Não há Volkswagen, mas o campeão continua o mesmo!

Quando ouvi que Volkswagen Motorsport tinha acabado com o seu programa de ralis e que já não iria correr em 2017, pensei que, pronto, já acabou o seu reino quase isolado, quem será que conseguirá o domínio? Não foi o que aconteceu este ano. Foi um campeonato muito disputado, com todos os construtores a vencerem ralis e a conseguirem pódios. Quatro vencedores diferentes, com máquinas diferentes nos primeiros quatro ralis do ano, prometiam…

Com a mudança para a equipa privada M-Sport, e aos comandos de um Ford Fiesta WRC, Sebastien Ogier começou da mesma maneira a que nos tem vindo a habituar ao longo destes últimos cinco anos: com uma vitória. Em Monte Carlo o destaque não só vai para Ogier, mas também para a equipa da Toyota Gazoo Racing. A formação liderada por Tommi Makinem conseguiu o seu primeiro pódio com o Toyota Yaris WRC, pilotado pelo veterano Jari-Mati Latvala.

Mais impressionante ainda foi a prestação da Toyota na Suécia, garantindo a sua primeira vitória desde o seu regresso aos ralis, com a vitória de Latvala (a última vitória da Toyota remonta ao ano de 1999, no rali da China). Só Esapekka Lappi conseguiria dar mais uma vitória à equipa nipónica este ano, sendo que a garantiu no Rali da Finlândia realizado em julho de 2017. Outra vez, Ogier fez parte do pódio, assim estendendo a sua liderança no campeonato.

No México a vitória calhou a um piloto diferente, Kris Meeke, no Citroen C3 WRC. Esta seria uma das poucas alegrias, num ano muito complicado para a marca francesa, após um ano de ausência desta categoria de desportos motorizados. Também foi a estreia da Hyundai Motorsport nos pódios, com a presença do piloto belga Thierry Neuville.

Em França teríamos o quarto vencedor diferente: Thierry Neuville, no Hyundai i20 Coupe WRC, sendo acompanhado por Ogier (quatro provas decorridas e quatro presenças no pódio) e Dani Sordo.

A partir de França, com todas as equipas a terem ganho pelo menos uma prova, começou a destacar-se um trio de pilotos- Sebastien Ogier, Thierry Neuville e Ott Tanak.

Este trio, a partir da ronda francesa, iria estar sempre presente no pódio, sendo que, apesar de as três vitórias e as seis presenças no pódio de Neuville, este acabaria por perder o campeonato na ronda da Grã-Bretanha; apesar de ter ficado à frente de Ogier, não foi o suficiente para levar a luta para a Austrália, pois Ogier terminou em terceiro. Ogier, a partir de França só viria a ganhar mais uma vez, o nosso rali de Portugal, mas foram pódios constantes o fator chave para garantir o título mundial, pela quinta vez, com trinta e dois pontos de avanço sobre o segundo classificado, Thierry Neuville.

Em termos de equipas, a M-Sport sucedeu à Volkswagen Motorsport. A equipa privada ganhou com quatrocentos e vinte e oito pontos, menos oitenta e três que a Hyundai. Apesar de correrem como privados a M-Sport mostrou ter um carro muito competitivo, com presença em todos os pódios desta temporada. Já a Hyundai teve um início lento, já que só a partir da terceira ronda (Rali do México) é que começou a ter presença no pódio.

Já a Citroen teve um ano caótico: muita instabilidade dos seus três principais pilotos, tendo até corrido com Andreas Mikkelsen, que havia ficado sem lugar após a desistência da Volkswagen do Campeonato do Mundo. Duas vitórias de Kris Meeke no rali do México e no rali da Catalunha foram os dois pontos altos deste ano.

A Toyota foi o construtor que na minha opinião mais cresceu este ano, apesar do terceiro lugar no campeonato de construtores. A equipa nipónica parece-me que em 2018 vai dar muito que falar.

Num balanço geral aqui ficam as minhas três escolhas para melhores pilotos deste ano:

– Thierry Neuville: Finalmente estamos a ver o seu andamento, que ao longo dos anos tem sido muito esporádico. Este ano foi o ponto de viragem, não só mostrou muita velocidade, mas mostrou ser um piloto muito mais consistente. Esperemos que para o ano esteja na batalha pelo campeonato, outra vez.

– Sebastian Ogier: Cinco vezes campeão mundial. Não existem muitas mais palavras a dizer. Simplesmente fenomenal. Ao princípio quando escolheu a M-Sport tinha as minhas dúvidas se revalidaria o título (sendo que antes desta decisão testou quase todos os carros disponíveis para 2017), mas a equipa proporcionou-lhe um carro extremamente competente, e Ogier retribuiu com o título de pilotos. Juntamente com os seus colegas, o título de construtores- algo que não acontecia desde 2007- também foi ganho.

– Andreas Mikkelsen- Começou o ano no WRC2, com o Skoda Fabia R5, sendo que quando correu nesta categoria, simplesmente, dominou. Está na minha lista porque é um dos pilotos que mais promete animar os ralis no futuro e porque este ano, nas poucas intervenções que teve, andou bastante bem.

Agora resta-nos esperar quase dois meses para voltarmos a ver o WRC de volta…

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