Do Restelo a Alvalade: uma década que mudou o futebol feminino
Em maio de 2025, o Estádio José Alvalade, em Lisboa, acolheu a final da Liga dos Campeões Feminina, marcando a segunda vez que Portugal organizou o evento. A última vez foi realizada no Estádio do Restelo em 2014, com uma assistência de pouco mais de 11 mil pessoas. Desta vez, disputada diante de um estádio esgotado, a final refletiu o quanto o futebol feminino cresceu na última década, tanto em Portugal como no resto da Europa.
O interesse pelo futebol feminino europeu tem crescido de forma consistente. Em 2022, o FC Barcelona bateu o recorde mundial de assistência num jogo de futebol feminino, com 91.648 pessoas presentes no Camp Nou para uma meia final da Liga dos Campeões. Nesse mesmo ano, o Europeu de seleções, realizado em Inglaterra, registou mais de 570 mil espectadores ao longo do torneio e atraiu centenas de milhões de telespectadores em todo o mundo.
Este crescimento é sustentado por mudanças estruturais. Em 2021, a UEFA introduziu um formato reformulado da Liga dos Campeões, incluindo a introdução de uma fase de grupos, direitos de transmissão centralizados e aumento do prémio monetário. Grandes clubes, como o Lyon, Barcelona, Wolfsburg ou Chelsea, passaram a investir de forma mais sólida nas suas equipas femininas, trazendo melhores instalações, contratos profissionais e um nível de competição mais elevado.
Fonte: Sports Illustrated
Embora ainda esteja a construir a sua presença no futebol feminino, Portugal tem feito progressos constantes. A qualificação da seleção para o Campeonato do Mundo de 2023, pela primeira vez na história, foi um marco importante. A nível interno, clubes como o Benfica e o Sporting têm apostado mais fortemente no futebol feminino, com equipas profissionais e estruturas de apoio em expansão. A Liga BPI tornou-se mais competitiva, com maior cobertura mediática e um público em crescimento.
A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) tem reforçado o investimento no futebol feminino, com programas que visam aumentar a participação e competitividade da modalidade. O número de jogadoras federadas tem vindo a crescer, reflexo de uma maior oferta, melhor formação e mais visibilidade. Ainda assim, persistem desafios: o equilíbrio financeiro, a diferença de condições entre equipas da mesma liga e a necessidade de consolidar a sustentabilidade das competições.
Fonte: Renascença
A escolha de Portugal para a final de 2025 não foi pontual. Mais de uma década depois da final no Restelo, a UEFA voltou a apostar na capital portuguesa, juntando-se a cidades como Turim, Eindhoven ou Bilbao, que acolheram edições recentes. Para os adeptos portugueses, o jogo em Alvalade representou uma oportunidade de ver ao vivo o futebol feminino ao mais alto nível.
O panorama europeu mantém diferenças entre países e ligas, mas o crescimento geral é evidente. Os jogos têm cada vez mais público, os patrocínios aumentam e as transmissões televisivas ganham regularidade. Jogadoras tornam-se referências mediáticas e desportivas, e os clubes demonstram um compromisso mais estável com o setor feminino.
A final da Liga dos Campeões em Lisboa funciona como um sinal concreto dessa evolução. Em contraste com a edição de 2014, os números de adeptos, cobertura e impacto foram significativamente superiores. Mais do que um ponto de chegada, representa uma etapa dentro de um processo contínuo de crescimento, onde Portugal, gradualmente, vai consolidando o seu papel.
Fonte: O Jogo (André Sanano / FPF)
Fonte da Capa: Women´s Football
Artigo corrigido por Eva Guedes e Mariana Ranha
AUTORIA
A Maria está no segundo ano de Jornalismo e sempre foi daquelas pessoas que não consegue dizer que não a um desporto novo. Já passou por quase todos, mas foi a ginástica que acabou por dominar a sua vida durante anos. Agora, longe das competições, encontrou na Magazine o espaço ideal para manter viva a ligação a um mundo que sempre a fascinou.




