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Quinze minutos + três euros = Teatro Rápido

O conceito foi importado de Madrid, do Teatro por Dinheiro, e foi «posto em cena» por Alexandre Gonçalves e a sua equipa. Falámos com Alexandre Gonçalves, Andreia Madeira e com os atores que participam neste projeto.

 Foi há um ano atrás que surgiu um novo conceito de teatro no mundo do espetáculo, o microteatro. Alexandre Gonçalves, atual diretor-geral deste projeto, trouxe para Portugal um tipo de espetáculo que está a revolucionar as tardes lisboetas.

O Teatro Rápido surgiu com o propósito duplo: o de possibilitar um espaço para os atores trabalharem e apresentarem projetos, ao mesmo tempo que tenta chegar a um público que não tem o hábito de ir ao teatro. “O microteatro permite ao espetador entrar num mundo fascinante. O nosso objetivo é apresentar uma proposta nova e intimista, na qual o espetador é convidado a entrar”, confessa Alexandre Gonçalves.

Com entusiasmo, Alexandre contou-nos como se apaixonou por este projeto e como têm vindo a chegar propostas de atores para integrar a programação do Teatro Rápido.

“Acabam por surgir sinergias curiosas. Há atores que já se conhecem e outros que se cruzam aqui e começam, por isso, a projetar trabalhos em equipa, e isso é muito gratificante. Todos os meses há um novo tema.”

A festejar um ano de existência, este projeto já tem um tópico definido para o mês de maio. “Mater” foi o tema escolhido para celebrar não só o mês da mãe, como o primeiro aniversário do Teatro Rápido.

“É excelente termos conseguido aguentar este projeto durante um ano. No princípio, ninguém acreditava que podíamos surpreender o público, mas a verdade é que os números demonstram precisamente o contrário. Num ano conseguimos atingir os 25.000 espetadores, o que é um marco incrível”, afirmou Andreia Madeira, produtora executiva do TR.

Para além da produção, os atores também têm um papel preponderante neste projeto pois são eles que “põe em prática” o tema de cada mês.

Cristina Areia, Marcantónio del Carlo, Ricardo de Sá e Sofia Nicholson são apenas alguns dos nomes que já passaram pelo Teatro Rápido.

Em cena pela primeira vez vai estar Rita Ribeiro, que vai encarnar uma personagem da peça “Gisberta”. “É um grande desafio para mim pois é um tipo de teatro que nunca experimentei. Vai ser engraçado ver como vou conseguir preparar uma peça em tão pouco tempo e captar desde o início a atenção do público”, afirmou a atriz.

Durante o mês de maio vão estar em cena quatro peças relacionadas com o tema Mater.

Na sala 1 podemos assistir a uma peça escrita por Mariana Rosário e interpretada pela própria, na companhia de Eduardo Frazão. Com encenação de Eduardo Frazão, “Debaixo de Água” apresenta a história de dois irmãos que foram abandonados pela mãe e que nunca conheceram o pai.

Já na sala 2 podemos assistir à interpretação de “Nana (Canção de embalar) ”, pelas atrizes Joana Castro e Sofia Skavotski.

O texto é de Itziar Pascual e retrata a história de duas amigas que se reencontram num hospital depois de muitos anos sem se verem.

“Gisberta”, que vai ser representado na sala 3, é uma peça conta a história de Gisberta, uma transsexual que foi barbaramente morta, vítima da violência de 14 jovens internos de uma instituição católica. Rita Ribeiro é a grande protagonista da história de Eduardo Gaspar, que também encenou a peça.

Por fim, na sala 4 Alberto Sogorb Jover encenou uma peça onde o aborto é o fator que liga todas as personagens. Pilar Contreras Garrido, Blanca Escobar Mengual e Alba Novoa Fajardo são as atrizes que interpretam as personagens de A-BOR-TODAS!

Para além das peças, o Teatro Rápido também conta com propostas para as crianças ao fim de semana. No TR-Bar pode também assistir a exposições fotográficas e a concertos.

 “Convido todos a assistirem às nossas peças e exposições. É uma experiência que nunca vão esquecer”, concluiu Alexandre Gonçalves.

Depois de Londres, Madrid e Nova Iorque, o conceito de microteatro instalou-se no coração de Lisboa. O Teatro Rápido poderá ser visitado entre as 18h e as 20.30, de quinta a segunda-feira.

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