O problema da arte moderna: o que é arte?
Quando se fala em arte, o mais pensado são exemplos de arte tradicional, de visão realista ou de imitação, em que a qualidade de cada obra é medida através da precisão, da técnica, da execução e da harmonia.
Recentemente, com o surgimento da chamada “arte moderna”, têm surgido diversas questões relacionadas com a meritocracia. Antes do conceito de arte moderna, o realismo, o naturalismo e o humanismo eram resposta para a pergunta: “o que é arte?”. Porém, atualmente, com os modernistas, estas ideias deixaram de ser suficientes. Assim, a arte deixa de ser baseada em imitações da realidade e torna-se necessário ter um olhar mais abrangente no que toca a estas diferentes formas de expressão.
Mas afinal quais são as suas diferenças?
A arte tradicional é entendida como a representação do mundo visível e as suas “palavras-chave” são técnica, precisão e domínio.
Tem como objetivo transmitir “o belo” focando-se também no equilíbrio e harmonia da vida. As obras enquadradas neste meio seguem padrões estéticos clássicos, de maneira a serem reconhecidos facilmente com um significado direto e narrativo.
Em termos técnicos, existe um domínio do desenho, da pintura e da escultura, tudo extremamente rigoroso. Assim sendo, a sua “avaliação” é feita com base na beleza e no rigor, juntamente com o realismo: quantos maior for a semelhança, maior será o seu valor. Enquanto isso, a arte moderna tenta romper a ideia de que arte é imitação e foca-se no olharsubjetivo e na expressão individual. É um espaço onde os artistas utilizam um olhar mais abstrato e onde trabalham sem limites criativos. São obras que convidam à reflexão e desafiam os padrões clássicos, colocando questões de debate. Estas obras abordam técnicas tradicionais, mas também podem incorporar outras como colagens e os “happenings” – neste caso, a técnica deixa de ser o foco do pensamento. Podem assumir um carácter ambíguo e/ou conceptual e o seu valor está na inovação e no impacto que provocam, ao ponto de transformarem a questão “porque é que é considerado arte?” na própria obra.
Fonte: Google Images
Começam a surgir artistas cujas obras passam a ter um significado conceptual e não apenas visual. Assim, introduzem a “obrigação” do pensamento, importante tanto na observação da obra quanto na sua observação. São exemplos disso os Readymades, de Marcel Duchamp.
Os readymades consistem na apresentação de objetos comuns como obras de arte, com o objetivo de questionar a própria noção de “obra de arte”. Será que esta depende realmente da técnica? Ou apenas da intenção do artista? E se a ideia for mais importante do que o objeto? Quem tem, afinal, o poder de definir o que é arte?
São todas estas questões (e muitas outras) que a arte moderna vem levantar. A verdade é que não existe ninguém com o direito de impor o que é ou não é arte, pois a sua definição depende da perspetiva de cada um, tal como acontece com conceitos como o bem e o mal ou o bonito e o feio. O papel social e cultural apresenta um papel importante neste meio, pois são grandes fatores de decisão. Contudo, não é por isso que se tornam universais.
A forma tradicional oferece uma definição clara e objetiva do que é arte, sendo esta “o que representa bem”. Já a forma moderna desconstrói este pensamento e destrói essa “segurança” trazendo uma visão abstrata e banal deste conceito. Este choque de ideias leva-nos à conclusão de que a pergunta “O que é arte?” não tem um significado universal, é um conceito que está dependente da experiência de cada um e do olhar crítico individual.
Artigo Revisto por Beatriz Mendonça
Fonte da capa: Nasjonalmusset
AUTORIA
Vinda de Cascais, a Teresa entra na escs com 17 anos. Está no curso de Audiovisual e Multimedia no primeiro ano. Sempre gostou muito de escrever e de falar sobre tudo o que lhe vem à cabeça, veio para a Magazine com o objetivo de partilhar um bocadinho disso com todos e expandir os seus conhecimentos sobre a área da redação. Escrever é um movimento de autoconhecimento, uma expressão de si mesma, acredita que se aprende muito quando se escreve, não só sobre os diferentes tópicos mas também sobre a pessoa em si. Na área da redação, cada um tem o seu toque especial e é isso que torna a escrita tão interessante.


