Será que as adaptações literárias conseguem ser tão boas como os livros?
A indústria de Hollywood tem o hábito de produzir filmes e séries baseados em obras literárias, muitas vezes sem que a própria audiência tenha noção disso. Filmes como Isto Acaba Aqui (2024), Orgulho e Preconceito (2005) e A Criada (2025) são exemplo de projetos populares que foram inspirados por livros anteriormente lançados. No entanto, é comum que estas adaptações não sejam tão fieis à história do livro como poderiam ser, o que leva a debates sobre o quão precisos os filmes e séries têm de ser.
Uma adaptação cinematográfica de uma obra literária tem como propósito ser uma representação visual da história do livro e, para ser bem sucedida, tem de ser fiel às suas origens. Porém, quando os diretores dos filmes fazem escolhas criativas que contradizem o plot do livro original, como mudar personagens ou o final, acaba por remover os pontos principais da história. O filme ou série deixa de ser uma adaptação literária.
Pode debater-se que os plots diferentesadicionados aos filmes podem ser bons para a adaptação da história original, mas tem de se concordar que a mensagem principal é essencialmente apagada, o que pode também apagar a visão que o autor tem sobre um determinado tema.
Todavia, temos de ter em conta que estas mudanças nem sempre partem da decisão do diretor. Livros podem ser curtos ou longos, podem escolher a quantidade de páginas necessárias para contar a história por completo – o mesmo não sucede com filmes ou séries. Para cumprir o tempo razoável, os diretores são muitas vezes obrigados a alterar a história original, seja no plot ou na omissão de personagens.

Outro ponto essencial para tornar as adaptações literárias sucessos de bilheteira é o trabalho direto com o autor. Pode sempre ocorrer o risco de os diretores não perceberem o que o autor quer transmitir numa determinada página ou subplot. Trabalhar diretamente com os escritores permite confirmar cada decisão, para assim ter a melhor representação visual possível.

Mesmo que os filmes tenham a habilidade de mostrar os visuais da história, facilitando a demonstração de cenas como batalhas ou outras cenas de ação, é muito mais difícil demonstrar o que cada personagem pensa e o porquê de tomarem cada decisão. A diferença mais notável das personagens dos livros face às suas adaptações é que nos livros conhecemos as personagens através das descrições que o autor faz dos seus pensamentos e das suas personalidades. Já nas séries ou nos filmes, conhecemo-los por ações e diálogos, o que torna o seu desenvolvimento diferente.
Este desafio muitas vezes põe em causa a adaptação visual: será que consegue transmitir a mensagem principal à audiência? Ainda que a parte visual seja espetacular, a mensagem é igualmente importante.
Apesar de estas falhas serem comuns, temos de reconhecer que estas obras continuam a ser muito mais acessíveis e convenientes ao público geral do que os livros, uma vez que nem toda a gente tem o tempo necessário para ler as inspirações destas obras cinematográficas. Assim sendo, é importante realçar que filmes ou séries podem ser uma maneira ótima de dar mais popularidade a certos livros, mas é importante que estes se baseiem maioritariamente na história original.
Concluindo, este debate não parte de um lugar de superioridade, mas sim de opinião pessoal. Cada pessoa irá olhar para os livros e para as suas consequentes adaptações de forma única. Há argumentos para cada um dos lados, logo, é impossível afirmar que um é melhor que o outro. Os livros, os filmes e as séries são formas totalmente diferentes de entretenimento: cada um dispõe de diferentes qualidades e expectativas.
Imagem de Capa: IndieWire
Corrigido por Eva Guedes e Mariana Ranha
AUTORIA
Desde sempre que a Maria sente gosto em escrever, mesmo quando era bastante pequena tinha um caderninho onde punha-se a escrever as matrículas que via nos carros ou a escrever nomes que via fora de casa aleatoriamente. Viu na ESCS Magazine uma oportunidade de ouro de reviver este gosto e da mesma forma de falar sobre outro assunto que lhe interessa (literatura). Sempre gostou de ler e até chegou a “gabar-se” aos seus amigos o quão rápido lia os livros do Geronimo Stilton. Já gastou mais dinheiro em livros do que gostava de admitir, no entanto é bastante provável “investir” mais dinheiro no seu hobbie.

