Por que está o tetracampeão nacional tão aflito?

Durante as últimas semanas têm sido milhões aqueles que dão voltas à cabeça para entender a atual crise de resultados sentida pelo Sport Lisboa e Benfica.

Colocando a situação em números, o Benfica encontra-se, à 6ª jornada do campeonato, na 4ª posição, atrás dos rivais Porto e Sporting e ainda do Marítimo, com 13 pontos. Em seis jogos o tetracampeão venceu quatro, perdeu um e empatou outro, obtendo um total de 13 golos marcados e cinco sofridos.

Destes dados destacam-se os cinco golos sofridos em seis partidas, algo pouco comum nas águias, que costumam ser uma das defesas menos batidas de Portugal. Se recuarmos um pouco no tempo recordamos as saídas do guarda-redes Ederson, do central Lindelof e ainda do defesa-direito Nelson Semedo. Para a baliza chegaram Svilar e o regressado Bruno Varela, que havia sido emprestado na época anterior. Para defesa do lado direito chegou Douglas, nos últimos cartuchos do mercado.

Neste aspeto, o que é contestável e incompreensível é o facto de não ter sido contratado um central para substituir uma peça valiosa no xadrez de Rui Vitória, como foi Lindelof. Ao invés, subiram à equipa principal Rúben Dias e Kalaica. Bruno Varela tomou conta das redes encarnadas, enquanto André Almeida garantiu o seu lugar como defesa-direito. O certo é que as opções de Rui Vitória teimam em surtir efeito.

A construção do jogo do Benfica a partir do meio campo é fortemente criticada pela massa adepta. Na 1ª jornada a contar para a Liga dos Campeões, onde o Benfica defrontou os russos do CSKA, os encarnados não foram capazes de impor o seu jogo em casa e, mesmo depois de estarem a vencer por 1-0, acabaram por permitir a cambalhota no marcador (1-2).

A fragilidade e recorrente insegurança do segundo terço do Benfica está relacionada com a incapacidade de encontrar soluções alternativas para os titularíssimos Fejsa e Pizzi. As lesões do sérvio e a fadiga do português gritam por alternativas que ultimamente não têm cumprido a tarefa. Felipe Augusto tem sido a aposta mais forte do técnico, mas tarda em ganhar a confiança dos adeptos. Enquanto Samaris (outrora uma peça importante no Benfica) é sucessivamente deixado de parte. O reforço Krovinovic e João Carvalho (formado nas escolas do Benfica) não conta ainda para Rui Vitória. O primeiro por se encontrar a recuperar de lesão e o segundo por opção técnica.

O setor mais ofensivo do Benfica tem fatores positivos e outros negativos. Se por um lado convence com Jonas (7 golos em 6 jogos), por outro deixa muito a desejar com a criação de lances de perigo e com a finalização. E aqui entra a questão das substituições, que será abordada mais à frente.

O atual parceiro do “Pistolas”, Seferovic, mostrou serviço cedo e permitiu aos adeptos sonhar. Mas as recentes descidas de rendimento e o historial de poucos golos por época começam a preocupar, pedindo mudanças. O mexicano Jiménez já disse publicamente que vai lutar por um lugar no 11: pode ser aqui a grande alteração num futuro próximo. Também o reforço Gabriel Barbosa espreita uma oportunidade de voltar a mostrar o porquê de ser considerado um miúdo maravilha.

As asas da águia são bastante incertas de momento. A inconsistente forma de Salvio, a insistência em Rafa em detrimento de Cervi, a relutância em apostar em Diogo Gonçalves e a retirada de Zivkovic do jogo em momentos de alto rendimento baralham os benfiquistas e os entendedores da bola.

E chega então a questão das opções técnicas durante o jogo. Tardias, duvidosas e erradas – são alguns dos adjetivos usados nos últimos tempos. Terá o técnico perdido qualidades no momento da leitura do jogo?

Após toda esta reflexão, uma coisa é certa: seja os jogadores, as opções técnicas ou as questões internas (que são contas para outro rosário), a insatisfação em volta do Benfica é muita.

O tetracampeão nacional tem muita responsabilidade em cima dos ombros, com a qual não tem sabido lidar. Por enquanto é esperar para ver o que dirão os próximos capítulos deste livro.

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