COP 30: O xadrez mundial das alterações climáticas
A trigésima edição da Conference Of the Parties (COP) decorreu de 10 a 21 de novembro de 2025, no Brasil, e contou com a participação das delegações de 143 países.
A COP é um evento que junta nações de todo o mundo para “tomar as decisões necessárias para implementar os compromissos assumidos pelos países no combate à mudança do clima”. É a oportunidade anual para a comunidade internacional discutir questões relacionadas com as alterações climáticas, debatendo e apresentando projetos para amenizar o impacto ambiental negativo do Homem.
Tensão internacional
A COP move líderes de todo o mundo, funcionando como uma importante rede diplomática.
É incontestável que a ausência de alguns chefes de Estado se tenha revelado tão significativa quanto a presença de muitos outros nesta última edição. O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e o presidente da China, Xi Jinping, não compareceram na conferência, o que pode significar um retrocesso no protagonismo destas duas gigantes potências industriais e comerciais na luta pelo clima, mas o grande vazio é deixado pelos Estados Unidos da América. Ao contrário das delegações chinesa e indiana, a delegação dos EUA não contou com qualquer membro de alto escalão do governo, muito menos com a figura do presidente. Donald Trump, responsável pela retirada dos EUA dos Acordos de Paris, tem, aliás, impulsionado o desenvolvimento da indústria dos combustíveis fósseis nos Estados Unidos, retirando investimento a iniciativas pró-energia verde. A ausência de Trump é a continuação da sua postura de desvalorização das ameaças climáticas e de diabolização dos esforços para as combater.
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A Amazónia no centro da discussão
A cidade escolhida para acolher a convenção foi Belém do Pará, que é considerada a porta de entrada para a região do Baixo Amazonas do Brasil e, consequentemente, para a própria Amazónia, escolha que se coaduna com a promessa de uma COP mais focada nas ameaças aos povos indígenas, no problema da desflorestação e, sobretudo, no reconhecimento da emergência de salvar a floresta amazónica.
Para o presidente da República do país anfitrião, Lula da Silva, “uma coisa é discutir a Amazónia no Egito; outra coisa é discutir a Amazónia em Berlim; outra coisa é discutir a Amazónia em Paris. Agora não. Agora nós vamos discutir a importância da Amazónia dentro da Amazónia”.
Segundo Ângela Kaxuyana, da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazónia Brasileira, “não se pode falar de soluções sem partir do respeito à diversidade indígena e ao reconhecimento dos nossos territórios, sobretudo onde há povos isolados”.
Não obstante, esta edição da conferência ficou marcada por protestos, nomeadamente a invasão do recinto da COP desencadeada por grupos indígenas e outros manifestantes que reivindicavam maior visibilidade para os povos endémicos da Amazónia.
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Compromissos para a mudança
Devido à sua capacidade de absorver grandes quantidades de carbono, as florestas tropicais têm o poder de contrariar o aquecimento global, mas enfrentam surtos de pragas, incêndios florestais, secas e desflorestação, pelo que a sua proteção tem vindo a ser discutida.
Uma das mais notórias medidas anunciada durante os primeiros dias da convenção foi a fundação do Fundo de Florestas Para Sempre, que pretende garantir a conservação das florestas tropicais e reduzir a emissão de gases de efeito de estufa. A Noruega é, até à data, o maior doador, mas França, Indonésia, Brasil e Portugal também já fizeram avultadas contribuições.
Outro dos projetos implementados foi a criação da Declaração de Integridade da Informação sobre Mudanças Climáticas, que pretende combater a desinformação, particularmente a partilha de fake news: informações falsas ou falaciosas. Esta iniciativa visa enfrentar o negacionismo e apelar à integridade e seriedade da esfera informativa no que toca à disseminação dos factos. O documento já foi assinado por 12 países.
Grandes vultos apelam à ação
António Costa, Presidente do Conselho Europeu discursou poucos dias antes do arranque da COP. O ex-primeiro-ministro português dedicou a sua intervenção aos Oceanos e às Florestas, destacando a importância da segurança marítima e alimentar, da pesca sustentável, de uma economia azul competitiva, da preservação da biodiversidade e do combate aos incêndios florestais e à desflorestação.
Também o Vaticano e o próprio Papa se fizeram representar, e as palavras do Sumo Pontífice chegaram a Belém do Pará na forma de uma mensagem que pedia “cooperação internacional e um multilateralismo coeso, capaz de olhar para o futuro que coloque no centro a sacralidade da vida”. O Papa reiterou o seu apelo às nações, clamando por união e compromisso: “Que todos os participantes desta COP30 se comprometam a proteger e cuidar da Criação que nos foi confiada por Deus a fim de construir um mundo pacífico”.
Fonte da capa: Unslpash
Artigo revisto por Beatriz Mendonça
AUTORIA
O André é um orgulhoso buraquense, movido a café. Começou este ano a licenciatura de jornalismo na ESCS e o seu percurso na Magazine. Adora sol, mar, churrasco, convívio, rock, humor e livros. Preza, sobretudo, o amor pela escrita e a vontade de marcar a diferença um dia, contribuindo um bocadinho para um mundo melhor.
Na ESCS Magazine vê uma oportunidade de aprender e arriscar.



