Liam Gallager – o ex-Oasis volta a dar que falar

Liam Gallagher, o eterno ex-vocalista da banda de brit-pop Oasis, lançou o primeiro álbum a solo, As You Were, a 6 de outubro de 2017. O disco em vinil é já o mais vendido do ano.

Este novo álbum veio como uma espécie de consolo para os órfãos da banda, apesar de Noel, o outro Gallagher a constituir os Oasis, já ter lançado trabalhos desde a separação da banda. Isto veio satisfazer muitos fãs saudosistas, mas nota-se bem a falta de Noel: as letras ainda são muito básicas assim como a musicalidade – Bold, por exemplo, apesar de não ser um mau êxito, precisava de uma mãozinha do irmão, Noel, para atingir o nível de qualidade a que fomos habituados nos anos noventa pela banda britânica.

Mas Bold é só um mau exemplo de um bom conjunto de músicas – Greedy Soul, por exemplo, tem uma vibe quase country e funciona muito bem com o tom de voz característico do artista. Outro exemplo deste mesmo tom country  é Come Back To Me que se destaca pela vontade que nos faz ter de mover os membros ao som da mesma.

For What It’s worth, por sua vez, é provavelmente a faixa que mais canaliza os velhos dias dos Oasis – uma boa pitada de britpop com guitarras proeminentes mas nunca com sonoridade pesada. Para que esta última fosse um verdadeiro sucesso faltava que Liam se libertasse da receita já muitas vezes repetida pelos Oasis que o retraiu de atingir o próximo nível. Provavelmente a única música que atinge um nível verdadeiramente satisfatório é Wall of Glass – uma música com crescendos que nos deixa expectantes, entusiasmados e “a abanar o capacete”. Liam, no entanto, não descuidou as baladas – Paper Crown, por exemplo, traz toda a melancolia que procuramos num disco do cantor de uma das mais famosas baladas de todos os tempos – Wonderwall.

A música que mais se destaca é provavelmente I Get By pois liberta um desejo quase incontrolável de tocar bateria e cantar em uníssono com a faixa e traz a promessa de um futuro mais brilhante e inovador para Liam.

Este trabalho é sem dúvida uma boa lembrança dos passados dias da brit-pop, mas faltava-lhe uma atualização para que se enquadrasse nos presentes dias. Apesar de ser um álbum indiscutivelmente agradável ao ouvido, Liam agarrou-se muito àquilo que funcionou para ele e para o irmão há vinte anos, não se preocupando em reinventar e encostando-se à comodidade daquilo que, em dias passados, fez sucesso entre uma camada de fãs assíduos.

 

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