A utilização da nanotecnologia na medicina e os seus desenvolvimentos
A Nanotecnologia, como hoje é conhecida, refere-se a uma área científica que surgiu a partir da criação de uma tecnologia em que a matéria é manipulada à escala atómica e molecular, de modo a dar origem a novos materiais e processos. Tem como objetivo controlar tanto a estrutura, como o comportamento dos átomos e moléculas da matéria.
Existem duas maneiras principais de manipular e controlar a matéria de forma nanométrica: do topo para a base e da base para o topo. O processo do topo para a base caracteriza-se pelo método de ultra miniaturização das matérias de grandes dimensões para dar resultado a dispositivos cada vez mais pequenos. Já o processo da base para o topo caracteriza-se pelo fabrico molecular através da manipulação de átomos individuais.
Uma grande aliada desta tecnologia é a medicina, já que as nanotecnologias, quando aplicadas nesta área, contribuem para melhorias de vida. Isto porque ambas são movidas por constantes evoluções e proporcionam inovações tecnológicas capazes de gerar bons resultados para a saúde ao mesmo tempo que revolucionam aplicações já disponíveis no mercado.
Para entender a função da nanotecnologia no aperfeiçoamento da medicina, é preciso entender que a nanotecnologia não trabalha sozinha. Isto é, recebe o auxílio de outros componentes tecnológicos, como nanomateriais, nanosensores, nanoestruturas, nanotubos e nanopartículas – todos estes adaptados ao ambiente onde serão aplicados. É a partir daqui que surge a nanomedicina: uma ferramenta que ajuda a “levar para a frente” os avanços dos nanomateriais na medicina tradicional.
Muitos dos investigadores da área afirmam que a nanomedicina pode ser um aprimoramento da medicina molecular ao integrar inovações que tornam a medicina uma ciência ainda mais personalizada e que se baseia no estudo individual de cada caso, de modo a minimizar os riscos no organismo do paciente.
Esta ciência está integrada num campo bastante visado, onde se investe milhões de euros na expectativa de que o potencial da área da saúde cresça. Estudos feitos no ano de 2022 examinam o potencial do mercado atual e o previsto para o setor e tiram conclusões no que toca às principais áreas em que os produtos da nanomedicina têm mais impacto. Estas são: doenças do sistema nervoso, cancro, doenças cardiovasculares e o controlo de infeções.
No entanto, o seu potencial vai muito para além do combate a estas doenças. A nanotecnologia tem trazido um leque enorme de possibilidades para os tópicos relacionados à saúde como um todo. Por exemplo, a utilização de nanomateriais na medicina está a evoluir a cada nova descoberta. Estes são aliados no desenvolvimento de sistemas eficientes de diagnóstico e tratamento – e é por este motivo que a nanotecnologia pode ser aplicada em inúmeros campos da medicina.
Aspetos como: a criação de melhores técnicas de diagnóstico, o desenvolvimento de medicamentos, o desenvolvimento de microssondas na corrente sanguínea, o uso do drug delivery, a descontaminação de ambientes, a reconstrução de tecidos sintéticos, a desobstrução de veias e artérias, a criação de nanorrobôs para combater o cancro, a criação de melhores equipamentos médicos e, mais recentemente, o combate à COVID-19.
Este tipo de tecnologia traz benefícios para os pacientes e facilidades para os profissionais de saúde, estes sendo: a redução do tempo de tratamento de uma doença através dos nanodispositivos capazes de realizar procedimentos mais rápidos e mais direcionados; o desenvolvimento de equipamentos médicos e medicamentos mais avançados, de forma a reduzir as incisões, a invasão, a dor e os efeitos colaterais no paciente e, por fim, a utilização de nanosensores para produzir diagnósticos e prescrições de uma forma mais rápida e segura.
Estes benefícios estão sob as funções das nanopartículas, que se encarregam de entrar no organismo dos indivíduos e são aquelas que se criam, manipulam e são utilizadas como auxílio para diagnósticos ou tratamentos na nanomedicina. Um fator bastante importante são as doses administradas no corpo dos indivíduos destas nanopartículas. Compreender os mecanismos de entrada e saída de células, assim como entender de que forma se assegura a estabilidade das nanopartículas, nomeadamente, na superfície do organismo dos indivíduos, é fundamental para garantir a segurança e o máximo proveito das suas funções.
Mesmo promovendo grandes inovações e oferecendo enormes benefícios à comunidade média, as nanotecnologias enfrentam e causam inúmeros desafios, principalmente no que toca aos seus impactos no meio ambiente: os riscos da nanopoluição e a nanotoxicidade.
A nanopoluição surge da produção de nanomateriais, já a nanotoxicidade representa o risco dos diversos efeitos prejudiciais à saúde causados pelo uso desses nanomateriais.
Para resolver problemas como estes, diversas metodologias analíticas e biológicas estão a ser adaptadas para serem utilizadas nas futuras investigações toxicológicas que tratam da presença de nanomateriais nos sistemas biológicos. Estas metodologias devem ser tidas em conta nos estudos da toxicidade dos nanomateriais, particularmente, na regulamentação dos materiais administrados que servem de auxílio ao diagnóstico ou tratamento na medicina.
Como já ficou estabelecido, a nanotecnologia tem vindo a oferecer enormes contribuições às diversas práticas médicas, porém, deve-se colocar em causa as expectativas e evoluções que esta possa vir a ter no futuro. Será que vai ser ainda mais desenvolvida e utilizada?
Algumas recentes e principais evoluções já adotadas são: o aumento do uso de nanotubos; o auxílio de nanorrobôs nas cirurgias em locais inacessíveis ao olho humano de forma a alcançar áreas do corpo que antes eram inatingíveis e entrar no corpo humano de forma a combater infeções, intervir nos neurónios e na região cerebral, com o objetivo de alterar o código genético e impedir doenças genéticas.
Já as expectativas para o futuro passam pela utilização de micro mergulhos que surgem com a capacidade de ajustar ângulos de entrada, espessura da parede e dimensão do canal. É também expectável o aumento do uso de nanomateriais para a criação de dispositivos médicos mais leves e confortáveis e a continuação da utilização de nanoporos como um método super rápido de ordenação dos elementos baseado na montagem de poros.
Concluindo, as nanotecnologias surgem como um grande motor para o desenvolvimento moderno e tecnológico da medicina e devem ser desenvolvidas de forma responsável e segura. Os princípios éticos devem ser respeitados e os riscos tidos em conta de forma a serem regulamentados e estudados cientificamente.
Fonte da capa: Pinterest
Artigo revisto por: Diogo Bértola
AUTORIA
A Matilde, de 19 anos, sempre teve uma curiosidade imensa e uma vontade de saber um pouco acerca de tudo. Desde a teoria da relatividade de Einstein aos livros da Sally Rooney. Encontrou na Escs Magazine uma oportunidade para explorar, através da escrita, um novo interesse na astronomia e outras ciências, em conjunto com um dos seus tópicos de conversa favoritos: a literatura.
Passa uma grande parte do seu tempo no Booktube, onde descobre as novidades e alguns dos grandes clássicos que, infelizmente, ainda tem por ler.




