O que é “sucesso” e por que estamos todos a correr atrás dele?
A palavra “sucesso” entra nas nossas vidas cedo demais. Antes de sabermos quem somos, já nos dizem quem deveríamos ser. Antes de compreendermos o que nos faz ser felizes, já nos explicam o que “vale a pena” e o que não. O sucesso aparece como promessa, como objetivo e como recompensa. E nós crescemos a acreditar que, se não o alcançarmos, falhámos enquanto pessoas, mesmo sem sabermos exatamente no que consistia.
Durante décadas, o sucesso foi vendido como uma fórmula relativamente simples: estudar, trabalhar, ser produtivo, subir degraus na escada da vida… Havia um caminho mais ou menos definido e, embora nem todos lá chegassem, pelo menos sabiam para onde estavam a ir. Hoje, o cenário é diferente. Vivemos numa era de possibilidades infinitas, escolhas constantes e comparação permanente. Tudo parece estar ao nosso alcance, mas nunca parece suficiente.

O sucesso contemporâneo é rápido, visível e quantificável. Mede-se em números, seguidores, cargos, rendimentos e conquistas. E mede-se, sobretudo, em relação aos outros. Não basta estar bem, é preciso estar melhor. Não basta gostar do que se faz, é preciso que isso impressione. Assim, o sucesso deixa de ser uma experiência pessoal e passa a ser uma corrida silenciosa, onde quase ninguém admite estar cansado.
Grande parte desta pressão vem da ideia de progresso constante, da noção de que parar é sinónimo de estagnação e que a estabilidade é falta de ambição. Interiorizámos a urgência: de chegar cedo, de fazer muito, de aproveitar tudo… E, nesse processo, raramente paramos para perguntar se estamos a avançar na direção certa ou apenas a mover-nos por medo de ficar para trás. O sucesso deixa de fazer sentido no momento em que passamos a viver para o provar, em vez de o sentir.
As redes sociais intensificaram esta lógica. Não criaram a comparação, mas tornaram-na contínua. Vemos versões editadas da vida dos outros, sucessos sem contexto, conquistas sem fracassos visíveis. E, mesmo sabendo racionalmente que aquilo não é a história completa, deixamo-nos afetar. O sucesso dos outros transforma-se, muitas vezes, numa medida cruel do nosso próprio valor.
Mas talvez a questão mais importante continue sem resposta: sucesso para quem? Para a sociedade? Para a família? Para o mercado de trabalho? Ou para nós?
Quando olhamos com atenção, percebemos que muitos dos objetivos que perseguimos não nasceram de um desejo genuíno, mas de expectativas que fomos acumulando ao longo do tempo. E viver a tentar corresponder a essas expectativas pode afastar-nos perigosamente de nós próprios.

Repensar o sucesso não significa desistir de ambições ou de sonhos. Significa, antes, torná-los conscientes. O sucesso pode ser mudar de ideias. Pode ser escolher um caminho menos vistoso, mas mais coerente. Pode ser ganhar menos e viver melhor. Pode ser falhar num plano antigo para finalmente acertar num novo. Pode, até, ser simplesmente estar em paz com as escolhas feitas.
Talvez o sucesso não seja um destino, mas um critério. Algo que se redefine ao longo da vida. E talvez o verdadeiro problema não seja estarmos a correr atrás dele, mas estarmos a correr sem saber porquê.
Enquanto não abrandarmos e não nos questionarmos, o sucesso continuará sempre um pouco mais à frente, e nós, inevitavelmente, um pouco mais cansados.
Artigo corrigido por Miguel Calixto
Fonte: Unsplash
AUTORIA
Sonhador por natureza, curioso e sempre atento ao que o rodeia, o Samuel de 21 anos, finalista da licenciatura em Publicidade e Marketing, encontrou na editoria de Opinião o lugar ideal para dar asas às suas ideias, um espaço onde pode escrever sobre o que mais o intriga: o mundo em constante mudança. Para ele, opinar é mais do que escrever, é pensar alto. Gosta de refletir sobre a atualidade e de transformar pensamentos soltos em palavras que façam sentido de ser lidas. Vê na escrita uma forma de explorar o mundo e partilhar a sua visão com quem o lê.

