Mundo Académico

A missão quase impossível de sobreviver ao inverno académico.

Existe aquela dita frase que diz que o verão é que traz boas energias e que, consequentemente, o inverno é sinónimo de depressão e de isolamento. Por um lado, no verão não há aulas; por outro, proporciona algo que o inverno acaba por impedir: mais interações interpessoais. De facto, a chuva e o frio não são muito propícios a ir ter com amigos(as). Os sítios giros para se estar não são muito bons para esta estação e a única ideia que ocorre é ficar em casa. Ora, aí é que complica, porque ninguém quer ceder e enfrentar o temporal do inverno lisboeta só para ir para casa de outra pessoa.  

Diria que os estudantes deslocados sentem ainda mais esta solidão. A maioria vive sozinho numa residência ou num quarto alugado numa casa com pessoas que não conhece e, por isso, sente-se só. O isolamento das pessoas nesta altura apenas irá reforçar este sentimento.

No que toca ao mundo académico, esta perspetiva também não muda muito! O melhor sítio para estudar ou fazer trabalhos é, definitivamente, a cama. A meu ver, estudar de casaco ou de manta não chega de todo aos pés de estudar numa cama quente, confortável e onde o frio tem entrada proibida. Cafés e bibliotecas também se tornam uma opção, mas não são tão acolhedores como a cama. 

Podemos, então, chegar à conclusão de que o frio é o clima que mais convida à instrospeção!

Fonte: Coberline

Primeiramente, quando o despertador toca e o céu ainda está escuro, a única palavra que grita dentro de nós é “fica”. Fica na cama, fica no quente, fica em casa… mas, isso não é uma opção. Não basta acordar ainda de noite como também é preciso atravessar o oceano Atlântico que a chuva forma nas ruas para chegarmos à faculdade. De facto, esta estação é marcada pela corrida molhada até à universidade a tentar não escorregar na calçada, pelo casaco encharcado, o cabelo acabado de lavar que fica arruinado em segundos e pelas aulas e estudos ao som da chuva, que traz uma moleza constante.

Em termos científicos, a junção entre os dias mais curtos e as noites mais longas faz com que a exposição solar diminua significativamente. Fisicamente, o corpo produz menos neurotransmissores como a serotonina, o que se traduz numa sensação de fadiga, mais sonolência e menos energia. O corpo preocupa-se em manter-se quente, deixando de gastar energia em atos importantes como pensar ou até manter-se desperto.  

Há quem diga que o inverno é a estação perfeita para estudar, uma vez que, com o frio na rua, não se tem aquela ânsia de ir à praia como na primavera ou no verão e, com o espírito natalício a começar, até dá vontade de ler livros enquanto estamos enrolados numa manta ao lado da lareira. Contudo, na prática, esta estação é quase como um estado de espírito, um mal-estar generalizado que afeta a motivação e a produtividade e que dá lugar a uma palavra que toda a gente conhece: Procrastinação, o ato de adiar tarefas que precisam de ser executadas por outras menos prazerosas ou menos importantes.

Fonte: Techtudo

De facto, equilibrar o portátil e uma chávena quente não é tão fácil como estar dentro da cama, apenas com a cabeça de fora, a ver séries ou redes sociais. E é isso que caracteriza este tempo. O inverno, e o frio que o acompanha, são um teste de resistência e de foco. 

Estudar no frio é uma arte de aprendizagem e de equilíbrio: aprender a lidar com a lentidão, com um novo ritmo e, ao mesmo tempo, com o stress de apanhar chuva e vento.

Imagem de destaque: New RR

Artigo revisto por: Carolina Neves

AUTORIA

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A Matilde é uma estudante do 1º ano de Jornalismo que sempre teve muito apego pela escrita. Desde escrever no seu diário até às suas primeiras tentativas de escrever livros em pequena, agora procura partilhar a sua paixão com os outros.
Apaixonada por viajar e conhecer o mundo, sonha viver no estrangeiro mas, acima de tudo, quer aproveitar tudo o que a vida lhe dará, cheia de aventuras e histórias para contar aos filhos.
É muitas vezes descrita como competitiva, adora desporto e esforça-se por dar o melhor de si em cada coisa que faz. Assim, a Magazine surgiu como uma oportunidade para fazer aquilo de que gosta, demonstrar a sua dedicação, e aprender e arriscar sem receios.