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Portugal na vanguarda das energias verdes: do apagão à transição energéticajo

O ano de 2025 foi marcado pelo apagão de 28 de abril. Pelas 11h da manhã, o país viveu uma experiência inusitada e, durante algumas horas, esteve totalmente às escuras. Foi aí que se percebeu a importância que a energia tem nas nossas vidas. A rádio revelou-se fundamental para manter os portugueses informados naquele dia escuro e, passado um ano, a energia voltou a ser um tema mediático… Neste caso: o preço que pagamos por ela. 

O conflito no Médio Oriente entre o Irão e os Estados Unidos fez disparar o preço dos combustíveis para níveis históricos, tal como já tinha acontecido em 2022 após a invasão da Ucrânia pela Rússia. Isso deve-nos levar a uma reflexão: quão dependentes estamos das energias fósseis? Há vários anos que Portugal se vem afirmando na área das energias renováveis e isso é o que este artigo pretende tratar. 

Mas… O que são as energias renováveis? 

São as fontes energéticas que se conseguem obter a partir de recursos naturais e são consideradas sustentáveis e inesgotáveis ao contrário, por exemplo, de fontes de energia fóssil, como o caso do petróleo, que é uma fonte não renovável e que se pode esgotar. Para além disso, o petróleo ainda causa mais “danos” ao ambiente do que as energias renováveis. 

Fonte: AICEP

O caso português 

Portugal consolidou-se como um dos líderes europeus nas energias renováveis e, no ano de 2024, o nosso país foi o 2.º país da União Europeia que produziu mais eletricidade a partir de fontes de energias renováveis (87,4%), ficando apenas atrás da Dinamarca. Este ritmo não abrandou e, no primeiro trimestre de 2025, as energias renováveis foram responsáveis por abastecer 80,5% do consumo elétrico nacional: estes números colocaram o país no centro do debate sobre o futuro energético europeu, uma vez que a média da União Europeia foi de 47,4% de energia produzida a partir de fontes de energia renovável (mais baixa). 

Os países europeus, nos dias de hoje, pagam cada vez mais pela energia tradicional e, neste caso, as energias renováveis são uma oportunidade para uma transição energética. É verdade que tudo isto não se resume apenas ao fator ambiental, contribuindo com um impacto positivo para as alterações climáticas; a geopolítica também tem um papel importante nesta mudança –  é crucial para os países da União Europeia reduzirem a sua dependência face a países ou regiões que se encontram neste momento no centro de conflitos armados como é o caso do Irão e da Rússia.

Do ponto de vista económico, estima-se a criação de 38 milhões de “empregos verdes”, que mostram que esta mudança é também uma oportunidade económica. A aposta nas energias renováveis permite ganhar independência energética e garantir uma maior estabilidade económica, sendo que o motor desta transformação está no mix energético. A [energia] eólica e  solar continuam a ser os grandes pilares responsáveis por cerca de  37,5% e 27,5% da produção, respetivamente. A energia hídrica é responsável pelos restantes 25,9%. 

Mas é a energia solar que mais cresce e em 2025, em comparação com o ano de 2024, teve um aumento de 24,6% da produção. Do ponto de vista económico o seu custo tem vindo a descer e tem-se tornado cada vez mais barata. A biomassa, por sua vez, mantém um importante papel estratégico: contribuiu para 42,5% da produção renovável total em 2023, enquanto ajuda na limpeza das florestas e na prevenção de incêndios. 

A ambição portuguesa está formalizada no Plano Nacional Energia e Clima 2030, que estabelece a meta de alcançar 93% de eletricidade renovável até ao final da década. O plano reforça ainda a aposta no Hidrogénio Verde, visto como uma peça-chave para descarbonizar a indústria e os transportes pesados. Ainda assim, há desafios: o setor dos transportes continua a ser o mais atrasado, com apenas 11,2% de renováveis, em 2023. A burocracia nos processos de licenciamento trava novos projetos e a rede elétrica precisa de ser modernizada para lidar com a intermitência do sol e do vento. 

Fonte: Universidade do Porto

O debate sobre a energia nuclear 

A energia nuclear tem estado, nas últimas semanas, no centro do debate público, tanto em Portugal como em muitos países da União Europeia. 

No caso português, Maria da Graça Carvalho, Ministra do Ambiente e Energia, mantém a prioridade nas energias renováveis e descarta a energia nuclear, considerando que o custo inicial que a nuclear obrigaria o país a ter não compensa, devido ao potencial que o país tem, sobretudo na energia hídrica e na energia solar. 

O horizonte, porém, é de expansão. Portugal tem condições naturais únicas para explorar também outras fontes energéticas como a eólica e energia das ondas, além de poder vir a conseguir consolidar o hidrogénio. Se as metas forem cumpridas, o país poderá não só atingir os 93% renováveis, mas também afirmar-se como o laboratório europeu da transição energética. 

Fonte da capa: Observador

Artigo revisto por Mariana Ranha

AUTORIA

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O João está no primeiro ano do mestrado em Jornalismo, mas a sua relação com a atualidade já vem de trás e muito antes das aulas, já os jornais faziam parte da rotina. Licenciado em História, encontrou no jornalismo uma forma de continuar a fazer perguntas, agora com um olhar mais virado para a política, economia e, claro, o desporto. Entre temas sérios e resultados de fim-de-semana, tem vindo a dedicar-se a um projeto sobre desporto feminino, juntando o gosto pela escrita à vontade de dar mais destaque a histórias que nem sempre chegam às capas. Escrever é, para ele, uma forma de pensar melhor e, às vezes, de dizer o que fica por dizer.