Cinema e Televisão

Terror no set

Quando a tragédia ultrapassa a barreira da ficção

Ao longo das décadas, diversos filmes tornaram-se memoráveis pela marca que deixaram na cultura cinemática. Alguns pela sua narrativa, música ou ambiente, outros pelo seu elenco cativante. No entanto, existe uma minoria de filmes que se tornaram populares e verdadeiros clássicos do cinema não só pela arte, mas também pelos acontecimentos trágicos que se deram por trás das câmaras. Até hoje, muitos destes longas são lembrados pela fama de serem “amaldiçoados”, desafiando a racionalidade e até mesmo o público mais cético.

Fonte: Google

Incubus (1966)

Dirigido por Leslie Stevens e protagonizado por William Shatner, Incubus trata-se de um longa-metragem de terror. Apesar da trama misteriosa e perturbadora em que o filme se centra, foi alvo de atenção do público pelas adversidades bizarras com que o seu elenco se deparou. 

Em 1966, ano de estreia de Incubus, a atriz Ann Atmar, que dava vida à personagem Arndis, cometeu suicídio. Ainda no mesmo ano, Milos Milos, ator que interpretava a entidade Incubus, assassinou Barbara Ann Thomason, esposa de Mickey Rooney, e mulher com quem Milos tinha um caso. Após o assassinato de Barbara, o ator cometeu suicídio. A 30 de dezembro de 1968, a filha da atriz Eloise Hardt, Marina Elizabeth Habe, de 17 anos, foi raptada e posteriormente assassinada – e o seu homicídio nunca foi solucionado. O diretor Roman Polanski e a atriz Sharon Tate estiveram presentes no lançamento do filme e mais tarde casaram-se. No entanto, em agosto de 1969, a atriz foi brutalmente assassinada pelo culto de Charles Mason, também conhecido como “Família Mason”, gangue que ficou mundialmente conhecida pelos assassinatos cometidos em 1969. Na altura, a atriz encontrava-se grávida de oito meses e o homicídio ocorreu enquanto o diretor estava numa viagem de trabalho em Londres. Alguns anos depois, em agosto de 1999, Nerine Kidd, a até então mulher de William Shatner, ator que representava o personagem Marc, faleceu acidentalmente por afogamento na piscina da própria casa.

Outros fatores que contribuem para se acreditar que o filme pode estar amaldiçoado são, por exemplo, os cenários que se incendiaram de forma misteriosa após as gravações, a falência da empresa que produziu o filme poucos meses após a estreia, bem como o suposto desaparecimento dos negativos originais e das suas cópias, o que fez com que a circulação do filme fosse parada por décadas.

Fonte: Google

O Presságio (1976)

Lançado em 1976, o nome do filme faz jus à realidade que o seu elenco viveu, de forma quase comicamente literal. Na história do longa, uma série de mortes inexplicáveis surgem a partir do momento em que um diplomata americano adota um recém-nascido de origem desconhecida, visando ocultar à sua mulher o facto de o seu filho ter falecido à nascença. A história baseia-se em diversas tragédias, e a realidade não fugiu muito disso, afetando os bastidores da produção e vários membros da equipa.

Em primeiro lugar, três membros sofreram incidentes envolvendo raios. O produtor-executivo, Mace Neufeld, teve o seu avião atingido por um, logo após a descolagem. Em setembro de 1975, Gregory Peck também foi vítima de um raio que atingiu o seu avião enquanto voava em direção a Londres. Durante as filmagens, o produtor Harvey Bernhard conseguiu escapar a ser atingido por outro raio. Embora nenhum dos três membros tenha sofrido ferimentos, é inegável a existência de uma grande coincidência. No entanto, o grupo não sofreu apenas com o clima. Neste filme foram necessários treinadores para disciplinar animais que apareceriam em determinadas cenas. Um dos treinadores de babuínos, bem como a sua mãe, faleceram após a gravação de uma cena com macacos. Ainda que estas mortes não estejam conectadas, esses mesmos babuínos atacaram os atores Lee Remick e Harvey Stephens durante uma cena. Sucederam também ataques por parte de cães e felinos à equipa, mesmo tendo sido previamente treinados. Contudo, a catástrofe que mais chocou o público foi a morte de Liz Moore após um grave acidente de viação na Holanda. Liz era a assistente do especialista em efeitos visuais John Richardson, pelo que o acidente aconteceu enquanto eles viajavam juntos. Uma curiosidade mórbida acerca da morte de Liz Moore é que faleceu no local, em circunstâncias muito similares às de uma morte que ocorreu no filme por decapitação.  

Fonte: IMDB

Poltergeist (1982)

Sendo talvez o mais conhecido da lista, Poltergeist ocupa espaço na memória de muitos como portador de uma maldição. Famoso não só pelo terror que faz sentir através da tela, mas também pelo que causou nos bastidores. Alguns dos fatores que reforçam o medo vão desde homicídios a mortes inexplicáveis.

A 4 de novembro de 1982, ano da primeira exibição do filme, a atriz Dominique Dunne foi assassinada pelo seu namorado, aos 22 anos de idade. Quase três anos depois, a 14 de setembro de 1985, Julian Beck, antagonista do segundo filme da trilogia, veio a óbito oito meses antes do lançamento da sequência por conta de um cancro no estômago. A 13 de junho de 1987, o ator Will Sampson faleceu após uma tentativa de transplante que resultou numa falha renal, causando a sua morte. Existem relatos de o ator ter feito rituais de “limpeza” no set, já que, alegadamente, existia um clima tenso por conta do uso de esqueletos reais no filme. Em fevereiro de 1988, a icónica e eterna Carol Ann, interpretada por Heather O’Rourke, faleceu subitamente aos 12 anos de idade, especulando-se que por conta de complicações relacionadas à Doença de Crohn. Por fim, a 1 de abril de 2009, o ator Lou Perryman foi vítima de um homicídio brutal por parte de um prisioneiro que não tinha qualquer ligação ao ator. A causa do crime continua até hoje sem explicação.

Coincidência ou não, estes filmes continuam a marcar gerações e assinalam, acima de tudo, a fragilidade humana. Existiram mesmo maldições? Provavelmente permanecerá um mistério. Mas, afinal, o que é o mundo senão uma gigante incógnita?

Fonte da capa: IMDB

Artigo corrigido por: Eva Guedes

AUTORIA

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Aluna do 1º ano de Jornalismo, Sofia, tipicamente descrita como uma pessoa mais calada e reservada, encontra nas palavras uma forma de se expressar. Onde pequenos maus timings não importam e “ballad of a homeschooled girl” da Olivia Rodrigo não se torna literal, é onde se sente mais livre, o que transformou a escrita numa espécie de poder oculto. A sua obsessão por filmes e desejo de analisá-los profundamente foi o que alavancou a sua vontade de fazer parte da ESCS Magazine, por isso, nem sempre os 5000 caracteres são suficientes.