Messi é Barcelona (Opinião)

Lionel Messi é um dos dois melhores jogadores da história do futebol e eu, tal como todos da minha geração, somos abençoados por termos acompanhado toda a carreira dele e do outro, desde a sua génese – era eu um mero rebento a entrar para a escola – até ao seu crepúsculo, que tarda em chegar, felizmente. Para além disso, sou ainda mais abençoado porque o outro é do país onde calhou eu nascer. A bênção só cresce quando percebemos que não só é Messi um Deus do futebol e possivelmente o jogador mais “esteticamente” sublime da história, como era membro daquela que provavelmente ficará, para sempre, como a equipa que jogou o melhor futebol de sempre, e, que, durante o seu pico, ganhou tudo aquilo que havia para ganhar, e, na maioria das ocasiões, dominando e encantando. Mas após as saídas de alguns dos principais executantes dessa tremenda equipa, nomeadamente jogadores em declínio que partiram à busca de um melhor salário sem a pressão do futebol europeu (Henry e David Villa para os Estados Unidos; Xavi para o Qatar; Iniesta para o Japão, etc.) e após a saída do cérebro e do teórico do tiki-taka, que foi em busca de um novo desafio em Munique, Messi e o Barça perderam fulgor. A mera presença de Messi sempre fez do Barcelona uma das melhores equipas do mundo, e, mais do que nunca, a equipa depende de si para triunfar: leva 48 golos nos 47 jogos que realizou esta época, e, dependendo do sucesso na Copa América, é novamente o grande favorito a vencer a Bola de Ouro. Na minha opinião, mais favorito do que CR7 neste momento.

Mas, independentemente deste mau momento, a possibilidade de Messi sair do Barcelona é estupidamente absurda. Independentemente do fracasso na Champions, a equipa do Barcelona irá ganhar o título espanhol, beneficiando de um “ano zero” no Real, após a saída de CR7, do qual aparentemente a equipa não iria sentir falta. Mas se Ronaldo fazia parte da mobília em Madrid, Messi é o edifício. Não há distinção entre Messi e o clube. Não há tiki-taka e tanto sucesso sem Messi. Poderia haver algum, mas a peça fulcral é o argentino. Faz este ano 16 anos da estreia do astro com a camiseta blaugrana. São dez campeonatos, seis Taças do Rei, oito supertaças, quatro Champions, cinco Bolas de Ouro, cinco Botas de Ouro, entre outras honras. Foi tudo no Camp Nou. Não é necessário haver Neymar: é necessário haver uma estrutura ambiciosa, que tente replicar aquilo que tanto trouxe ao clube, à cidade condal, e ao futebol espanhol e mundial. Os jogadores podem não ser tão bons, mas seria sempre difícil encontrar um novo Xavi ou Iniesta. O importante é não desperdiçar aquilo que Messi e outros, como Piqué e Busquets, ainda têm para dar. Se há quem tem de dar de frosques é Valverde, um treinador competente, mas sem a ambição, a visão e o arrojo para renovar o tiki-taka e voltar a engrandecer o clube. Messi merece tudo e podia sair se assim o entendesse, mas não faz sentido, porque Messi é o FC Barcelona e qualquer jogador quer jogar com ele onde quer que seja. Resta haver uma direção disposta a adquiri-los, uma equipa de scouting pronta para os encontrar e um treinador capaz de os aproveitar. O novo D10S, esse, terá de lidar: os sucessos serão a sua glória e os fracassos serão um fardo que apenas ele poderá carregar com classe e dignidade. Mas, com mais títulos ou não, Messi não vai a lado nenhum.


Fonte: David Ramos, Getty Images

Artigo revisto por Catarina Gramaço

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