“Temos aberto cada vez mais as portas da AE e, no fundo, queremos que as pessoas tenham vontade de falar connosco”

As eleições para a Associação de Estudantes da ESCS (AE ESCS) aconteceram no mês de janeiro. A lista A foi a escolhida. Fica aqui a conhecer o novo presidente da AE ESCS, o Rúben Sousa.  

 

ESCS MAGAZINE (EM): Durante alguns anos a lista das Associação de Estudantes (AE ESCS) foi única. Quais foram as principais razões para que este ano tenha havido duas listas a concorrer pela presidência da AE ESCS?

Rúben Sousa (RS): Foi principalmente pela diferença de opiniões – neste caso, ideias que tínhamos para a Associação de Estudantes (AE). Como muita gente sabe, no início pretendíamos fazer uma lista única com as pessoas que tinham uma visão diferente, uma visão mais de continuidade. No entanto, depois houve uma diferença cada vez maior de ideias do que era melhor para a Associação de Estudantes.

 

EM: E quais foram os principais ideais que levaram a essa rutura?

RS: Principalmente a relação com o exterior, a forma como os fundos eram geridos, a política educativa – como dar mais ênfase à nossa visibilidade externa e ao trabalho interno. Queremos dar mais ênfase ao trabalho interno, pois no ano passado apostava-se muito na visibilidade externa e muitas vezes o conhecimento não se transmitia cá dentro. Nós pretendemos continuar esse trabalho, mas melhorar as condições do nosso espaço, que estavam muito degradadas, melhorar também as comunicações para aqueles que acabam o curso, melhorar as condições dos núcleos, mais workshops, mais eventos e ser um bocadinho mais próximos sem descurar nunca a nossa visibilidade lá fora. Nós somos uma montra e temos de manter uma imagem.

 

EM: Durante a campanha sentiste de certa forma que a lista M estava mais à frente em termos de design, de imagem, de vídeos? No fundo, achas que eles captaram mais a atenção do público? Sentiste uma certa desvantagem durante a campanha eleitoral?

Rúben Sousa, atual Presidente da AE ESCS

RS: Vou ser muito sincero: acho que optámos por uma imagem mais institucional, mais de “ESCS”; apostámos mais nos cursos e nas cores associadas aos cursos. Tentámos também ter uma perspetiva mais de aluno e não tanto de agência. Claro que nós fomos uma equipa feita de novo. Foi aí que o departamento de Comunicação deu os seus primeiros passos a sério e, parecendo que não, claro que o nosso departamento de Comunicação poderia partir um bocado em desvantagem por causa disso. No entanto, em termos efetivos do que o que queríamos comunicar, acho que nós fomos mais eficazes, porque tivemos posts mais direcionados para o que queríamos comunicar, que era a comunidade, os nossos valores, a nossa projeção e, sem dúvida, que nisto fomos mais eficazes. Acho que foi uma boa campanha. Claro que houve partes más, porque julgo que uma coisa que nós tentámos culminar ou retirar a todo o custo foi a maledicência, “o diz que disse”, os rumores. Mas acho que sim; acho que foi uma campanha superequilibrada.

 

EM: Sente-se que a vitória da lista A não era esperada. Desta maneira, a vitória da tua lista também te surpreendeu?

RS: Desde o momento em que nos candidatámos como um projeto, sempre achámos que era possível até porque nós sentíamos os escsianos cada vez mais afastados da associação e eu, por exemplo, tentei candidatar-me à associação, mas não entrei. No entanto, não fiquei de todo com remorsos ou chateado; simplesmente achei que, vendo as coisas de dentro e sabendo como as coisas funcionavam e já conhecendo outros panoramas (já tinha feito parte de uma associação de estudantes de outra faculdade em que andei) achava que o mais correto era outro formato da AE que não o de então. Via muita gente afastada daquilo que era a associação e achava que podíamos fazer mais. Nós propusemos como projeto tentar melhorar com o objetivo de mudar a associação de estudantes; se perdêssemos, perdíamos, mas realmente a nossa tarefa estava feita que era mostrar que havia outro caminho. Claro que quando chegou ao dia das eleições era 50/50. Basicamente quem ia votar na lista M eram as pessoas que por norma estavam relacionadas com a associação, por norma tinham feito parte da associação ou eram mais afetas à associação. Nós basicamente captámos o voto daquele estudante comum, daquele estudante que veio cá de propósito para votar.

 

EM: Então a lista A acabou por captar mais pessoas do que a M por ser nova…

RS: Exatamente. Por ser nova e também por serem caras que as pessoas conheciam dos corredores, das festas, etc., mas eram pessoas que sabiam que poderiam dar o novo fôlego. Mas ao mesmo tempo também juntámos a parte da experiência com pessoas que já cá estavam (na AE). Parecendo que não, nós juntámos realmente a novidade e a abrangência do público com também a experiência que nos era inerente e que nos fazia falta para a fase inicial.

 

EM: E como está a ser o processo de transição de uma lista para a outra? Está a ser fácil?

RS: O processo de transição posso-te dizer que foi terminado a semana passada. Foi um processo complicado, doloroso – tínhamos muitas pontas soltas, tínhamos muitas burocracias para tratar. Claro que não foi de todo o mais fácil, mas também não foi de todo o mais complicado. Foi uma coisa que se fez. Entretanto fomos fechando parcerias, fomos fechando uma série de coisas novas, fizemos as obras (no espaço da AE) e tentámos ser realistas. Neste caso, só para teres uma ideia, neste momento, já cativámos o dobro de dinheiro de parcerias que tínhamos no ano passado. Ou seja, fechámos parcerias que vão dar a tal ponte que nós queremos fazer para o exterior desde estágios a outro tipo de abrangência que até agora não tínhamos. Claro que tentámos resolver coisas antigas; felizmente, digo já, que não nos deixaram dívidas. A questão é que muitas das vezes não foi fácil transferir de um lado para o outro, porque não houve tanto aquele acompanhamento. Então tivemos de apalpar um bocado o terreno para saber como é que estavam as coisas.

 

 

EM: Achas que o debate foi um bom evento para dar vantagem em relação à lista A? Aliás, achas que foi o evento que marcou a campanha?

RS: Sem ser humilde, acho que sim. Penso que neste caso foi para nós, como lista, o que realmente marcou a diferença. Muita gente nesse dia disse-me que estava indeciso e queria saber literalmente a diferença entre uma lista e outra e acho que o debate serviu mesmo para delinear o que um projeto e outro queriam fazer. Dentro da campanha, o debate foi mesmo o que diferiu completamente porque um apresentou o que queria e o outro também apresentou o que queria. Acho que muitos indecisos nesse dia decidiram o voto na lista A.

 

EM: Em relação às parcerias houve uma crítica que dizia que a lista A tinha falta de experiência e que isso poder-se-ia refletir nos contactos que eram feitos na área. Achas que isso é na realidade um problema?

RS: Acho que é exatamente o oposto. As pessoas que estão nesta lista são as pessoas que estão lá fora, que já trabalharam, que estão em estágio, que já estão em empresas ou fundaram empresas. Nós neste momento temos uma base empreendedora bastante grande em toda a Associação de Estudantes, o que é ótimo. Já renegociámos uma série de contratos – parecendo que não, renegociar contratos é poupar dinheiro – dinheiro que é de todos nós. Temos tido uma abrangência completamente diferente, temos conseguido desbravar outros lados que não eram feitos no antigo mandato desde empresas, organizações e associações. Temos tido um papel bastante neutro dentro destas guerras políticas que existem mesmo dentro da Associação de Lisboa e da Academia de Lisboa, que são duas federações diferentes, e temos tido um papel de diálogo com as duas. Para nós, estudantes de comunicação, quanto mais envolvimento tivermos e ligação a todos os colegas, melhor.

 

#ATuaEscolha acabou de começar

Chega ao fim esta aventura de período eleitoral. Mais do que um momento de eleições, vivemos este percurso como uma experiência diferente para toda a comunidade escsiana.Trabalhámos, rimos, suámos e, acima de tudo, sentimos que acrescentámos mais uma página ao livro de histórias da ESCS. A união, a amizade e o empenho é o que aquece o nosso coração.Ontem, a Lista A foi eleita para a Direção e para o Conselho Fiscal da AE ESCS. Porém, não podemos deixar passar outro marco: graças a vocês, hoje foram contabilizados 310 votantes. Esta vitória foi conseguida também pela motivação da Lista M – Aquilo Que Nos Move!Queremos agradecer a todos os que nos acompanharam nestas semanas. No fundo, a ESCS é a nossa casa. A casa que nós escolhemos, a Lista A escolheu-te para te dar voz e tu escolheste-nos para te representar.Obrigada por esta oportunidade, ESCS. #SomosATuaEscolha

Publicado por Lista A – A Tua Escolha em Terça-feira, 9 de Janeiro de 2018

 

EM: E quais serão os projetos futuros?

RS: O evento Bandida Escsita é uma prova disso. Este projeto começou como uma brincadeira, porque nós gostávamos de ter uma sponsoring party. Pensámos em fazer uma festa temática, num molde completamente novo, uma coisa de que as pessoas não estivessem à espera; então começámos por tratar dos contratos todos, fizemos um projeto novo e foi aprovado pelas empresas. Dentro disso, gostávamos de replicar este feito noutras coisas, como gostarmos de termos zonas da AE patrocinadas, gostávamos de fazer semanas – como a semana do desporto – com o patrocínio de alguma empresa externa. Gostávamos de ter cada vez mais as empresas a saber que podem contar connosco, porque cada vez mais as empresas para nos selecionar depois dos cursos recorrem a agências de talento e o que nós queremos como associação de estudantes é cada vez mais posicionarmo-nos para elas não estarem a pagar a estas empresas. Não é roubar-lhes mercado, apenas achamos que nos devem brindar a apoiar para que os estudantes saiam da ESCS mais bem formados. Queremos ser um bocadinho pioneiros nisso, mesmo a nível nacional, e claro melhorar as nossas condições como associação e representação externa como dos alunos.

 

EM: Como é que a lista A pretende marcar pela diferença?

RS: Acho que não só pretende como já está. Primeiro, mexemos em coisas que nunca foram mexidas, como a mudança do espaço da AE, que já está a ser prometida desde 2007. 11 anos depois viemos nós e já concluímos parcialmente a renovação do espaço. Por exemplo, ajudar o Gabinete de Estágios da ESCS, fazendo um programa novo – estamos a trabalhar nisso, o que é uma coisa que nunca existiu. Outro objetivo é racionar bem o dinheiro, ser muito mais transparente; pretende-se que a pessoas saibam o que fazemos com o dinheiro e aplicá-lo de uma forma responsável e direta. Acredito que cada vez mais devemos dar uma entrada nova às pessoas. Lançámos agora o recrutamento, tivemos pessoas que nunca se tinham candidatado e temos sentido um ambiente completamente diferente de forma como nos abordam. Temo-nos distanciado cada vez mais de elitismos. Temos aberto cada vez mais as portas da AE e, no fundo, queremos que as pessoas tenham vontade de falar connosco, que se sintam em casa.

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