Magazine Talks, Mundo Académico

Andreia Custódio e Jerónimo Saleiro: uma Talk sobre Jornalismo

“Temos de continuar a trabalhar e provar às pessoas que o jornalismo, de facto, se põe acima do que as outras pessoas publicam na internet”.

A crise no jornalismo é um dos temas atuais que mais suscitam debate, e não ficou de fora das talks que assinalaram o 14.º aniversário da ESCS Magazine. Entre os desafios da profissão, o impacto das redes sociais e as memórias da formação na ESCS, Andreia Custódio, jornalista na RTP, e Jerónimo Saleiro, atualmente na Now, regressaram à casa que despertou o bichinho pelo jornalismo para partilhar experiências e perspetivas.

Para ambos, tudo começou na ESCS, mas de formas muito distintas. Andreia teve um percurso mais linear.

Andreia Custódio (RTP) | Fonte: Linkedin

Realizou os três anos da licenciatura em jornalismo enquanto estagiava no Observador. Além dessa ocupação, e como uma verdadeira escsiana, participava num número recorde de núcleos, mas foi no E2 onde encontrou e percebeu aquilo que gostava de fazer: a televisão. Esteve por detrás das câmeras, como repórter de imagem, mas o que sentiu que a completava era estar à frente. Assim, agarrou a oportunidade que lhe foi posteriormente dada e ficou na RTP como jornalista. 

Já Jerónimo foi para onde a vida o levou. Completou a licenciatura das cores azuis, em Audiovisual e Multimédia, enquanto estagiava numa produtora. Quase dez anos depois, aos 30, sentiu a necessidade de voltar à sua vocação e ingressou no mestrado em jornalismo, provando que, por muitas voltas que a vida dê, há sempre uma solução para realizarmos os nossos sonhos, objetivos e ambições. Hoje, graças a uma candidatura espontânea (que pode ou não ser questão de sorte), pratica a profissão na Now.

Ao longo da conversa, enquanto profissionais da área, destacaram as partes boas e menos boas do jornalismo atual. Na parte menos positiva, falaram de algumas dificuldades e desafios que afetam diariamente o trabalho nas redações. A crescente pressão para acompanhar o ritmo das redes sociais, a guerra de audiências, a desinformação, a competição com o streaming e a dificuldade em distinguir conteúdos credíveis foram alguns dos pontos destacados. 

Jerónimo Saleiro (Now) | Fonte: Linkedin

Jerónimo Saleiro sublinhou a necessidade de o jornalista se afirmar num mundo em que a profissão está a ser atacada e numa altura em quetoda a gente se acha no direito de fazer notícia, como acrescentou Andreia. Face a este problema, acredita num trabalho mais de consciencialização para que as pessoas consigam fazer essa própria pesquisa e garantir que aquilo que estão a ver é ou não credível.

Outro dos desafios mencionados foi a ideia de que o jornalista deve ter competências para fazer tudo. É esperado que consiga escrever para os meios diferentes, fotografar e editar, não conseguindo especializar-se em nada concreto e possivelmente não se dedicar a 100% a uma tarefa. Esta realidade, para Andreia, implica não só as profissões de outros colegas, como também a pluralidade e o pensamento crítico, por concentrar várias funções numa só pessoa.

O maior desafio neste momento é mesmo tentar balançar aquilo que tu queres fazer da profissão com aquilo que te estão a impor da profissão

– acrescenta a jornalista.

Num contexto em que o jornalismo já não se limita aos jornais, à rádio ou à televisão, mas se estende cada vez mais ao digital, as redações enfrentam o desafio de se reinventar perante o afastamento das audiências dos meios tradicionais. A resposta tem passado por uma aposta crescente na multimédia, nas plataformas digitais e nas redes sociais, numa tentativa de acompanhar os novos hábitos de consumo de informação. Ainda assim, o jornalismo de proximidade mantém-se como um dos formatos mais valorizados, refletindo o interesse do público por histórias próximas do seu quotidiano. Afinal, as pessoas querem saber o que se passa com o vizinho do lado.

Apesar desta vertente menos boa, ambos recordam com carinho histórias que os marcaram ao longo dos seus percursos. Jerónimo recordou um dos seus trabalhos no segmento Investigação CM, onde acompanhou uma mulher que perdeu o marido num acidente em Cabo Verde e enfrentou um processo bloqueado. Graças à reportagem, a situação teve desenvolvimentos e a própria mulher agradeceu-lhe emocionada, algo que, segundo o jornalista, fez valer a pena.

Andreia falou sobre a experiência de ir numa expedição científica com a Marinha, durante cinco dias, a um monte submarino – um dos exemplos da versatilidade quase camaleónica dos jornalistas, que se adaptam às situações e são levados a descobrir presencialmente novas realidades, oportunidades que noutros contextos não teriam. 

Jerónimo Saleiro, Carolina Caleira (3.º ano de JORN) e Andreia Custódio | Fonte: Carolina Caleira

No final de contas, mesmo com obstáculos pelo caminho, a paixão pelo jornalismo prevalece, a curiosidade torna-se uma profissão e são momentos como os que vivenciaram que fazem Andreia Custódio concluir não trocava a profissão porque é mesmo das melhores coisas do mundo.

Fonte da Capa: Linkedin

Artigo revisto por Eva Guedes

AUTORIA

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Atualmente no seu terceiro ano de licenciatura em Jornalismo, a Marta já descobriu o que é estar por detrás das câmaras, dos ecrãs e das páginas escritas. Mais do que tudo, adora ouvir música e estar a par do que se passa no universo pop, além de procurar sempre os melhores filmes e séries para uma tarde chuvosa perfeita. Assim que entrou na ESCS, encontrou na ESCS Magazine o seu lugar: começou como redatora de Cinema e Televisão, passou a Editora no ano seguinte e, agora, no seu último ano na melhor revista de Benfica, abraça com entusiasmo o cargo de Editora Executiva — um desafio que aceitou com todo o carinho!