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    A pedagogia da televisão

    A televisão, enquanto medium, é uma peça chave para a compreensão da cultura contemporânea. No último quarto do século XX, o pequeno ecrã assumiu um papel omnipresente nos lares da sociedade – e Portugal, claro, não foi excepção. Hoje, com o advento dos novos media, assentes em plataformas digitais, a televisão continua, sem sombra de dúvidas, a ser protagonista no dia-a-dia dos cidadãos. Actualmente, observamos que os hábitos de consumo de media, por parte das novas gerações – os chamados nativos digitais, nascidos a partir do virar do milénio –, são fragmentados. Isto é: os jovens desdobram-se por diversos media (desde o smartphone ao tablet, passando, irremediavelmente, pela televisão), consumindo…

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    Comunicação estratégica

    De que falamos quando abordamos a temática da comunicação estratégica? Quais as diferenças entre objectivo, estratégica e táctica? Não são raras as situações em que estes conceitos são empregues erradamente, pelo que se torna necessário esclarecer algumas ideias enraizadas na gíria dos profissionais da comunicação. Objectivo O objectivo é uma intenção explicitada por um verbo (exemplos: alcançar, aumentar, duplicar, reduzir, etc.). Basicamente, diz respeito a uma meta que se pretende alcançar. Quando se formula um objectivo, é imperativo considerar os seguintes pontos, uma vez que só assim conseguiremos aferir se o mesmo foi ou não cumprido: ser mensurável: o objectivo tem de ser quantificado (exemplo: “duplicar o número de gostos…

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    A política (ainda) não é digital

    A relação dos políticos portugueses com os social media ainda se encontra em período de gestação. A política teima em subestimar o potencial das redes sociais, quando já se percebeu que os benefícios deste casamento são inegáveis. O fenómeno justifica-se, por um lado, pelo conservadorismo da classe política, assente em puritanismos, e, por outro, pelo medo de ouvir a voz do cidadão. Na verdade, poucos são aqueles que arriscam abrir portas aos social media. Quem dá esse passo, acaba por não conseguir levar avante a missão, porque, pura e simplesmente, não há uma estratégia de comunicação focada nas especificidades das redes sociais. Na era do Facebook e afins, seria expectável…

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    O apagão televisivo

    A televisão é, na maioria dos lares portugueses, um bem de primeira necessidade. É certo que a caixa mágica não nos dá de comer à boca. Ainda assim, é difícil concebermos a nossa rotina sem a presença do pequeno ecrã. Ver televisão não é um hábito tão básico quanto o julgamos ser. Fora dos grandes centros urbanos, ainda há quem só veja 4 canais. Em pleno século XXI, parece que regredimos um par de décadas, quando, de facto, a oferta se limitava a 4 canais. O que é feito, então, do tão apregoado progresso tecnológico? Façamos um enquadramento para melhor entendermos o cerne da questão. Em 2012, por decisão de…

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    A história de uma banda chamada The Gift

    “Quem passa por Alcobaça não passa sem lá voltar” são os primeiros versos da canção imortalizada, nos anos 50, pela voz de Maria de Lourdes Resende. Mas Alcobaça não é apenas a cidade que recebe, de braços abertos, os rios Alcoa e Baça ou a morada de uma das sete Maravilhas de Portugal, o imponente Mosteiro da Ordem de Cister. Alcobaça é, também, a terra natal de uma banda chamada The Gift. A banda alcobacense dá-se a conhecer em 1998, com o lançamento de “OK! Do You Want Something Simple?”, o estrondoso single que dá o mote ao álbum primogénito: “Vinyl”. No entanto, existem quatro anos do percurso dos The…

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    O tempo que (não) temos

    “O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem. O tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem.” Conhecem esta lengalenga? Certamente que sim. De facto, o tempo tem apenas o tempo que o tempo tem. Trocando por miúdos: um minuto tem 60 segundos – nem mais nem menos. A nossa percepção do tempo é que é variável, pelo que não é raro dizermos que o tempo passa mais depressa ou mais devagar, consoante a ocasião. De há uns anos a esta parte, os arautos da desgraça têm batido às nossas portas – quais vendedores de enciclopédias – na tentativa (bem sucedida,…

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    Ir ao cinema

    O Marcos Melo escreve ao abrigo do Antigo Acordo Ortográfico. O que nos faz ir ao cinema? é a pergunta que dá o mote a este artigo. Dito por outras palavras: o que nos faz sair do bem-bom do nosso lar rumo a um centro comercial ‘à pinha’, para ver um filme? Ir ao cinema é, acima de tudo, um ritual social. Em casa, facilmente assistimos a um filme sozinhos (de pijama, com o laptop ao nosso colo, enquanto estamos confortavelmente recostados no sofá ou na cama). No cinema, o caso muda de figura – até porque parece mal entrarmos sem companhia (“aquele ali veio sozinho, coitado”, julga alguém, de…

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    Somos todos quê?

    Já ouviram a expressão Faz o que eu digo, não faças o que eu faço? Por certo que sim. Trocado por miúdos, o provérbio significa o seguinte: facilmente apontamos o dedo reprovador a alguém, mas dificilmente olhamos para o nosso próprio umbigo. A cultura portuguesa está povoada por personagens típicas. Desde a Padeira de Aljubarrota ao Zé Povinho, passando pelo Velho do Restelo, o imaginário popular é vastíssimo. A coscuvilheira do bairro – aquela mulher dada à alcoviteirice que se empoleira ao beiral da janela a afiar a língua sobre a vida privada da vizinhança – é um exemplar sintomático da sociedade actual. A dita senhora modernizou-se e migrou para…

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    Blackout criativo

    Por estes dias, a poluição visual em Portugal atinge valores máximos. Os culpados são os suspeitos do costume: os políticos. De norte a sul do país, não há uma única localidade (nem mesmo o lugarejo serrano habitualmente esquecido pela civilização) que escape à infestação de outdoors e de cartazes alusivos às eleições legislativas. Por incrível que pareça, as campanhas eleitorais estagnaram no tempo. Os políticos comunicam hoje como comunicavam há décadas atrás. Numa era em que a comunicação é omnipresente, as agências concebem campanhas que ficam aquém das expectativas. O porquê é incógnito (essa discussão daria pano para mangas). Contudo, culpados à parte, uma coisa é certa: a criatividade não…

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    Humor q.b.

    A expressão popular “à vontade não é à vontadinha” podia perfeitamente descrever a recente polémica que envolveu a Telepizza Portugal no Twitter. Para quem não sabe do que se trata, passo a resumir o sucedido. Um cliente contactou a Telepizza Portugal, através do Twitter, exprimindo o seu descontentamento por a empresa ter trocado a marca do refrigerante. Escreveu assim: “@TelepizzaPt vocês mudaram de coca-cola para pepsi?!… enqt assim for nunca vou pedir telepizza. é só para saberem.” A Telepizza Portugal respondeu de uma forma, diria, inusitada: “OK (…) Vai pela sombra. ;)” Resumidamente, foi isto que aconteceu. Pessoalmente, considero que a resposta da Telepizza Portugal foi, no mínimo, infeliz. Se…