Cinema e Televisão

Cinema e televisão na era da IA

No dia 13 de novembro, a Web Summit trouxe ao MEO Arena um debate essencial para o futuro do cinema e da televisão: o papel da inteligência artificial na criação audiovisual. Na sessão “The New Frontier: AI Meets Hollywood”, o ator Scott Eastwood e o produtor Jonathan Yunger, cofundador e CEO da Arcana Labs, defenderam que a inteligência artificial deixou de ser vista como uma ameaça para se tornar uma aliada criativa.

Num setor que atravessa um período particularmente frágil, marcado por cortes orçamentais, pelos efeitos prolongados da pandemia e por dificuldades em captar audiências, a inteligência artificial foi apresentada como uma resposta possível a um sistema que se tornou, para muitos criadores, praticamente inacessível. 

IA como aliada

Ao longo da sessão, tornou-se claro que a ideia continua a nascer do autor, do realizador, do argumentista, e que a tecnologia surge como um apoio em áreas como a pré-produção, a pós-produção e a criação visual, de modo a permitir que projetos independentes ganhem uma maior visibilidade.

Um dos exemplos apresentados foi o de uma docu-série histórica construída a partir de dezenas de entrevistas e de uma narrativa sólida, mas limitada por um orçamento incapaz de suportar recriações visuais à altura daquilo que pretendia contar. No entanto, através de ferramentas de inteligência artificial, foi possível enriquecer visualmente o projeto, sem comprometer a sua integridade narrativa ou a autenticidade dos factos, demonstrando como estas soluções podem ser aliadas aos criadores.

Alma Humana

A discussão estendeu-se ainda à atuação e ao futuro dos atores. O ator Scott Eastwood relembrou que a história do cinema é feita de transições tecnológicas, do analógico para o digital, e que, em cada uma delas, desapareceram profissões, mas nasceram outras. Apesar destes avanços, foi consensual que a emoção, a presença e a complexidade da interpretação humana permanecem insubstituíveis. A tecnologia pode simular rostos e vozes, mas não reproduz a experiência humana, que dá profundidade a uma performance. Tal como no passado, a indústria está a transformar-se, não a extinguir-se.

Mais do que uma ameaça, a inteligência artificial foi apresentada como um instrumento de democratização da criação cinematográfica e televisiva, permitindo que novos realizadores e argumentistas contem as suas histórias fora dos grandes centros de produção.

Fonte: Pinterest

“No cinema e na televisão do futuro, a única barreira real à criação deverá ser a falta de paixão, nunca a falta de meios”. Foi esta a principal mensagem deixada por uma sessão que procurou responder aos receios do setor, propondo uma visão mais confiante e aberta sobre o papel da inteligência artificial.

Fonte da capa: idD Portugal Defence

Artigo corrigido por: Madalena Monteiro

AUTORIA

+ artigos

Estudante do 2.º ano de Relações Públicas e Comunicação Empresarial, Marta divide o seu tempo entre livros, maratonas de séries e sessões de cinema. Apaixonada por romances de todas as épocas e fã assumida das temporadas antigas de Morangos com Açúcar, também não resiste a um bom filme de terror. Agora como editora de Cinema e Televisão, está pronta para ouvir e partilhar as melhores séries e filmes de sempre.