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A sequência de tempestades que atingiu Portugal

Entre 22 de janeiro e 8 de fevereiro, Portugal foi alvo de um “comboio de tempestades”. Aquilo que aparentava ser um estado do tempo próprio para a época do ano rapidamente se tornou uma calamidade a nível nacional. 

As primeiras tempestades a causar danos visíveis foram a depressão Ingrid e a depressão  Joseph, que resultaram no encerramento de escolas, no corte de estradas e em algumas pessoas desalojadas em áreas costeiras.

A mais destruidora do “comboio” foi sem dúvida  a tempestade Kristin. As rajadas de vento de até 150 km/h derrubaram árvores, postes de eletricidade,  arrancaram telhados e danificaram campos agrícolas. Devido a isto, muitas pessoas ficaram sem acesso à eletricidade, água e telecomunicações durante vários dias. As árvores arrancadas e a saturação hídrica dos solos resultaram em encostas instáveis, levando a deslizamentos de terra. O bloqueio das estradas dificultou a mobilização de ajuda, especialmente em áreas mais remotas e de difícil acesso.

Um dos danos materiais mais significativos foi a perda de colheitas. Para além dos prejuízos para os produtores, poderá vir a notar-se uma escassez de produtos hortícolas e frutícolas e um consequente aumento dos preços. 

Fonte: Observador

Uma das zonas do país mais afetadas foi o distrito de Leiria, com especial gravidade na própria cidade de Leiria. Inúmeras infraestruturas ficaram destruídas, bem como veículos e edifícios de habitação. Muitas pessoas ficaram desalojadas e tiveram necessidade de recorrer à ajuda das entidades públicas. Pavilhões foram disponibilizados para realojamento temporário, foram feitas campanhas de recolha de bens (telhas, lonas, água, alimentos, entre outros) e os meios de socorro mobilizaram-se em massa. Houve pelo menos dez vidas perdidas.

Como já foi referido anteriormente, algumas áreas remotas ficaram isoladas e só puderam ser alcançadas por meios aquáticos. Uma parte da população ficou sem acesso a energia elétrica durante semanas e alguns continuam na mesma situação mesmo depois de se passar um mês.

Uma consequência grave, mas não tão relatada da tempestade é a destruição florestal. Se nada for feito, as árvores e vegetação espalhadas no solo vão acabar por secar e aumentar o risco de incêndios em épocas de calor.

Antes de que a população se pudesse recuperar, o país foi atingido por mais duas tempestades no início de fevereiro: Leonardo e Marta. Desta vez o principal problema foi o excesso de água. A terra já estava saturada por conta da precipitação intensa e não conseguiu absorver o excesso. Os rios, que também não conseguiram escoar a água das chuvas anteriores nem as descargas das barragens, galgaram as margens e deixaram várias regiões alagadas.

A situação mais alarmante foi a de Alcácer do Sal. A região da baixa foi galgada pelo rio Sado, devido a um caudal nunca antes visto. 

Fonte: Sábado

Centenas de pessoas tiveram de ser deslocadas e os prejuízos foram avultados. Habitações e estabelecimentos comerciais ficaram completamente submersos, não sendo possível recuperar mobílias, eletrodomésticos e mercadorias. Apesar das despesas recorde das agências de seguros, muitos dos danos materiais não foram compensados, tanto por falta de orçamento como por falta de cobertura dos seguros. Esta foi uma realidade difícil para muitas famílias, porque significou uma reconstrução das suas vidas a partir do zero.

Apesar de a formação destas depressões atmosféricas ser normal para a altura do ano, não é comum que atinjam o nosso país com tanta intensidade. O anticiclone dos Açores, que funciona como um “escudo” às tempestades do Atlântico, tem vindo a deslocar-se. Isto deixou aberto um corredor de passagem para o “comboio de tempestades” que assolou o nosso país, deixando para trás um cenário catastrófico. Os próximos tempos serão marcados por uma reconstrução lenta e dispendiosa.

Fonte da capa: The Portugal News

Artigo revisto por Eva Guedes

AUTORIA

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A Carla Vitório, vinda da Lourinhã, terminou o secundário sem saber o que queria fazer e acabou por cair de paraquedas no curso de Jornalismo da ESCS. Descobriu, através da disciplina de Língua e Expressão do Português, que gosta muito de gramática e de espalhar o uso do bom português, logo resolveu juntar-se ao departamento de Correção Linguística da ESCS Magazine. Apesar do seu humor sarcástico e um pouco seco, a Carla adora criar boas relações com os outros e dá o seu melhor para que ninguém se sinta julgado quando ela está por perto.