Música

Capicua, hip-hop no feminino

Ana Matos Fernandes ou, ainda se preferirem, Capicua, conhecida pela atitude feminista que expressa através da música e pela forma como trata as palavras, é uma presença que está a ganhar cada vez mais relevância no hip-hop em Portugal. A temática da desigualdade de género é a base do seu trabalho e “de cara lavada” (in Mão Pesada) compõe versos que funcionam como sinais de afirmação. Algumas das participações em músicas, como Aline Frazão e Gisela João, servem ainda para reforçar estes princípios.

Independentemente de considerar que este é um “mundo de homens”, a realidade é que após o seu sucesso em 2014 é-nos apresentado um novo álbum de remisturas e dois originais repletos de rimas carregadas que não desiludem. Sim, a rapper portuguesa pegou no seu álbum “Sereia Louca” e voltou a dar-lhe vida com o nome de “Medusa”.

Com uma postura fiel aos seus ideais, o seu novo álbum abandona a calma e permite que as palavras incisivas tenham outro impacto através da forma como se manifestam e chegamos mesmo a dizer que o objetivo foi bem conseguido em temas como “Vayorken”, “Lupa”, “Soldadinho” e “Black Mamba”. Entre as diversas presenças destacamos Sam the Kid, Dj Ride, DJ Marfox, Octa Push, Virtus e D-One, em que o dinamismo e a versatilidade, nas edições, estão presentes.

Sem abandonar o seu espirito crítico oferece-nos ainda duas novidades, com a participação de Valete em “Medusa” e “Egotríptico” com M7 e Dj Ride. É aqui que Capicua consegue prender o nosso foco, se queremos ser honestos. Assim, a abrir o álbum, com Valete, a temática passa pela violência, abusos sexuais, opressão e censura sentida contra as mulheres e a culpa atribuída à vítima. Um tema forte que “Medusa” descreve entre versos arrojados e indelicados, mas do qual nunca feztabue a ausência de elegância das palavras é o que torna a música alvo de destaque. Com este tema a artista reforça ainda aquilo que procura fazer no futuro – “uma mistura entre rap e spoken word”. Já “Egotríptico” reivindica o poder das mulheres, sendo que a presença do Dj Ride reforça a insubmissão transmitida entre palavras.

Com uma presença assídua em inúmeros festivais, Capicua vem apresentar o novo álbum, “Medusa”, a Lisboa no dia 16 de Abril, no Lux Frágil. Conta ainda com Virtus, nas programações, e os habituais companheiros DJ D-One e M7.

 

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