e as mudanças no regime de horário de trabalho causam esta falta. A situação afeta serviços de norte a sul de Portugal.  

O Colégio de Anestesiologia da Ordem dos Médicos realizou um inquérito sobre o funcionamento dos serviços públicos durante a semana de 14 a 21 de maio de 2017. Os dados fornecidos pelos hospitais públicos foram incluídos no Censos Anestesiologia de 2017 e publicados na Acta Médica Portuguesa. O estudo conclui que faltam 541 anestesistas, estando ao serviço 1280 profissionais. Um número muito superior aos de 2014: havia 467 anestesistas em falta.

Hospitais como o da Figueira da Foz, Garcia da Horta, de Santarém, do Funchal, de Faro deviam ter o dobro dos anestesistas a trabalhar. Na mesma situação estão os centros hospitalares Lisboa Norte, do Nordeste e da Cova da Beira.

Os piores casos registam-se no Algarve, com apenas 20 anestesistas para toda a região, e no Alentejo, com 28 anestesistas também para toda a região. Números muito abaixo do que o necessário quando devia haver o triplo e até o quadruplo de médicos em funções.

Miguel Guimarães, Bastonário da Ordem dos Médicos, alerta para as consequências que esta situação gera, nomeadamente, o aumento das listas de espera. Afirma que a saúde dos utentes está a ser prejudicada, sobretudo quando realizam cirurgias fora do tempo máximo de resposta.  O presidente do Colégio de Especialidade de Anestesiologia, Paulo Lemos, garante que “as situações verdadeiramente urgentes estão sempre salvaguardas”. Relembra também os mecanismos a que os hospitais podem recorrer para melhorar as suas respostas aos casos: horas extras e produção adicional.

A saída de anestesistas para o setor privado e as mudanças no regime de horário de trabalho causam esta escassez. Para resolver este problema, Paulo Lemos propõe a “alteração do horário de urgência dos contratos individuais de trabalho”. A Ordem dos Médicos também defende a redução do número de horas semanais em urgência. Afirma que a redução de 18 para 12 horas iria “aumentar a capacidade cirúrgica no país”. A crescente saída para o privado já tinha levado, em 2016, ao pedido de demissão de Fátima Pina, a então diretora do Serviço de Anestesiologia no Hospital de S. João, no Porto.

No Censos de Anestesiologia 2017, o Colégio de Anestesiologia da Ordem dos Médicos prevê reduzir esta falta de anestesistas até 2021.

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