Desporto

O Sporting entre a ambição e a realidade no futebol feminino

Num país que ainda procura o seu lugar no futebol feminino, a presença do Sporting Clube de Portugal na modalidade continua a ter um peso importante. Enquanto um dos clubes mais antigos e condecorados de Portugal, manter uma equipa feminina é tanto uma afirmação de modernidade como um reconhecimento de que o futebol precisa de evoluir. No entanto, o simbolismo por si só não constroi sucesso. O investimento e as infraestruturas dedicadas à equipa nem sempre acompanharam a história e a dimensão do clube, e o Sporting tenta agora equilibrar a ambição com recursos limitados. 

À exceção da Supertaça conquistada frente ao Benfica, a época passada terminou sem grandes conquistas, um resultado que se tem repetido nos últimos anos. A equipa mostrou competitividade e alguns momentos de qualidade, mas faltou consistência nos momentos decisivos. Com uma equipa técnica ainda recente e um plantel que procurava combinar experiência e juventude, o projeto pareceu mais focado na consolidação do que na luta por títulos.

O mercado de verão reforçou as incertezas que pairavam sobre a equipa desde o final da época. Várias jogadoras da primeira equipa deixaram o clube para destinos distintos, e as saídas de figuras como Diana Silva e, sobretudo, Ana Borges (capitã e referência da equipa) para o rival Benfica levantaram questões entre os adeptos sobre a seriedade com que o projeto feminino é encarado. As perdas de jogadoras com esse peso simbólico e desportivo foram vistas por muitos como um sinal de fragilidade estrutural e de falta de prioridade dentro do próprio clube. 

Fonte: Derby

A nova temporada começou com sinais contraditórios. A campanha de qualificação para a Liga dos Campeões foi encorajadora, sobretudo depois da vitória nos últimos minutos em Roma, mas a segunda mão mostrou as dificuldades que ainda se colocam a quem quer competir a este nível. A eliminação foi um golpe duro, não apenas pelo resultado, mas porque o acesso à prova representa um marco para qualquer clube que ambiciona crescer no panorama europeu. 

Após a eliminação, o Sporting caiu para a recém-criada UEFA Women’s Europa Cup, onde voltou a mostrar capacidade de reação. Na qualificação para os oitavos de final, a equipa superou o Rosengard, com uma vitória em Alcochete e um empate em Malmo, garantindo o apuramento para a fase seguinte da competição. Apesar de o adversário atravessar um momento menos positivo, trata-se de um clube habituado a estas competições, o que valoriza ainda mais o desempenho do Sporting, que apresentou maturidade e serenidade numa eliminatória exigente. O resultado foi um sinal de progresso, mas também de que ainda há um longo caminho pela frente. 

A secção feminina de futebol do Sporting continua a ser um projeto em crescimento, com ambições que muitas vezes ultrapassam os recursos disponíveis. A continuidade da equipa técnica nesta época assegura estabilidade, mas levanta dúvidas sobre até que ponto esta estrutura pode evoluir sem um reforço mais profundo. A temporada decorre com otimismo moderado. A boa prestação na Europa Cup e a consistência no campeonato são sinais de melhoria, mas também se exige muito mais a nível interno. Nos últimos anos, conquistar troféus tem sido visto quase como um feito excecional, quando lutar por esses títulos deveria ser uma consequência natural para um clube como o Sporting. Na Europa, a jornada está apenas a começar e a equipa precisará de mostrar um nível de exigência e regularidade superior se quiser afirmar-se entre as melhores. 

Fonte: Sporting CP Futebol Feminino

O futebol feminino em Portugal nunca teve tanto ímpeto como agora. O número de adeptos cresce, a cobertura televisiva expande-se e a representação nacional é cada vez mais forte. Mas o ritmo de desenvolvimento é desigual, não havendo por parte dos clubes com maior tradição no futebol masculino o mesmo nível de compromisso no feminino. O desafio, agora, é perceber se estas instituições estão preparadas para tratar o futebol feminino como uma parte essencial da sua identidade e não apenas como um elemento periférico ou meramente obrigatório.  

O clube verde e branco tem história, estrutura e formação para ser um dos motores do desenvolvimento da modalidade, mas os seus esforços continuam abaixo do que se espera de um clube desta dimensão. Se quer realmente competir no mesmo patamar que o seu nome exige, o Sporting Clube de Portugal precisa de elevar a equipa feminina ao mesmo nível das suas ambições. 

Fonte da Capa: wikiSporting

Corrigido por Eva Guedes e Mariana Ranha

AUTORIA

+ artigos

A Maria está no segundo ano de Jornalismo e sempre foi daquelas pessoas que não consegue dizer que não a um desporto novo. Já passou por quase todos, mas foi a ginástica que acabou por dominar a sua vida durante anos. Agora, longe das competições, encontrou na Magazine o espaço ideal para manter viva a ligação a um mundo que sempre a fascinou.