Jorge Pinto: “Há muitas maneiras de estar presente e de falar com as pessoas. Eu quero-as todas”.
As eleições presidenciais de 2026 nunca estiveram tão perto. O ano mudou, mas a ESCS Magazine, a ESCS FM e o E2 continuam com a mesma missão: conversar com os candidatos que aspiram alcançar o maior cargo do país.
Nesta instância, os holofotes focam-se em Jorge Pinto, o membro mais jovem da lista de candidatos à Presidência da República. Apoiado pelo partido LIVRE, apresenta-se com o lema “Presidente Presente” – que incide nas mais variadas facetas do alcance idealizado da sua figura presidencial. Ciente da necessidade de mobilizar o país em torno de causas urgentes, detalha a sua visão para o papel que almeja assumir – uma presidência que se foca na proximidade com a população.
Um “Presidente Presente”
Jorge Pinto organizou a sua campanha à volta da palavra “presente”, que, segundo o candidato, “é bonita porque tem muitas significações que depois acabam por ser complementares” – de forma a fortalecer o cariz multifacetado que pretende representar no panorama nacional.
Jorge Pinto propõe-se a ser um presidente presente, “no sentido de se encaixar no tempo presente, para os desafios que o país atravessa no imediato, e não apenas pensar no médio e no longo prazo”.
Aspira ser um “Presidente Presente”, “no sentido de proximidade, [um presidente] que está perto das pessoas, onde quer que elas estejam no território”.
Aspira ser um presidente presente no sentido de “ser alguém que tem presente aquilo que são as suas obrigações, desde logo as obrigações de defesa da Constituição, que são, se calhar, a principal obrigação de um Presidente da República”.
Tendo evocado tais características, Jorge Pinto quer assegurar à população que de facto há um presente que quer partilhar com ela; que há um presidente responsável, dedicado, presente para ouvir as pessoas.
A má tendência
Sobre o êxodo jovem, Jorge Pinto é taxativo: a maioria não sai por escolha, mas por obrigação. Salários baixos, rendas asfixiantes e a falta de reconhecimento na carreira são os motores da emigração. O candidato sublinha a falta do “direito ao descanso” e a necessidade urgente de uma harmonização entre a vida pessoal e profissional, combatendo a realidade de Portugal ser um dos países onde se trabalha mais horas com menos retorno.
Um Presidente que move
Embora reconheça que o Presidente da República não tem poderes legislativos, Jorge Pinto acredita que a sua força reside na capacidade de “mobilização da cidadania”. O objetivo é claro: manter a discussão viva até que o Governo e a Assembleia da República se sintam obrigados a agir. Se há um problema urgente, o Presidente deve ser o primeiro a convocar o país, a questionar as instituições e a garantir que os temas que afetam as pessoas não caem no esquecimento do ciclo mediático.
Será público, do povo, e estratégico!
No campo da habitação, a estratégia proposta é pragmática. O primeiro passo, defende, é o Estado conhecer o seu próprio parque imobiliário – listar o que é público e o que está devoluto. Especificamente para os estudantes, a solução passa por garantir residências universitárias em todos os locais com Ensino Superior, eliminando o maior bloqueio atual no acesso à educação. A longo prazo, a meta é clara: aumentar drasticamente a habitação pública e cooperativa não especulativa, protegendo as famílias da inflação e do mercado desregulado.
Os jovens são gente como a gente
Sobre a seriedade dos problemas que incidem sobre a juventude, Jorge Pinto foi claro:
“A mim custa-me sempre um bocadinho esta compartimentalização das políticas para a juventude. Parece-me uma menorização dizer «isto são problemas de jovens, ficam aqui nesta caixinha, as coisas a sério nós resolvemos noutro lado». Há muito poucas coisas que são problemas dos jovens, não sejam também problemas do país, e vice-versa”.
Um presidente LIVRE de tragédias
Engenheiro do ambiente por formação, Jorge Pinto vê na crise climática o grande desafio da era atual. Defende um Presidente preventivo e precavido, capaz de planear respostas a longo prazo para a perda de biodiversidade e eventos extremos. No plano internacional, a intransigência é a palavra de ordem: não há “bons ou maus opressores”.
O candidato defende que Portugal deve ser vocal na condenação de violações de direitos humanos em Gaza, na Ucrânia ou na Venezuela, por exemplo, acreditando que a indiferença perante um genocídio é um sinal permissivo perigoso para futuros líderes autoritários.
A formação não cai do céu
Neto de avós analfabetos e hoje doutorado, Jorge Pinto vê na educação o “elevador social” que hoje aparenta estar avariado.
“O que nós precisamos ter é um país que diga às pessoas que se conseguirem ter o acesso à educação (…) depois vão beneficiar disso. (…) Se o elevador está avariado, essa avaria tem de ser composta”.
Para o candidato, a ciência e a tecnologia devem servir para reduzir a desigualdade visível que alimenta a desilusão política.
Os cidadãos são o presidente do Presidente
Como mecanismo de inovação democrática, propõe as Assembleias Cidadãs: 100 portugueses escolhidos aleatoriamente para debater temas como, por exemplo, a regionalização. Jorge Pinto acredita que conclusões vindas diretamente do povo – e com o patrocínio de Belém – chegariam à Assembleia com uma “carga positiva” e uma legitimidade impossíveis de ignorar.
Seria uma das formas propostas para alavancar a discussão de problemas no meio público sem que caiam no ciclo mediático, e manter a participação ativa dos cidadãos no debate político. Estas medidas de integração e a disseminação da consciência sobre as preocupações sociais, segundo o candidato, são essenciais na função do Presidente de influenciar a sociedade e, ao mesmo tempo, ser influenciado pelas necessidades comunicadas pela comunidade.
A “Extrema-Direitização” do Algoritmo
O candidato alertou para o impacto das redes sociais, defendendo uma ação, possivelmente a nível europeu, para auditar os algoritmos que fomentam o ódio e a violência. Dirigindo-se aos desiludidos que se sentem atraídos pela extrema-direita, Jorge Pinto deixa um convite:
“Quero dizer-lhes que eu percebo aquela desilusão, mas que a quero usar a bem do país (…) para conseguirmos construir o Portugal que eu sei que já existe (…) – da entreajuda e da empatia”.
Jorge Pinto, ao evidenciar o perigo de conteúdos indecentes provenientes desta “direitização”, lamenta que jovens cresçam expostos à inevitabilidade deste fenómeno – conhecido pela rápida viralização e extrema polarização das massas digitais. Infelizmente, acrescenta, a mensagem de amor e paz é desvalorizada e ignorada, face à prioridade que o algoritmo oferece à violência, hostilidade e preconceito.
O dilema da notoriedade
Jorge Pinto assume-se como uma “nova esperança à esquerda” e uma renovação necessária na política.
Sobre a hipótese de desistência em favor de uma candidatura única, o candidato esclarece que apenas o faria perante reciprocidade de candidatos autodeclarados “orgulhosamente de esquerda”.
Como tal não se verificou, garante que levará a sua candidatura até ao fim, acreditando na volatilidade das sondagens e na força dos debates. Apesar de pouco reconhecimento inicial aparente, o candidato sustenta com convicção que muita coisa pode acontecer no decorrer desta eleição – prometendo uma campanha dedicada e íntegra.
O potencial nacional
Chegado o final da entrevista, Jorge Pinto explicitou a sua motivação patriótica e empática. Reconhece o potencial de um Portugal bem gerido, referindo que, nos últimos 50 anos, já verificámos aquilo que de bem conseguimos fazer, quando trabalhamos juntos para construir um país próspero e que representa o verdadeiro amor que a população portuguesa tem pelo país.
“Há quem seja um presidente presente, há quem queira estar presente e junto das pessoas. E há sobretudo quem queira que essas pessoas digam também presente pelo país que amamos, porque eu não desisto de Portugal. Eu amo o meu país, sei que as pessoas amam o nosso país e nós podemos ser muito mais do que somos, dando visibilidade a tudo aquilo de bom que nós conseguimos construir ao longo dos últimos 50 anos”.
Fonte da Capa: E2
Artigo revisto por Eva Guedes e Mariana Ranha
AUTORIA
O António, de 18 anos, é um rapaz especialmente curioso, com interesse na envolvência da sociedade. Adora filosofia, e de pensar sobre aquelas camadas da existência que aparentam ser invisíveis à percepção. Pratica, no Substack, a articulação de postulações reflexivas, que representam a intriga inevitável do pensamento inquietante. Vibra com hip-hop melódico, e encontra na escrita e na criatividade uma forma de se expressar e crescer. Também procura aplicar o pensamento crítico no seu quotidiano, em busca da veracidade nas suas convicções. Parte desse quotidiano passa, portanto, por aziar no Fifa.




