Opinião

A ascensão da negatividade

Do desporto à política; dos debates às atividades culturais; das interações diárias com desconhecidos às análises de ações das pessoas… Parece que o que está na moda é ser indelicado e usar tudo a seu favor sem olhar a quem. Aliás, já nem parece uma moda; parece mais a normalidade.

Eu não quero ser um típico “velho rabugento” – também, porque tenho dezanove anos -, mas eu não me lembro de isto estar assim antes de 2020. O ano com dois números repetidos tinha tudo para ser peculiar, e francamente conseguiu cumprir essas expectativas. O problema é que o destaque do ano não foi bem o que se queria: uma pandemia.

Honestamente, a pandemia não foi assim tão má na minha experiência de um aluno mediano do oitavo ano: ficava o dia todo a jogar com os meus amigos; vi inúmeras séries; ouvi muita música nova que desconhecia na altura; comi como um rei. Mas um grande número de pessoas, definitivamente, tinha muito mais a fazer para além de se sentar um pouco no sofá e fazer algo divertido e relaxante. Em vez disso, houve quem começasse a observar o que os outros faziam e, a partir dos pontos de vista pessoais de cada um, começaram a dar opiniões no Twitter – atual X.

Foi aqui que a cultura do cancelamento surgiu no mapa. Qualquer coisa que alguém dissesse ou fizesse agora necessitava da aprovação da comunidade online para prosseguir a sua vida sem sofrer um julgamento social. Caso contrário, seria enxovalhada e ofendida. Situações mesmo muito graves que envolvam crimes e que mereçam exposição mediática talvez se justifiquem, mas a grande parte aponta o dedo apenas por apontar; apesar de ser na internet, esta prática ia (e vai) além do digital, afetando diretamente a vida das pessoas; tudo porque a pessoa A não gostou da opinião da pessoa B.

Fonte: Flaticon

Entretanto, essa cultura do cancelamento, apesar de ainda ser muito forte, foi perdendo cada vez mais credibilidade porque se descobriu como se podia evitar ser afetado pela opinião popular: ignorar e prosseguir para fazer algo ainda pior. Se um indivíduo fosse cancelado por fazer um comentário preconceituoso, conseguia um bom alcance e tinha a internet toda a falar dele por ter dito algo retrógrado. Depois de dois dias, ninguém falaria mais dele porque, entretanto, iam se esquecer e avançar com as suas vidas. Depois, esse mesmo indivíduo escrevia mais dois comentários e dizia mais dois comentários parecidos com o outro e conseguia ainda mais alcance. É uma estratégia simples e muito eficaz, que faz com que milhares de pessoas falem sobre isto por horas e horas até ao momento em que aparecem mais opiniões da mesma índole. Nem tudo precisa de ser verdadeiro, basta apenas soar revoltante. Essa é a postura que muitas pessoas agora adotam porque é isso que capta a atenção de um usuário vulgar na internet: o ultraje.

Aqueles que fazem este tipo de comentários não costumam ser pessoas comuns. Muitos são políticos ou personalidades influentes que querem crescer ainda mais através da negatividade. E, como referi no parágrafo anterior, eles conseguem sempre.

Dizem que a maldade das palavras de outrem será sempre ignorada, que é por si só uma perífrase para “o amor vence o ódio”. Mas será mesmo assim? Eu não quero soar pessimista, mas é possível que a negatividade seja esquecida quando o ser humano tem a tendência natural de lhe dar tempo de antena?

Fonte: Lifewire

Fonte: Rafael Romano

Artigo revisto por: Madalena Monteiro

AUTORIA

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O Nuno vem da Margem Sul e já ouviu mais piadas a respeito disso do que as vezes que refletiu sobre o que queria fazer no seu futuro, porque já desde cedo que este jovem camarro sabia que o rumo certo para a sua vida seria ser jornalista. Veio parar à ESCS depois de um problema com as candidaturas e afirma que esse foi o melhor erro que lhe aconteceu na vida. Atualmente, encontra-se no 2º ano da licenciatura de Jornalismo e não tenciona desistir do seu sonho de criança.