Quando o futuro é decidido com 14/15 anos.
Quando o nosso percurso académico decorre dentro de aquelas que são as práticas padrão de um aluno em Portugal, sem retenções ou interrupções, chegamos ao final do 9º ano e somos obrigados a tomar uma decisão que irá definir o nosso caminho a nível académico e, mais tarde, profissional: a escolha da área de estudos que iremos seguir no ensino secundário.
Com apenas 14 ou 15 anos, espera-se que tomemos uma decisão para a qual não temos conhecimento, maturidade, experiência ou à vontade suficientes para a fazer. Decisão esta que acaba por determinar a escolha dos exames finais, da universidade, das disciplinas que vamos estudar e daquelas de que vamos ter de abdicar.
Claro que, tal como em muitas outras decisões que teremos de tomar na vida, esta escolha não tem de ser encarada de forma totalmente linear ou decisiva. Existe sempre a possibilidade de mudar de área ou de escolher uma via de estudo diferente. Contudo, é difícil negar que a tomada desta decisão ter de ser feita numa fase tão precoce da nossa vida não é no mínimo questionável.
Estou ciente de que, por motivos logísticos, económicos e práticos, tanto para a organização e planeamento do próprio sistema de ensino, como para a nossa carreira e foco académico, seja difícil arranjar uma forma de adiar a tomada desta decisão ou transformá-la em algo mais abrangente e menos rígido. Na prática, somos levados a fazer uma escolha que nos pressiona a abdicar de algo, neste caso, disciplinas que nos possam interessar mais.

Fonte: Serviço Público
É difícil que, com esta idade, sejamos capazes de ter a autonomia, o autoconhecimento e a capacidade cognitiva necessária para tomar uma decisão dessa importância.
O que acaba por acontecer é que, muitas vezes influenciados, tomamos esta decisão de forma impulsiva, sem grande conhecimento daquilo que implica escolher uma área ou outra. Só mais tarde é que percebemos que, se calhar, não escolhemos a opção que mais se enquadra na visão real do que desejamos para a nossa vida.
Em alguns casos, esta decisão é feita de forma impulsiva e pressionada, ou mesmo tomada diretamente pelos pais ou tutores, que consideram saber qual o caminho mais proveitoso para o nosso futuro. E nós, que ainda não adquirimos um grande leque de informação sobre o assunto, seguimos muitas vezes a lógica do “o que é que vai dar menos trabalho?”, ou a típica “como posso fugir a X disciplina?”, e ignoramos o facto de que esta decisão tem de ser feita de forma consciente, mesmo que no futuro possa ser alterada.
O ensino secundário está organizado em quatro áreas principais, separadas por disciplinas distintas que são definidas consoante a área escolhida pelo aluno. Em parte, este modelo é adequado na medida em que separa os diferentes planos de estudo e direciona o estudante para o foque nas disciplinas escolhidas (motivando o seu interesse pelos estudos, pressupondo que se encontra na área que o cativa mais) e evitando uma carga horária excessiva. No entanto, este modelo força-nos a abdicar de disciplinas que poderiam igualmente despertar o nosso interesse, apenas por não fazerem parte do plano curricular da área escolhida.

Fonte: Passei a Direito
Outro ponto que deveria ser considerado é o facto de esta decisão ter de ser tomada numa altura tão precoce das nossas vidas onde a desinformação, a pressão parental e o prestígio social são fatores que influenciam significativamente esta escolha.
Não seria mais benéfico dar uma maior liberdade aos alunos na escolha das disciplinas, em vez de os obrigar a áreas específicas ou disciplinas fixas, onde têm de abdicar de uma coisa para poder ter outra? Quando nos é dada a liberdade para escolher entre o facultativo, a nossa motivação e o nosso envolvimento aumentam.
Imagem de destaque: Portugal Residency Advisors
Artigo revisto por: Érica Gregório
AUTORIA
A Inês está a poucos dias de fazer os 18, está no seu primeiro ano na ESCS no curso de Relações Públicas e Comunicação Empresarial. A adolescente é conhecida por ter sempre a cabeça no ar (é mesmo muito distraída), e a probabilidade de bater contra um poste por estar no mundo da lua é bastante elevada. A Inês tem um irmão gémeo, adora música e está sempre de fones. Ela gosta de estar sempre muito arranjada e, às vezes, pode parecer arrogante por causa disso, contudo, vai ser sempre a rapariga pronta a ajudar o próximo, aquela que nunca se cala e adora dar conselhos. Adora festas, saídas e girl talks. Está ainda muito nervosa para este novo ciclo da sua vida, mas disponível e aberta para estas novas aventuras.

