La Belle Époque
Vamos voltar atrás no tempo e recordar aquela que é uma das épocas mais emblemáticas da história: La Belle Époque! Conhecida por ser um período otimista, romântico, com indumentárias extravagantes e marcado pela emancipação feminina e pelo aparecimento de artistas que, ainda hoje, nos inspiram.
Mas será que as pessoas daquele tempo sabiam que estariam a viver a sua melhor fase?
Na realidade, nunca sabemos ao certo quando estamos a viver aquela que é a nossa suposta “era de ouro”. Hoje em dia, fala-se dos “Loucos Anos 20” como algo empolgante e inédito, talvez até uma fantasia. Temos a tendência de romantizar o passado, recordando-o como algo bonito e como uma memória longínqua, em que quase não nos lembramos das dificuldades que existiam, mas sim das maravilhas que aquele tempo nos trouxe.
Também existiam problemas na Belle Époque, e, por isso, as pessoas que nela viveram talvez nem chegaram a reconhecer aquele período como o melhor das suas vidas. A verdade é que só sabemos o verdadeiro valor de um momento quando o mesmo se torna uma memória.
Alguns até podem pensar que os seus melhores dias possam já ter passado… Eu acho que a melhor fase da vida se estende ao longo do tempo em que vivemos. Não me interpretem mal, estou ciente de que a vida tem as suas complicações, e que não são poucas! Mas acredito que cada fase da vida tem a sua graça. Os nossos melhores dias ainda estão para vir e serão tão bons como aqueles que recordamos e que já lá vão.
De onde vem a “Belle Époque”?
Fonte: Pinterest
“La Belle Époque” começou após o fim da Guerra Franco Prussiana, em 1871, e continuou até a eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914. Foi uma Era marcada por uma “paz relativa”, pelo crescimento económico e pelo florescimento cultural nas potências europeias, principalmente em Paris, que foi o epicentro deste clima otimista e de grande dinamismo que se estendeu à tecnologia, à arte e à sociedade.
O nome atribuído à época é francês, devido à centralidade que teve em França, ficando assim conhecido pelo tom nostálgico, referente a um tempo de prosperidade e de confiança no progresso futuro. A sociedade europeia já apostava no futuro, graças aos avanços da Segunda Revolução Industrial e das inovações nos transportes e na área da ciência. No entanto, ainda se esperava que a sociedade abandonasse o seu carisma mais antiquado, o que se refletiu, também, na emancipação feminina.
Paris tornou-se o grande palco desta época, pois a própria cidade, que sempre deteve o coração da arte europeia, atraiu pintores, músicos e escritores, que, entre outros artistas de toda a Europa, entendiam a capital francesa como fonte de inspiração. O impressionismo, por exemplo, foi um movimento artístico revolucionário, que surgiu em França e que marcou o início da Idade Moderna.
Paris ainda sediou várias exposições internacionais, que mostravam avanços tecnológicos e culturais. A Torre Eiffel, por exemplo, foi inaugurada em 1889 e tornou-se num ícone mundial. Este tipo de estrutura, entre outras, é o que atrai muitos dos visitantes que a cidade recebe, porque procuram estas referências globais da modernidade e do progresso.
A Moda como símbolo de Elegância e Liberdade
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A moda na “Belle Époque” foi uma clara expressão de elegância, otimismo e um verdadeiro símbolo social.
Em Paris, a Alta Costura transmitiu-se como uma referência mundial, moldando o estilo das elites. As senhoras usavam vestidos elegantes e feitos com um tecido mais delicado, de renda, cetim ou veludo, acentuado na silhueta, entre tons pastel e cores mais ricas. Estas peças eram complementadas com acessórios elaborados. Eram os detalhes decorativos – tais como: bordados, rendas, pérolas, chapéus grandes, luvas, leques, penteados sofisticados – enveredados pelos vestidos, que marcavam a moda feminina daquele tempo.
Também a moda masculina sofreu alterações, passando os senhores a usar fatos elegantes, casacos longos, coletes, gravatas, boinas e cartolas.
Desta forma, Paris ficou conhecida como o centro da moda mundial no que toca à Alta Costura. Assim, os costureiros mais conhecidos criaram as suas roupas exclusivas para este género de vestuário, transformando a moda em arte. A moda da “Belle Époque” foi o início de uma transformação profunda do papel da mulher. As mulheres passaram a ter outros padrões e hábitos de vida: começaram a frequentar cafés e teatros, a fumar e sair para se divertirem, a praticar desporto, a trabalhar fora de casa e a circular mais livremente pelas cidades.
A emancipação feminina e o início dos “Loucos Anos 20”
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Com o fim da “Belle Époque”, em 1914, e com o início da Primeira Guerra Mundial, viu-se destruído o sonho da paz e de um progresso futuro. No entanto, a confiança e o otimismo regressaram após o fim da Grande Guerra, no período conhecido como “Loucos Anos 20”, em 1920. Uma época ainda mais intensa, marcada por um grande fascínio pela máquina e pela tecnologia, pelo desejo de liberdade individual e pelo modernismo, surrealismo e outras correntes artísticas.
Com o decorrer da guerra, as mulheres tiveram de ocupar lugares antes ocupados pelos homens, tendo passado a trabalhar mais. Com isso, conquistaram direitos políticos e afirmavam-se com uma nova identidade.
Inspirada na “Belle Époque”, a moda voltou a mudar, libertando cada vez mais o corpo feminino. As mulheres adotaram um novo estilo chamado Flapper – utilizavam roupas mais curtas e ousadas, fumavam em público, dançavam ao som de jazz, conduziam, desafiavam normas tradicionais e defendiam a sua liberdade. Assim, rejeitaram o ideal tradicional e conservador da mulher, passando a ser um símbolo de independência. As Flappers foram o ícone dos “Loucos Anos 20”.
Cinema, Música e Dança – Convívio e Vida Social
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Durante a “Belle Époque”, surgiram diversas tecnologias que, hoje em dia, são utilizadas universalmente. O cinema começou a dar os seus primeiros passos, e, em Paris, surgiram as primeiras exibições públicas de filmes.
Em relação à música, esta continuava a evoluir, sobretudo o estilo clássico, mas apareceram outros géneros que viriam a revolucionar a cultura pop. O jazz nasceu em Nova Orleans, nos Estados Unidos, no fim do séc. XIX e início do séc. XX. Espalhou-se pelo mundo, particularmente pela Europa, tendo sido o género musical que mais se ouvia e dançava nos diversos locais de convívio.
Em Paris, os cafés, cabarets e salões tornaram-se espaços de vida social, tendo ficado conhecidos pelas representações artísticas que desenvolviam. Estes locais foram símbolos de confraternização, onde se ouvia música e dançava, nomeadamente charleston e foxtrot. Tal espírito convivial foi acompanhado por novos hábitos urbanos, como passeios pelos bulevares, e visitas a teatros e a cafés literários, entre outros espaços culturais onde existia uma troca de ideias entre artistas, intelectuais e burgueses.
É assim que conhecemos a tão famosa “Era de ouro”, a época conhecida pela inovação, pelo romantismo, pelo otimismo, mas, sobretudo, pelo abandono de ideais conservadoras e tradicionais e pelo surgimento dos ideais de modernidade e progresso.
Talvez, daqui a alguns anos, digam que 2025 e 2026 foram a nossa “Belle Époque”, apesar de que só o vamos reconhecer quando olharmos para trás, com nostalgia. A boa notícia é que ainda virão dias bem melhores do que aqueles que já vivemos. Como disse inicialmente, a melhor fase da nossa vida é contínua. Resta-nos estar cá para a viver e aproveitar, e depois talvez me dêem razão quando digo que a nossa vida é a nossa “Belle Époque”.
Fonte da Capa: Pinterest
Corrigido por Mariana Ranha e Eva Guedes
AUTORIA
A Constança está atualmente no 1ºano da licenciatura em Relações Públicas e Comunicação Empresarial e tem 18 anos. A Constança é apaixonada pelo mundo, e dentro do mundo, fascina-se com outros tantos que nele existem. Adora música, desenho e pintura, moda, natureza, entre outros. É simpática e engraçada, bastante organizada, tenta sempre colocar um sorriso na cara das pessoas, é extrovertida e gosta de se manter ocupada, por isso, nunca fica quieta. Gosta de ler e escrever, é uma rapariga do desporto, alinha em todos os desafios que lhe passam à frente, diz sempre que sim a um passeio ou a uma ida à praia (principalmente para ver o pôr do sol), gosta de se divertir com os seus amigos mas o tempo em família para ela é o mais importante. Guarda grandes expectativas para os próximos três anos na ESCS e quanto mais envolvida estiver nesta nova vida académica, melhor. Acredita que com a Magazine irá crescer, aprender, e está desejosa de explorar este mundo 🙂





