Meses Temáticos – Maio de 2017

O ano letivo está a terminar. Os exames estão aí à porta. Os resumos, os marcadores e as sebentas acumulam-se nas secretárias e os livros que lemos por prazer começam a ficar esquecidos na estante. Assim, para não nos esquecermos dos livros que nos marcaram ao longo deste ano e para não mergulharmos apenas nos estudos, nós, redatores da seção de literatura, reunimo-nos e escrevemos sobre os livros que mais nos marcaram até aqui, desde setembro até maio. Esperemos que aprovem as nossas seleções e que, por muito que tenham de estudar, guardem sempre 15 minutos para ler uma página do vosso livro preferido!

Madalena Costa – After Ever Happy
Conhecem a sensação de estarmos a rebobinar até setembro para não nos esquecermos de nenhum livro que tenhamos lido até hoje? É assim que me sinto… Durante este ano letivo, por entre sebentas para ler e trabalhos para fazer, ainda tive tempo para ler livros que tinha na estante. Foram muitos os que me marcaram, mas até aqui falo-vos do mais importante e marcante: After Ever Happy. É o quarto livro da sequela de After, o primeiro livro sobre o qual eu escrevi quando ingressei nesta secção. Assim, já por si só tem um significado especial para mim, por ter sido o tema do meu primeiro artigo, mas também há outros motivos pelo qual eu escolho o último livro desta sequela. Um enredo que nos cativa a cada página que lemos, a história que se entrelaça com a das personagens e com as falas e que se adequa perfeitamente à nossa realidade. Uma história que se passa nos Estados Unidos, mas que se podia passar exatamente da mesma forma em Portugal. Com todas as intrigas, conversas, discussões, pensamentos e todas as emoções que nos provoca, um livro que a mim me irá sempre marcar cada vez que o ler novamente.

Manon Abrantes – A Morte de Ivan Ilitch
Confesso que já li este livro inúmeras vezes, mas a primeira vez que o fiz apreciei de tal modo que, de vez em quando, não resisto em pegar-lhe novamente. Falo-vos de A Morte de Ivan Ilitch do escritor russo Lev Tolstoi, uma obra notável sobre a efemeridade da vida e a inevitabilidade da morte. O tema do livro é um pouco “pesado”, mas é exatamente por essa razão que o escolho este mês. As aulas, os trabalhos académicos, a vida de estudante, tudo isto nos empurra para uma espiral de stress e preocupações, e, por momentos, quase que nos parece ter chegado o fim do mundo. Mas ao reler uma história triste e trágica como esta, acabamos por nos aperceber de que os nossos tormentos, afinal, são mais pequenos do que aquilo que imaginávamos. Se Ivan Ilitch refletiu acerca de toda a sua vida, com esta obra eu refleti acerca do último ano. E a que conclusão cheguei? Que a vida é demasiado curta para nos preocuparmos tanto, que problemas vão e vêm, e que, pelo menos, todos temos a sorte de não ser o pobre Ilitch!

Madalena Rodrigues – O que Darwin escreveu a Deus
O livro que mais impacto teve em mim durante esta primeira jornada foi O que Darwin escreveu a Deus. Esta obra contém as mais belas cartas alguma vez redigidas. Foi o amor e a loucura que o autor colocou nesses mesmos documentos que me despertou tanto interesse no livro. Além disso, José Jorge Letria não usou apenas o coração para as elaborar, usou também factos reais e acontecimentos verídicos, o que oferece ao livro mais personalidade. Esta personalidade fez que esta obra fosse a mais saborosa de ler e apreciar.

 

Duarte Pagou – Os Irmãos Karamazov
Quando me juntei à secção de literatura, tomei para mim o desafio de falar de grandes clássicos e de ler grandes obras que ainda não tinha tido a oportunidade de folhear. Foram muitos os livros que li e sobre os quais escrevi, mas há sempre aqueles que te marcam de alguma forma. O artigo que mais prazer me deu escrever foi, sem dúvida, sobre Os Irmãos Karamazov, de Dostoievski por várias razões. Por um lado, aventurei-me num estilo literário que não era habitual para mim ― o romance; por outro, foi o primeiro livro de um autor russo que li, um dos objetivos que tinha na minha lista; foi também um dos livros mais desafiantes e complexos em que peguei; mas foi, acima de tudo, um dos melhores livros que li até hoje: denso, cativante e repleto de personagens e diálogos intensos que nos põem a pensar. Se não fosse a secção de literatura e os desafios que esta me colocou, talvez nunca tivesse pegado num dos maiores monumentos da literatura mundial.

Ana Rita Cristóvão – Franny and Zooey, Nunca Me Esqueças e Caim
Escolher um livro que marque este ano de Literatura não é tarefa fácil. Entre aqueles que escrevi e aqueles que os meus colegas escreveram, é-me impossível escolher um, mas se me pedissem um top 3, seria, sem ordem definida:
Franny and Zooey, de J.D. Salinger, pelas abordagens que nos são apresentadas a nível de relações pessoais e pelos valores que nos são apresentados;
Nunca me Esqueças, de Lesley Pearse, pelo caráter surpreendente e pela carga subjetiva e histórica que transporta;
Caim, de José Saramago, por pôr em causa uma religião, argumentando e tornando o leitor numa porta aberta ao mundo para novas visões sobre, neste caso, a religião.

Maria Moreira Rato – Escrito na Água
A obra que mais me marcou desde que ingressei nesta secção foi, sem dúvida alguma, Escrito na Água, de Paula Hawkins. Através da leitura de A Rapariga no Comboio, já havia compreendido que a escrita da autora é repleta de mistério e consegue cativar-nos. Desta vez, levou-nos até Beckford, uma pequena vila em Worcestershire (condado no oeste da Inglaterra) ficcionalmente conhecida por ser o local onde corre um rio onde se dão mortes de “mulheres problemáticas”.
Na minha opinião, a narrativa foi bem construída, os espaços são descritos de modo excecional, mas o extenso leque de personagens pode confundir os leitores mais distraídos, embora a exigência de que prestemos sempre atenção para não perder o fio à meada devido à complexidade da trama seja um ponto a favor desta obra!
Contudo, o final desiludiu-me: uma história tão forte precisava de um desfecho mais emocional ou até assustador. Senti a necessidade de ler algo que não me deixasse simplesmente a pensar que mais um elemento fora adicionado ao enredo nas últimas páginas.
Ainda assim, devo confessar que aguardei ansiosamente o lançamento de Escrito na Água, corri até à Bertrand em maio para o adquirir e, mesmo que o livro contenha alguns excertos mais dúbios ou páginas não tão surpreendentes, continuo a admirar (e muito) Paula Hawkins, que juntamente com Gillian Flynn e outros autores, me incitam a reservar várias prateleiras da minha estante para os thrillers!

Autor
Maria Moreira Rato

Se virem uma rapariga com o cabelo despenteado, fones nos ouvidos e um livro nas mãos, essa pessoa é a Maria. Normalmente, podem encontrá-la na redação, entusiasmada com as suas mais recentes descobertas “AVIDeanas”, a requisitar gravadores, tripés, câmaras, microfones e o diabo a sete no armazém ou a escrever um post para o seu blogue, o “Estranha Forma de Ser Jornalista”… Ah, e vai às aulas (tem de ser)! Descobriu que o jornalismo é sua minha paixão quando, aos quatro anos, acompanhou a transmissão do 11 de setembro e pensou: “Quero falar sobre as coisas que acontecem!”. A sua visão pueril transformou-se no desejo de se tornar jornalista de investigação. Outras coisas que devem saber sobre ela: fica stressada se se esquecer da agenda em casa, enlouquece quando vai a concertos e escreve sempre demasiado, excedendo o limite de caracteres ou páginas pedidos nos trabalhos das unidades curriculares. Na gala do 5º aniversário da ESCS MAGAZINE, revista que já considera ser a sua pequena bebé, ganhou o prémio “A Que Vai a Todas” e, se calhar, isso justifica-se, porque a noite nunca deixa de ser uma criança e há sempre tempo para fazer uma reportagem aqui e uma entrevista acolá…!

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