Goodreads Choice Awards: o que leram os leitores em 2025?
Se há quem pense que as pessoas só procuram histórias de entretenimento ou enredos previsíveis, o Goodreads Choice Awards veio mostrar que esta não é, de todo, a realidade atual: mesmo pertencendo a diferentes estilos e géneros, os vencedores de 2025 revelaram uma inesperada ligação à atualidade.
Na Ficção, My Friends, de Fredrick Blackman, foi destaque ao retratar a amizade como um espaço de cuidado e fragilidade. Ao focar-se menos na ação e mais na empatia, conquistou leitores que valorizam as relações humanas acima de tudo. Quanto à Ficção Histórica, Taylor Jenkins Reid apresentou Atmosphere, um romance que utiliza a reconstituição do passado para falar de ambição, desejo e identidade e sensibilizar as pessoas para as inseguranças dos dias atuais.
O gosto pelo suspense mantém-se como principal interesse na categoria de Mistério e Thriller, com o livro Not Quite Dead Yet, de Holly Jackson. Com uma narrativa simples, rápida e envolvente, tanto para o público mais jovem como para o adulto, a autora aborda temas sombrios e complexos a um ritmo frenético.



Na categoria de Romance, Emily Henry volta a ser a autora escolhida, com Great Big Beautiful Life a narrar uma história que mistura humor, afeto e insegurança e que reflete de forma muito verdadeira o modo como o amor é encarado atualmente: com vontade de amar, mas também com muita cautela.
Relativamente a Romantasy e Fantasia, Onix of Storm e Bury Our Bones on the Midnight Soil mostram como o fantástico se tornou um sítio ideal para discutir poder, política e transformações pessoais, sugerindo então uma reinterpretação da própria realidade. Isto pode ser visto também na Não Ficção, devido a uma procura crescente por conhecimento científico e justiça social. Everything is Tuberculosis, de John Green, apresenta um retrato humano e urgente a partir de um tema médico. Quanto à categoria Memória, venceram a libertação e a denúncia, sob o título The House of My Mother. Em História e Biografia, o livro de Zoe Venditozzi e Claire Mitchell, How to kill a Witch (que revisita o passado para expôr mecanismos históricos de perseguição e violência) ganhou o prémio.






O Horror foi representado por Witchcraft for Wayward Girls, de Grady Hendrix, uma obra que combina a crítica social e o medo; enquanto a Ficção Científica com The Compound, de Aisling Rawle, explorou cenários fechados e opressivos ao refletir a ansiedade contemporânea sobre o isolamento e o controlo.
O livro-estreia foi Alchemised, de SenLiYu: um romance fantástico e distópico onde é descrito um mundo sombrio no qual prevalece a alquimia e o esquecimento é uma forma de sobrevivência. Entre os mais jovens, a literatura Young Adult aparece representada pela volta do universo de Hunger Games de Suzanne Collins com o livro Sunrise on the Reaping, o que mostra que as distopias políticas continuam a ser valorizadas pela juventude. Ainda nesta categoria, Lynn Painter apresenta Fake Skating, que aposta numa abordagem mais leve e centrada nas relações.





Por fim, o audiobook mais valorizado foi o Onix Storm, de Rebecca Yaros, o que revela uma tendência para a preferência da fantasia e a valorização de uma literatura que aposta na diversidade.
Imagem de Capa: Goodreads
Artigo revisto por Raquel Bernardo
AUTORIA
A Sofia é estudante do 2ºano de Publicidade e Marketing. Não se lembra de um tempo em que não gostasse de ler e escrever, e é nas palavras escritas que encontra a melhor forma de se expressar. Estar com as pessoas de quem gosta é a sua forma favorita de passar o tempo, seja uma tarde no café ou a fazerem uma atividade que encontraram nas redes sociais. O desporto e a música têm também um lugar especial no seu coração. Encontrou na Magazine o sítio perfeito para explorar a sua criatividade e escrever sobre algo pelo que é apaixonada.

