• 7ª Arte

    “Malcolm&Marie”: a toxicidade de um amor a preto e branco

    Malcolm & Marie, da autoria de Sam Levinson – o criador da série da HBO Euphoria – , estreou no passado dia 5 de fevereiro, na Netflix. O filme começa com um jovem casal a regressar a casa, depois da estreia do primeiro grande sucesso do cineasta Malcolm Elliot (interpretado pelo ator John David Washington). É imediatamente percetível que a sua namorada, Marie (interpretada pela atriz Zendaya), não se encontra no mesmo espírito de celebração, mantendo-se distante e pouco faladora. Eventualmente, Marie revela que o motivo para a sua frieza é o facto de Malcolm não lhe ter agradecido durante o seu discurso, especialmente porque o filme foi baseado na…

  • Opinião

    É urgente falar de Aristides de Sousa Mendes

    No passado dia 27 de janeiro assinalou-se o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, no 76º aniversário da libertação do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Tal serviu como pretexto para se evocar, de várias formas, a incontornável figura de Aristides de Sousa Mendes.  Teria cerca de oito ou nove anos quando o meu pai, natural de Canas de Senhorim, distrito de Viseu – íamos nós a caminho da sua terra natal –, fez um desvio por Cabanas de Viriato, uma freguesia vizinha. Na pacatez da aldeia erguia-se uma estupenda mansão em completa ruína. Embora desgastada pelo tempo e pela falta de habitação, não me recordava de ter visto…

  • 7ª Arte

    Quando a pandemia também vai ao Cinema (da Villa)

    *Artigo redigido para a edição especial de dezembro, “Remédio Santo” O elevador do centro comercial CascaisVilla, em plena Avenida Marginal, em Cascais, abre para revelar o piso do cinema completamente vazio. Para acedermos ao piso que é completamente ocupado pelo cinema, no pequeno e pouco movimentado centro comercial, ou apanhamos o elevador, ou descemos uma enorme escadaria. Talvez seja por essa razão que O Cinema da Villa, a funcionar desde 2015, se parece deslocado e muito pouco integrado naquele meio, assemelhando-se mais a um cinema de rua. Lá dentro encontram-se apenas dois funcionários por trás do balcão da bilheteira. Levanta-se a dúvida se, àquelas horas, a tranquilidade em demasia se…

  • 7ª Arte

    “A rir, a rir, dizem-se as verdades”: As melhores comédias francesas dos últimos anos

    Enganamo-nos se pensamos que as comédias têm a função única de nos fazer rir. Em tempos de crise e de inquietação, como aquele que atravessamos, o humor surge como uma bóia salva-vidas. O melhor entretenimento cinematográfico é aquele que transcende os limites do mero lazer e até das paredes da sala de cinema, fazendo o público refletir, questionar e emocionar-se. O humor perspicaz, excêntrico e lacerante do estilo de comédia francês – respeitado por alguns, olhado de lado por outros – é reconhecido por todo o mundo. Em Portugal, este género tem vindo a crescer e a ganhar cada vez mais apreciadores. A razão? Seja pelos diálogos rápidos e atrevidos…

  • Opinião

    A influência dos influencers (ou a falta dela)

    Confesso que não sei o que é pior: pessoas que se autointitulam como influencers ou aquelas que utilizam esta palavra a torto e a direito. Já dizia a Filomena Cautela que a única coisa que se sentia influenciada a fazer era uma laqueação de trompas. São criadas tendências em redes sociais como o Instagram, o YouTube, o Facebook ou o Twitter. Geram-se fenómenos de popularidade e as marcas tornam-se virais através dos so-called influenciadores, ao colocar o foco em pessoas que podem vir a ter influência sobre potenciais compradores, os quais, por sua vez, pertencem à sua lista de followers – que nem efeito de Flautista de Hamelin. Um arrepio…

  • Literatura

    Sete monstros literários catapultados para a Sétima Arte

    Já dizia o provérbio popular: “não julgues um livro pelo seu filme” (é assim que se diz, certo?). Ao ler as linhas de uma narrativa, é impossível que o leitor não imagine e personifique, na sua mente, cada uma das suas personagens. Adaptar uma obra literária para o grande ecrã não é, por isso, tarefa fácil, perante a exigência dos fãs que aguardam que a versão cinematográfica seja o mais fidedigna possível. É, igualmente, uma tarefa ingrata para os cineastas, já que cada um dos leitores “dá vida” de forma diferente a cada um dos intervenientes na história. Já dizia outro provérbio popular: “não se pode agradar a gregos e…

  • Capital

    Indo eu, indo eu, a caminho do museu (virtual)

    A pandemia da Covid-19 entrou, de rompante, na vida de todos nós, sem bater à porta ou tocar à campainha. Nunca as plataformas digitais foram tão utilizadas como durante este período, quer seja para reuniões de trabalhos, quer seja para aulas ou até lazer.  A possibilidade de visitar um museu de forma virtual (e gratuita) não é uma coisa nova, mas voltou em força durante a pandemia. Poderá ser um incentivo a uma visita posterior, in loco. Lembra-te: embora esta seja uma alternativa à visita presencial, não procura, de modo algum, ser a sua substituta – os equipamentos culturais encontram-se abertos e a cumprir as regras de segurança sanitárias.  Seja…

  • Literatura

    Galileu & Déjà Lu, contadoras de histórias em Cascais

    Uma boa livraria é a Olimpo da Literatura – um espaço de refúgio e de imersão. É onde o leitor se perde e, ao mesmo tempo, se encontra. Na Vila de Cascais – que já foi, pelo menos uma vez, musa na vida e na obra de escritores como Almeida Garrett, Fernando Pessoa, Maria Amália Vaz de Carvalho, Eça de Queirós e Ruben A. – existem duas livrarias independentes que esperam por uma visita; ou duas ou três. Fomos conhecê-las.  A Avenida Valbom é uma das passagens mais importantes de Cascais, a uma distância de vinte minutos de transportes de Lisboa. É lá que encontramos a livraria Galileu, que assim…

  • Capital

    Mezze: Onde a solidariedade e a inclusão são ingredientes da mesma receita

    O jornalista vai à procura da história perfeita. Desta vez, foi a história perfeita que veio até ao jornalista. História essa que é transmitida através das mãos, dos olhares e dos sorrisos – agora escondidos atrás da máscara – de quem confeciona a comida com identidade e experiência. Entro no restaurante Mezze, localizado no Mercado de Arroios, em Lisboa, onde se instalou em setembro de 2017. São-me dadas as boas-vindas de forma afável e acolhedora. Sinto-me curiosa e expectante. Estou prestes a aprender que este não é apenas um oásis da gastronomia do Médio Oriente na nossa capital, mas também um projeto de empreendedorismo social inovador e de grande sucesso,…

  • Literatura

    Pedro Rodrigues: “Não há Internet que valha à Literatura, porque o livro vai continuar a ser o livro”

    Quando foi informado sobre o seu direito ao off the record, recusou-o, de forma imediata: “não gosto dessa ideia de esconder e de falar nos bastidores. As pessoas são como são”. Tratou-me imediatamente por “tu” e pôs-me à vontade para tratá-lo assim também. É uma das maiores promessas da última geração de escritores portugueses. Pedro Rodrigues, nascido a 1 de março de 1987, é oriundo da Cova-Gala, no concelho da Figueira da Foz. Acabou de lançar, este mês de novembro, o seu novo livro Alice do Lado Errado do Espelho, escrito em pleno confinamento. Numa entrevista sobre tudo e sobre nada, falou-se sobre arte, direitos de autor, estupidez alheia, redes…