A Herança: a novela da SIC que, afinal, toda a gente anda a ver…
Há novelas que passam sem grande impacto e outras que, de repente, começam a aparecer no nosso feed como se sempre lá tivessem estado. A Herança, da SIC, tornou-se um desses casos curiosos: não começou como “a novela do momento”, mas acabou exatamente aí, especialmente graças ao fenómeno inesperado das personagens Teresinha (Laura Dutra) e Bernardo (Rui Pedro Silva).
Mesmo quem nunca viu um episódio completo já se cruzou com eles no TikTok. Entre edits românticos, cenas engraçadas e teorias sobre o futuro do casal, Teresinha e Bernardo tornaram-se um pequeno fenómeno digital. Há quem veja a novela só pelas suas cenas, e há quem tenha começado a acompanhar A Herança precisamente por causa desses vídeos de 30 segundos que circulam por todo o lado. É uma espécie de fandom paralelo, uma novela dentro da novela.
Fonte: SIC
Este fenómeno diz muito sobre a forma como se consome televisão hoje. Já não é preciso ver tudo, basta ver “as partes boas”. E A Herança conseguiu captar esse público que normalmente nem liga à televisão tradicional, aproximando uma geração que vive no streaming das histórias que passam na SIC todas as noites.
Mas, claro, a novela não vive só do casal sensação das redes. A narrativa principal segue Sofia, interpretada por Patrícia Tavares, uma mulher que é obrigada a revisitar o seu passado quando uma herança familiar complica tudo aquilo que ela achava ter resolvido. Segredos antigos, relações partidas, alianças improváveis: o drama é o típico da ficção tradicional, mas apresentado com uma estética mais moderna e um ritmo que foge ao clichê.
Nas audiências, o sucesso tem sido evidente, com A Herança consistentemente no topo do horário nobre. Mas talvez ainda mais importante tenha sido o reconhecimento formal que recebeu este ano. Nos Globos de Ouro da SIC 2025, a telenovela foi uma das mais nomeadas e acabou por brilhar em grande: Patrícia Tavares venceu o Globo de Melhor Atriz de Ficção, pelo papel de Sofia. Ricardo Pereira ganhou o de Melhor Ator de Ficção, também pela sua performance na novela. Diana Ginja, que interpreta uma das jovens personagens centrais, venceu o prémio de Revelação do Ano, tornando-se a mais jovem vencedora da categoria. A própria novela esteve nomeada como Melhor Projeto de Ficção, reforçando o estatuto que conquistou ao longo da sua exibição.
Apesar de tudo isto, o mais interessante em A Herança é a forma como conseguiu unir públicos que raramente consomem o mesmo conteúdo. Há quem siga religiosamente todos os episódios e há quem só veja as cenas virais da Teresinha e do Bernardo. Mas, de uma forma ou de outra, toda a gente os conhece. Toda a gente já ouviu falar. Toda a gente tem uma opinião.
Talvez seja esse o verdadeiro fenómeno: numa altura em que cada um de nós vive algures entre dezenas de plataformas, A Herança conseguiu criar um espaço comum, um ponto de encontro entre gerações e entre formas completamente diferentes de acompanhar histórias.
Fonte: SIC
No final, é isso que faz desta novela algo especial: não é perfeita, não tenta ser algo que não é, mas consegue entrar nas rotinas das pessoas, seja no sofá à noite ou no scroll distraído da tarde. E isso, para uma novela em 2025, vale quase tanto quanto qualquer prémio.
Fonte da capa: OPTO SIC
Artigo revisto por: André Nunes
AUTORIA
A Mafalda tem 19 anos e está agora no 2º ano da licenciatura em Jornalismo. Os mundos da música e da televisão sempre estiveram muito presentes na sua vida, por serem uns dos seus maiores interesses, que acabaram por se tornar paixões. encontrou na ESCS Magazine o sítio ideal para escrever sobre aquilo de que mais gosta e espera poder inspirar alguém com a sua escrita.



