Não vais querer ser “noob”

Qualquer um que passe pelo Parque das Nações, diariamente, sabe que algo de grandioso se esteve a passar entre os dias 16 e 19 de novembro.

 Após o grande evento da Web Summit, Lisboa recebe algo muito parecido.

 A Feira Internacional de Lisboa (FIL) foi anfitriã daquele que começa a ser conhecido como o maior evento de Gaming do país: o Lisbon Games Week (LGW).

 Esta foi a 4ª edição do evento e a maior até à data, pois contou com 2 pavilhões, em vez do único pavilhão a que teve direito nas edições passadas. Seja um experiente jogador de videojogos ou um autêntico “noob”, que, na gíria de gammer, é alguém que é novo numa tarefa.

 

 

 Maior é melhor

 Um dos voluntários do evento, Daniel Lucas, veio pela segunda vez ao LGW e notou, desde logo, que aumentaram o espaço: “Isso possibilita maior mobilidade. Bater contra as pessoas era incomodativo.” O aluno universitário deu destaque à PlayStation que esteve em força no evento, expondo os seus novos jogos e consolas mas aponta que o que mais atrai pessoas à FIL são os YouTubers: “metade das pessoas que aqui vem é por causa deles”. Mas Daniel, na qualidade de voluntário, também aponta problemas. O que mais o impressionou foi “a falta de educação de muitos miúdos e pais que não respeitam quem coordenava as filas. Acham que não sabemos fazer nada.” Ser voluntário em todos os dias do evento é cansativo mas presenciar a tecnologia a desenvolver-se e a juntar pessoas é gratificante.

 

 “Dás-me um autógrafo?”

 É notória a febre pelos youtubers que marcam presença. Nomes como Wuant ou Nuno Agonia atraem muita gente, mas é também a possibilidade de aceder a videojogos que ainda não saíram para o circuito comercial que traz muita gente à Fil. Para Hugo Cruz, um aluno da Escola Secundária Gago Coutinho, em Alverca, a febre dos YouTubers que muitos jovens têm é descabida: “A maior parte das pessoas vem para ver YouTubers como o Windoh e ficam horas nas filas para, no final, nem sequer chegar a sua vida de tirar uma foto com ele. É um desperdício de tempo. Eu vim para jogar jogos novos e, quem sabe, fazer a lista de Natal.”

 

 

 Há de tudo e para todos os gostos

 Mas afinal o que havia na LGW para conseguir atrair mais de 50 mil visitantes?

 Mal entramos no recinto, ficamos arrebatados com a quantidade de pontos de jogos, atividades e (principalmente) publicidade. Embora não saibamos por onde começar, rapidamente somos embrenhados na dinâmica de gammer.

 Neste universo, pouco compreendido, marcaram presença as principais empresas de videojogos e tecnologia que podemos encontrar no mercado, como PlayStation, Xbox, Nintendo, LG, HP e Omen (marca de gamming da HP). Mas também lojas de tecnologia aproveitaram para pôr os seus produtos à disposição, de modo a dá-los a conhecer e, quem sabe, adquiri-los logo a seguir, ainda dentro do recinto do evento. Lojas como a Worten, a GlobalData e a Asus encarregavam-se disso mesmo.

 

 

 A PlayStation não mostrou apenas os jogos que estão prestes a sair como também dinamizou concursos. O PlayStation Talents foi uma dinâmica que ganhou mais destaque este ano e contou com 10 jogos feitos por faculdades portuguesas e equipas independentes.

 Hugo, aluno no IPL de Leiria no curso Jogos digitais e multimédia, desenvolveu o jogo Obscuria, um jogo que retrata o mundo quando não resta nada senão destruição – um ambiente perfeito para jogos de vídeo.

 O programador de videojogos explica que um dos jogos ali presentes, depois da votação feita pelos jogadores no evento, sairá para o mercado. O resultado saber-se-á no dia 12 de janeiro na gala PlayStation.

 

Para os amantes de Futebol Virtual

 

 Se há espaço para a discussão entre FIFA ou PES é aqui! Enquanto o PES 18 tem direito a um pequeno espaço na entrada do evento, o FIFA 18 tem lugar na arena da EA Sports: uma arena que faz lembrar um estádio com adeptos sentados em bancadas, de onde têm vista privilegiada para o torneio virtual de futebol. É na Arena RTP que acontece algo que só pode acontecer no Lisboa Games Week – um clássico do futebol espanhol: Real Madrid contra Real Madrid. Dois adversários defrontam-se com a mesma equipa! Como se isto já não fosse motivo para ficar e assistir a uns minutinhos de “Show de bola”, os jogos foram relatados em direto por dois nomes muito conhecidos entre os amantes de futebol. Num cantinho, Nuno Matos e Raúl Faria fazem o que melhor sabem fazer: relatam o jogo de forma tão emocionante que, por momentos, achamos que estamos mesmo no Estádio!

 Se ainda não estão convencidos da grandiosidade do LGW, tomem em consideração as palavras do célebre Jorge Gabriel: “Isto é um “Gaming Comic Con”. Já aí fui muitas vezes e estava a ver que não podia vir aqui, mas lá consegui!” O apresentador da RTP disse estar a adorar o relato muito profissional do jogo: “Afinal é o Nuno!” Referindo-se a Nuno Matos cuja voz é inconfundível. 

 

 

 Aproveitar oportunidades

 A maior parte dos visitantes do LGW são jovens e o Exército sabia disso. Na zona para eles reservada, um militar das Forças Especiais diz que o objetivo de marcarem presença é recrutarem interessados para o Exército, visto que “o Exército está com falta de pessoal.” Aquando questionado sobre se este evento é o sítio apropriado para recruta, a sua resposta foi imediata, sem hesitação: “Não! Se fosse, também aqui estava a Marinha e a Força Aérea.” O militar não se pode identificar, tendo em conta a sua posição nas Forças Especiais, mas disse estar apenas a cumprir ordens ao mostrar material de guerra, como armas e carros blindados, a quem passava.

 

 

 Disfarçar para os males espantar

 O Cosplay é uma prática cada vez mais vista, um hobbie que reúne cada vez mais participantes e a LGW não podia deixar de reservar tempo para um concurso e desfile de cosplayers. Sofia e Joana, duas alunas de Design de moda, sobem ao palco como Nico – uma personagem de Anime – e dançam uma coreografia icónica. Elas já fazem Cosplay há três anos e aproveitaram o facto de terem máquinas de costura na Universidade para fazer os fatos. Acabaram por ficar em 3º lugar no concurso. O segundo lugar foi para um duo de personagens do jogo League of Legends (na ponta esquerda da fotografia). O primeiro lugar foi atribuído a uma equipa de Cosplayers que nem sequer ficou para a entrega dos prémios, mas que o júri adjetivou como “altamente criativos e habilidosos”. Este júri era composto por pessoas com profissões muito entendidas na matéria: um designer de moda, uma cenógrafa e figurinista em teatro e um “developer” da caracterização das personagens da Marvel e da DC Comics. 

 

Nem o júri escapa ao cosplay!
Os participantes no concurso de Cosplay: os dois primeiros, a contar da esquerda, levaram o 2º lugar para casa. O 3º lugar ficou junto das últimas concorrentes, uma de azul e a outra de rosa.
Todos os cosplayers presentes no auditório.

 

 A última Ceia – versão gamer

 Juntar 2 equipas internacionalmente conhecidas e pôr os 10 jogadores (5 de cada equipa) do universo do Gaming em confronto. Parece simples, mas seguramente que foi a primeira vez que estes jogadores de renome jogaram na presença uns dos outros. A estes 10 jogadores juntamos dois comentadores e temos aí o elenco da Última Ceia. Devia ser era a Primeira Ceia, visto que, seguramente, que foi das primeiras vezes que jogaram frente a frente este jogo online.

 A plateia que assistiu às cerca de 4 horas de jogo non-stop, viveu intensamente toda a experiência, aplaudindo todos os golpes executados. A iniciativa foi patrocinada pela Asus e pela ROG – Republic of Gamers – que aproveitou para pôr à vista do público-alvo, artigos como os novos monitores, torres, repetidores de sinal, cadeiras de gaming… nenhum destes nunca sendo menos de 200 euros e indo até ao vários milhares de euros.

 

 

 A tecnologia não descansa

 A Samsung, por exemplo, aproveitou para expor o seu novo monitor de gaming: o QLED. O que há de inovador num monitor? Bem, este é curvo e tem 49 polegadas, o que permite uma experiência de jogo fantástica. Este monitor extremamente amplo, que podem ver abaixo, permite visualizar as cenas dos jogos tal e qual como os programadores desejam. A tecnologia não descansa mas este monitor tem nas suas “specs” – na gíria gamer – um modo de descanso dos olhos – o Eye-saver, que minimiza a emissão de luz azul e as oscilações no ecrã. Para jogar melhor e durante mais tempo, terá de dispensar 1500€, que é o custo desta máquina.

 

 

 “No meu tempo era assim!”

 O vintage também teve espaço neste evento, embora pequeno. Desde máquinas de pinball a arcade games tão famosos como o Tetris, consolas antigas e jogos de cartas Yu-Gi-Oh!, tudo esteve à disposição para jogar e, quem sabe, comprar. Decerto que uma destas máquinas de arcade game ficaria lindíssima numa sala lá de casa, mas, entretanto, os visitantes é que viajaram no tempo para jogar no que já foi o que mais avançado havia. Não foi por acaso que quem mais frequentava este espaço fossem pessoas mais velhas: muitos pais preferiram voltar à sua infância e ficar por ali do que ficar de olho nos jogos (extremamente) complicados, que os filhos dominam.

 

 

 Máquina de publicidade disfarçada

 Não poderia deixar de notar que todo o evento anda à roda, obviamente, de um mundo capitalista que quer vender experiências de videojogo para ocupar a nossa realidade. Exemplo disso era o facto de metade de todo o espaço disponível nos dois pavilhões do evento, ser ocupado por bancas enormes de merchandising das séries televisivas, dos videojogos, do cinema e youtube. Tudo isto para além das mini lojas encenadas na FIL. Marcas comerciais como a Cigala e a KitKat também aproveitaram para distribuir os seus novos produtos e divertir um pouco. Fica aí um vídeo do que se chega a fazer por um copo de noodles. Banzai!

 

 Ninguém nota logo, mas, a pouco e pouco, é se engolido por este mundo e começa a apetecer mergulhar mais e, talvez, construir o nosso computador de raiz.

 Se queria ter ido ao Lisboa Games Week e perdeu a oportunidade, descanse que para o ano há mais!

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