Marvel vs. DC Comics – O eterno confronto

Os super-heróis viviam em quadradinhos e no nosso imaginário muito antes de chegarem ao grande ecrã. Este universo é vasto e interessante e as muitas personagens dobram-se e desdobram-se entre mil meios e narrativas diferentes. Os super-heróis da Marvel e da DC chegaram à 7ª Arte por volta dos anos 90 e, atualmente, é difícil não encontrar um super-herói no cartaz – prova disso é Thor: Ragnarok nas salas de cinema e Liga da Justiça prestes a chegar.

A caminhada até este ponto foi… complicada. Os primeiros filmes eram praticamente caricaturas: demasiado exagerados e mal-executados para serem levados a sério. Contudo, a certa altura alguém percebeu que estas produções tinham o potencial para levar massas às salas de cinema. Diria mesmo que o ponto de viragem se deu, em 2005, com o Batman, de Christopher Nolan. Este desenvolveu uma das melhores trilogias do género e redefiniu o horizonte do género. Desde então, as narrativas, que, gradualmente, se tornaram mais complexas, e os efeitos especiais cada vez mais credíveis contribuíram para a expansão dos universos cinematográficos.

A Marvel e a DC são os dois grandes jogadores da industria – para o propósito desde artigo, vamos ignorar o facto de a Fox ainda deter os direitos de Charles Xavier, Magneto e companhia. Estamos a falar de dois universos paralelos, cada um contendo um grupo diferente de super-heróis, vilões, locais e situações.

O universo cinematográfico da Marvel (MCU) nasce, em 2008, com Homem de Ferro. Realizado por Jon Favreau e protagonizado por Robert Downey Jr., o filme conquistou as audiências e nos nove anos que se seguiram produziram dezasseis filmes, expandindo o leque de personagens e adicionando nomes sonantes aos seus elencos. Já o universo cinematográfico da DC (DCEU), ao contrário do que possam pensar, não nasce com o Batman de Nolan, mas sim, um ano depois da estreia de O Cavaleiro das Trevas Renasce, ou seja, em 2013 com Zack Snyder e o seu Homem de Aço. Desde então produziram mais três filmes, mas a viagem não tem sido descomplicada.

O estilo de conteúdos que as duas companhias produzem é inteiramente distinto: a DC prima pelo realismo, a sobriedade e a ousadia e a Marvel é a opção family friendly, apostando no entretenimento e leviandade. Acredito que há espaço para as duas abordagens e acho que a competição fervorosa que existe entre os fãs de uma e de outra é despropositada. Contudo, se quisermos ir por aí, diria que a Marvel está cerca de dois passos à frente. É fácil perceber onde é que a Marvel ganha a sua vantagem: experiência. Tiveram dez anos para perceber o que resulta, o que não resulta e para conquistar a confiança do público. Se analisarmos todos os filmes das três fases da Marvel, encontramos uma progressão. A primeira estabelece o universo de uma forma cautelosa e quase convencional, a segunda começa a expandir o universo e a terceira e atual fase começa de certa forma a desafiar-se. O plano nunca foi jogar pelo seguro, mas sim construir algo capaz de sustentar algo maior.

Uma prova evidente da evolução da Marvel é a identidade que cada filme assume. Diferentes personagens têm diferentes narrativas e propósitos e, consequentemente, cada filme deve ter as suas particularidades. Ao analisarmos cada filme, percebemos que cada personagem/grupo assume um tom e estilo próprio – uma identidade. Isso é particularmente evidente quando vemos um dos dois filmes dos Guardiões da Galáxia: é um filme próprio, ainda que seja um filme da Marvel. E embora concorde que tenham encontrado a fórmula ideal para produzir sucessos de bilheteira, considero que a mesma seja variável e não constante, caso contrário tornava-se algo aborrecido o que até agora ainda não aconteceu.

A DCEU entrou no jogo de forma abrupta e audaz. Homem de Aço é massivo, melodramático, impressionante e está longe do típico filme de super-heróis. Embora pecasse pela frieza e falta de humor, trazia consigo a promessa daquilo que o universo da DCEU poderia vir a ser: grandioso. Contudo, esta visão foi destruída pelo muito problemático Batman Vs. Super-Homem e pelo desgovernado Esquadrão Suicida. Ambos os filmes, embora visualmente interessantes, confundiram e afastaram as audiências com as suas narrativas descabidas.
Coube a Mulher Maravilha salvar o dia e ela fê-lo. Uma salva de palmas para a DC, que teve a coragem de apostar em Gal Gadot, Patty Jenkins e na Mulher Maravilha que todos precisávamos e merecíamos ver no grande ecrã. Esperemos que a Liga da Justiça e Aquaman continuem a reavivar a promessa feita em 2013.

O clima está favorável para os super-heróis. No meio da confusão em que o mundo se tornou, por vezes, é melhor deixarmo-nos distrair por um filme cuja narrativa é (aparentemente) simples. Ao ver com atenção, é possível que se deparem com pormenores mais complexos e desafiantes do que estavam à espera – se tivesse tempo e espaço, falar-vos-ia sobre como a trilogia do Capitão América reflete a perda do contraste entre o bem e o mal, na sociedade moderna, fica para outra vez.

De qualquer maneira, é tempo bem passado. E chega altura da pergunta inevitável: Marvel ou DC? São duas perspetivas distintas face ao género, dois conjuntos de personagens e narrativas incríveis à espera de ser exploradas. São duas produtoras em lugares diferentes da curva de aprendizagem. Depois de quase uma década, a Marvel está segura de si mesma e do caminho a seguir. Com tempo, a DC chegará ao mesmo patamar. Por isso: Marvel ou DC? Ambas, pois no final do dia, quem ganham são sempre super-heróis.

Autor
Sofia Fernandes

Assumidamente despistada mas extremamente pontual, Sofia Fernandes é uma sportinguista fanática, com uma séria paixão por pizza e que por acaso adora a 7.ª arte!

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