Out Of The Black Into The Blue – Lust For Life por Lana Del Rey

Inspirador, esperançoso e consciente – assim é o quinto álbum de estúdio de Elizabeth Woodrigde Grant sob o nome de Lana Del Rey. Os temas abordados no mesmo são uma junção dos já frequentes, como relações tóxicas, juntamente com uma vontade de utilizar a arte como um instrumento ativista acerca dos últimos acontecimentos políticos. Menos autobiográfico que o habitual, a artista faz questão de salientar que este álbum é para os fãs.

Num artigo publicado no The New Yorker acerca de Lust For Life, Jia Tolentino refere que “pela primeira vez, Del Rey não toma a figura de protagonista, mas sim de narradora”, noção que é percetível desde a primeira faixa das dezasseis que constituem o álbum. Em entrevista para a revista Complex, Lana Del Rey explica que sentia, ao longo da sua carreira, que se expunha de modo demasiado cru no que escrevia. Como tal, teve a necessidade de aclarar a forma como abordava os temas, apesar de a sua experiência e opinião pessoal continuarem explícitas no álbum. Explicou também que, pelo facto de nos álbuns anteriores ter abordado a vida de um modo pesado e depressivo, sentiu a necessidade de fazer colaborações com amigos de longa data de modo a que estes dessem uma nova vida ao seu percurso.

Lust For Life, desde o título ao que é transmitido, apresenta-se como um álbum bastante diferente daquilo que podemos esperar de Lana Del Rey. Apesar de, como anteriormente referido, algumas faixas serem acerca relações pouco saudáveis, é de notar o modo como a artista encara o tema. Revela uma versão mais segura de si, apesar de frágil. Pelo próprio título do álbum se compreende a alteração na forma como encara o mundo, sendo que até lá o leque de títulos era muitíssimo mais negativo, como “Born To Die” ou “Ultraviolence”. A capa de Lust For Life é também um excelente exemplo deste desenvolvimento, tendo sido a primeira capa em que a artista se apresenta a sorrir.

A fotografia escolhida para capa do álbum é da autoria de Chuck Grant, irmã da artista, tendo sido tirada no parque de estacionamento do local onde o videoclip de “Love” foi filmado.

O álbum inicia-se com “Love”. Ouve-se um contrabaixo. Ouve-se uma voz. Ouve-se uma melodia. Reflete-se o conceito de juventude da nossa geração pelos olhos da artista. Exprime-se a esperança que se mantém dentro de cada um de nós apesar das adversidades, a importância que as pequenas coisas têm apenas pelo facto de existirem. Tudo isto e de como o amor não deixa de ser um impulsionador para que haja força e perseverança.

Em seguida, a música que dá nome ao álbum, “Lust For Life”. Em colaboração com The Weeknd, cria mais uma das várias canções de amor que constituem o seu reportório, desta vez com uma mensagem bastante positiva. Segundo Rick Nowels, produtor e integrante da banda que acompanha Lana Del Rey, esta música foi reescrita ao longo da produção do álbum, ainda assim esperando que um dia Lana publique a versão original.

Entre canções de amor, como “13 Beaches” e “Cherry”, aparece “White Mustang”, onde é retratado o amor e paixão que a artista sente por um outro músico. Com a colaboração de A$AP Rocky, surgem “Groupie Love” e “Summer Bummer”, em que Lana Del Rey junta batidas do rap atual com o seu próprio estilo, criando uma combinação talvez estranha a uma primeira impressão, mas bastante bem conseguida. Seguem-se “In My Feelings” e “Coachella – Woodstock In My Mind”, tendo a última música sido escrita na sua viagem de volta do festival Coachella no seguimento da hostilidade vivida entre os EUA e a Coreia do Norte.

Lana Del Rey fez questão de transmitir ao longo de diversas faixas do álbum a sua opinião política, sendo “God Bless America – And All The Women In It” e “When The World Was At War We Kept Dancing” a prova vida disso. Na primeira, de um modo bastante patriota e grandioso, escreve um hino à contínua luta pelos direitos da mulher. Na segunda, cria uma música de apoio e esperança para o futuro do mundo, mais precisamente para o futuro dos Estados Unidos da América. Sendo absolutamente contra o atual presidente dos EUA, Donad Trump, em entrevista à revista Complex, quando questionada acerca do facto de poder vir a perder fãs, responde – “Tu não negocias quando se trata do teu trabalho ou da tua arte. Manténs-te totalmente firme e lidas com as consequências. Em termos de perder fãs, não me importo. Ponto.” – fazendo questão de demonstrar o quão importante é manter-nos firmes ao que realmente acreditamos e defendemos.

Na reta final do álbum deparamo-nos com duas colaborações sublimes. Em “Beautiful People Beautiful Problems” com Stevie Nicks e em “Tomorrow Never Came” com Sean Lennon. Após “Heroin” e “Change”, surge “Get Free”, a décima sexta e última música do álbum: baseia-se na ideia da artista tentar mudar o seu modo de ver o mundo para algo mais positivo. Mostra o resultado de uma longa introspeção em que se apercebe de que o importante é viver a sua própria vida, indo para fora do preto em direção ao azul.

“Somos os mestres do nosso próprio destino, somos os capitães da nossa própria alma”.

Categoria: Música
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