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Bombas Atómicas: um tema nuclear

O Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, assinado em 1968, foi um compromisso de desarmamento à larga-escala e de canalização da energia nuclear para fins pacíficos. Prometia ser um compromisso viável e duradouro, um garante da paz e um afastamento das duras realidades da Segunda Guerra Mundial e da Guerra Fria. No entanto, passados 58 anos, a paz construída parece não passar de uma acalmia passageira: voltámos a temer pela nossa segurança.

Quase todos os países do mundo se juntaram ao tratado, inicialmente acordado entre os Estados Unidos e a União Soviética, mas desde então a Coreia do Norte, por exemplo, retirou-se e desde 2003 tem desenvolvido e testado armas nucleares. A Índia e o Paquistão, por outro lado, assumem os programas bélicos nucleares, nunca se tendo juntado ao tratado, enquanto que a África do Sul encerrou os seus projetos militares nucleares.

No âmbito do debate sobre a energia nuclear, vivemos um momento de enorme tensão entre o Irão e os EUA. Perante o desenvolvimento nuclear do Irão, o presidente americano já teceu várias ameaças e tem mesmo recorrido a uma forte mobilização militar como forma de dissuadir a aposta iraniana no desenvolvimento do seu programa nuclear. O presidente do Irão, Masoud Pezeshkian, já garantiu que as ambições do país não passam pelo armamento nuclear, mas a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirma que os EUA podem “apresentar muitas razões e argumentos para um ataque ao Irão”.

 Fonte: Unslpash

Enquanto a rutura entre os americanos e os iranianos se adensa diariamente, a Coreia do Norte apresentou um novo lançador de mísseis, capaz de disparar ogivas nucleares. O líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un, já afirmou que esta arma é “invencível”. Este novo desenvolvimento é uma ameaça especialmente pesada para a Coreia do Sul, cuja capital, Seul, se situa a menos de 50 quilómetros da linha de separação das duas Coreias.

Durante a Conferência de Segurança de Munique, na Europa, o assunto do armamento nuclear voltou a ser levantado. A França e a Grã-Bretanha ocupam o lugar de potências nucleares europeias, sendo que apenas a França pertence à União Europeia. Existem, no entanto, outras armas nucleares dos Estados Unidos espalhadas pela Europa, nomeadamente na Bélgica, na Alemanha, nos Países Baixos, na Itália e na Turquia. A Rússia possui, por sua vez, 4 309 ogivas nucleares, mais do que todas as das restantes nações europeias juntas.

As políticas variam e o consenso é raro. Se, por um lado, líderes como Trump defendem a necessidade de fazer cada vez mais testes nucleares, esforçando-se por ampliar o seu arsenal, por outro, líderes como Johann Wadephul, ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, afirmam que “já há armas nucleares suficientes no mundo”.

Quais são as consequências reais das explosões nucleares?

As explosões nucleares de Hiroshima e Nagasaki causaram cerca de 300 mil mortes. Foram episódios de destruição massiva incomparáveis, mas hoje vivemos sob o risco de que o passado se repita.

Contudo, energia nuclear não é sinónimo de armamento nuclear, e a comunidade científica tem olhado para este modo de produção energética como uma alternativa mais segura e eficaz do que as fontes de energia renováveis. A Comissão Europeia propôs recentemente que a energia nuclear passasse a fazer parte da taxonomia de produção elétrica “verde”. O processo nuclear origina uma fonte de eletricidade estável, pelo que a aposta na energia nuclear contribui para a diminuição do consumo de combustíveis fósseis e para a redução das emissões de carbono, desacelerando o aquecimento global. Todavia, os resíduos radioativos preocupam os ambientalistas.

 Fonte: freepik

Os acidentes são os principais motivos de desassossego, capazes de dissuadir governos. Vivemos à sombra não só da militarização da energia nuclear como também de desastres acidentais como os de Chernobyl e Fukushima, que alertam para os perigos do tratamento do material radioativo.

Os casos de estudo mostram-nos os perigos muito reais do armamento nuclear. Por exemplo, entre 1966 e 1996, a França conduziu quase 200 testes nucleares na região da Polinésia, expondo cerca de 110 mil pessoas a elevados níveis de radiação, causando-lhes “leucemia, linfoma, cancro da tiróide, do pulmão, da mama, do estômago”, entre outras doenças.

António Guterres, secretário geral da ONU, tem vindo a apelar à contenção e conciliação, afirmando que o mundo está diante da “perspetiva perturbadora de um retorno aos testes nucleares” e pediu aos líderes mundiais que “parem de brincar com o fogo”. Segundo Guterres, “agora é hora de silenciar as bombas antes de que elas falem novamente”.

A energia militar está na ordem do dia e as convergências e divergências dos líderes mundiais podem tanto originar uma nova etapa da energia limpa como levar a uma guerra atómica.

Fonte da capa: Freepik

Artigo revisto por Eva Guedes

AUTORIA

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O André é um orgulhoso buraquense, movido a café. Começou este ano a licenciatura de jornalismo na ESCS e o seu percurso na Magazine. Adora sol, mar, churrasco, convívio, rock, humor e livros. Preza, sobretudo, o amor pela escrita e a vontade de marcar a diferença um dia, contribuindo um bocadinho para um mundo melhor.
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