Desafios ambientais: um compromisso global e individual
Atualmente, o planeta Terra encontra-se numa grave crise ambiental. As alterações climáticas constituem uma alarmante ameaça, cujas consequências afetam diversos aspetos da nossa vida e do meio ambiente.
Entre os problemas mais graves destacam-se, no plano da natureza, o aumento das temperaturas médias, secas, incêndios florestais, alterações na disponibilidade de água doce, inundações, degradação dos solos e perda da biodiversidade; no plano social e económico, impactos na saúde, nas populações mais vulneráveis, no emprego, na educação e em setores da atividade económica, como a agricultura, energia e a habitação. Além disso, de acordo com a Comissão Europeia, diferentes regiões e países enfrentam riscos variados que reforçam as desigualdades e ameaçam a coesão territorial. Estas informações têm como base dados da Comissão Europeia sobre as consequências das alterações climáticas.
É perante este conjunto de perigos que surge a necessidade de cooperação internacional. Em 1992 é assinada a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas, um tratado que estabelece a ideia de “responsabilidades comuns, mas diferentes”, assente no pressuposto de que os países desenvolvidos devem empenhar-se para combater as emissões de gases com efeito estufa (GEE), uma vez que são os países que os produzem em maior quantidade.
Os principais GEE são o Dióxido de carbono (CO2), emitido na respiração e na decomposição de matéria orgânica (plantas e animais) e, em larga escala, pelas atividades humanas, nomeadamente através da queima de combustíveis fósseis e da desflorestação, e o Metano (CH4), libertado nos pântanos, nas atividades térmicas e nos oceanos. Estes gases absorvem uma parte dos raios solares e redistribuem-nos em forma de radiação na atmosfera, sendo responsáveis por manter a Terra aquecida, algo essencial para a manutenção da vida terrestre. Caso não existisse o efeito de estufa, o calor escaparia da superfície terrestre, provocando um intenso arrefecimento. Contudo, a excessiva emissão de gases tem vindo a intensificar o efeito estufa, tornando-o uma das maiores causas do aquecimento global.
É neste contexto que se iniciam as Conferências das Partes (COP), um encontro internacional realizado anualmente pelos países signatários da convenção, com o objetivo de definir e rever as metas estabelecidas para a redução de GEE, bem como debater o principal objetivo do Acordo de Paris, ou seja, estabelecer o aquecimento global em um nível máximo de 1,5 ºC (United Nations, 2024).
A cada ano, os países avaliam os progressos alcançados e reavaliam decisões anteriores, e definem novos compromissos, como ações de mitigação face às alterações climáticas.
Em 2025, a COP30 decorreu em Belém, na Amazónia, uma das regiões mais ricas em biodiversidade e, simultaneamente, mais vulneráveis às mudanças climáticas. As COP são frequentemente organizadas em locais com um significado simbólico, e a escolha desta edição não foi exceção. Na Amazónia, a COP30 coloca a floresta no centro do debate e reforça a urgência de proteger os ecossistemas tropicais, essenciais para a regulação do clima global.
Entre os temas centrais da COP30 destacam-se a redução das emissões de gases, a adaptação aos impactos já inevitáveis, o financiamento destinado aos países mais vulneráveis, a proteção dos ecossistemas naturais e a transição para modelos económicos mais sustentáveis. Paralelamente, espera-se que a Conferência reforce o princípio da justiça climática, garantindo que países com menos recursos recebam apoio técnico e financeiro para enfrentar fenómenos climáticos cada vez mais extremos. Um aspeto importante que se destacou nesta COP30, diferenciando-a das edições anteriores, foi a representação e participação direta dos moradores locais do Brasil, incluindo povos tradicionais, organizações comunitárias e movimentos territoriais nas decisões e negociações de evento.
Neste contexto, Portugal marcou presença com a instalação de um pavilhão “Ambição e Ação”, criado para apresentar iniciativas nacionais ligadas à ação climática. O espaço acolheu sessões sobre temas diversos, desde a biodiversidade até aos oceanos, da transição justa ao financiamento, bem como apresentações de projetos e debates.
De acordo com a presidente da Agência para o Clima, Ana Peres, estes encontros “reúnem a sociedade civil, desde a academia, a empresas e organizações não governamentais, tornando-se um espaço para trocar experiências e formar parcerias”.
No entanto, as COP enfrentam algumas limitações. Muitos compromissos assumidos pelos países envolvidos são insuficientes, ou não são implementados com a rapidez necessária. O financiamento climático prometido continua aquém do que os especialistas consideram essencial, e os interesses económicos e políticos dificultam os progressos. Ainda assim, a COP continua a ser fundamental para alinhar esforços globais e pressionar decisões que tenham impacto real na vida das populações e dos ecossistemas.
É também importante lembrar que o combate aos problemas ambientais e a ação climática não dependem apenas destas conferências e de acordos internacionais.
A mudança começa no quotidiano de cada pessoa. Em casa, na escola, no trabalho ou até nos tempos de lazer, pequenas escolhas podem ter um impacto significativo, como reduzir, reciclar, poupar água e energia, optar por transportes públicos, privilegiar produtos locais e sustentáveis, ou repensar hábitos de consumo.
Criar uma cultura ambiental responsável é essencial, e essa cultura constrói-se através de práticas simples e conscientes.
Neste sentido, discutir as alterações climáticas no contexto académico torna-se fundamental, pois desperta uma consciência crítica e incentiva a participação ativa na defesa do planeta e só assim será possível proteger o planeta e garantir um futuro mais justo e sustentável para todos.
Fonte da capa: Earth.com
Artigo revisto por Miguel Calixto
AUTORIA
A Marta é estudante do 1.º ano da licenciatura em Publicidade e Marketing e tem 17 anos. Sempre gostou de comunicar com as pessoas das mais variadas formas. É curiosa e de mente aberta a novas experiências e, acima de tudo, gosta de fazer a diferença! Apaixonada por desporto, musicais e história, valoriza tudo o que lhe permita ganhar novas perspetivas sobre a vida. A Magazine da ESCS surgiu como a oportunidade perfeita para explorar novas ideias, enfrentar desafios e deixar a sua marca.




