Obrigado, Il capitano

28 de Maio de 2017, Roma. No Olímpico, disputou-se um Roma – Génova, com os romanos a saírem vitoriosos por 3-2 e a garantirem o apuramento direto para a Liga dos Campeões. Mas a história de hoje não é sobre esse jogo.

28 de Março de 1993, Brescia. Avancemos até ao minuto 87, depois dos golos de Caniggia e Mihajlovic. Vujadin Boskov olhou para o banco e decidiu lançar um jovem de 16 anos: Francesco Totti.

4 de Setembro de 1994, Roma. Trinta minutos volvidos, cruzamento para a área, a bola é amortecida e é a primeira vez que Totti faz as redes abanarem desde que se estreou pela Roma. Tinha 17 anos na altura.

17 de Junho de 2001, Roma. Arrancava a última jornada da Liga Italiana, da temporada 2000/2001, e a Roma precisava de uma vitória para assegurar o título. Aos 19 minutos, Totti apareceu na grande área e atirou para o 1-0. A sua equipa acabou por bater o Parma por 3-1 e sagrou-se campeã italiana pela primeira vez desde 1983. Após 9 temporadas e já com a braçadeira de capitão, o eterno capitão levantou o seu primeiro (e único) scudetto.

9 de Julho de 2006, Berlim. Final do Campeonato do Mundo de 2006, na Alemanha. Totti e a sua squadra azurra disputam a final contra os rivais franceses, num encontro que corresponde a uma das rivalidades mais antigas do futebol europeu. Durante o Mundial, Totti já tinha sido decisivo: aos 90, converteu uma grande penalidade que eliminou a Austrália, nos oitavos-de-final e, na final, jogou 61 minutos e foi do banco de suplentes que começou a sua festa, o único título conquistado pela seleção.

Regressemos a Maio de 2017, Roma. Ouve-se o apito final e começa a homenagem a Il Capitano. Foram mais de 780 jogos, mais de 300 golos… Todos com a mesma camisola. Foram 28 anos na AS Roma, 24 na equipa principal. Neste dia, De Rossi e Florenzi, ambos “filhos de Roma”, não conseguiram olhar Totti nos olhos quando entrou aos 54 minutos. Se para o mundo do futebol foi uma perda, para a cidade de Roma foi um colapso. Por entre lágrimas e sorrisos, gritos e silêncio, Totti deu a sua volta olímpica e despediu-se daqueles que sempre serviu. O Imperador retirou-se, mas a bonita história de lealdade ficará para sempre como um exemplo. Lembro-me de ouvir Francesco dizer: “vou sentir a vossa falta”. O sentimento é recíproco.

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