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Peaky Blinders: um diamante escondido da Netflix

Peaky Blinders já saiu em 2010, mas só recentemente é que começou a ter o reconhecimento merecido.

Em 1919, na cidade de Birmingham, os Peaky Blinders vão tentar tornar o seu negócio de apostas em cavalos, que era ilegal, num negócio legítimo e que estivesse dentro da lei. No entanto, era de esperar que isso não fosse acontecer, por isso, a família Shelby vai fazer todos os possíveis para se tornar o mais poderosa, rica e influente possível.

– Trailer da primeira temporada.

Thomas Shelby é o líder desta família de gangsters, que viu na ilegalidade o único caminho possível para a ascensão social. A interpretação magnética é do irlandês Cillian Murphy, que se transcende no papel de líder dos Peaky Blinders, capaz de atormentar todos aqueles que se meterem no seu caminho, até a ele próprio. O culto em torno da série da BBC, inspirada no verdadeiro gangue dos Peaky Blinders, tem vindo a crescer desde a sua estreia em 2013.

O criador da série, Steven Knight, levou a história até à segunda guerra mundial e admitiu que possam ser necessárias mais três temporadas para cumprir o que deseja. A quinta temporada está agendada para 2019 e também se fala de um filme.

A ganância e a busca por serem bem-sucedidos tinham um motivo: foram excluídos por terem origem cigana.

Tommy, Arthur, John, Finn, Michael, Ada e Polly são os membros da família Shelby. Assassinatos, extorsão, sangue e crimes são alguns dos temas principais da série brilhante da Netflix, e que levam a família Shelby a se destacar nos anos 20. Thomas é o segundo mais velho dos cinco irmãos e, para além deles, a tia Polly é a única figura familiar.

As personagens femininas funcionam como exemplo de emancipação. Não só os homens fazem parte dos negócios ilícitos como também as mulheres. Para além das apostas ilegais, outro dos negócios é o contrabando de álcool para os Estados Unidos da América durante a Lei Seca.

Todo o desenrolar da série retrata a ambição de Tommy em tornar os negócios da família legais. No entanto, até conseguir a legalidade, o líder da família continua a aldrabar as apostas.

Um dos muitos pontos positivos da série foi a forma como o realizador aproveitou, de maneira excecional, as consequências da guerra, tanto nas personagens como na própria cidade, o que nos fazia entrar nela e viver nos anos 20. Desde os bairros de lata às zonas industriais, é impossível ficar indiferente à época.

Quase sempre de copo de whisky e cigarro na mão, Thomas Shelby está constantemente numa luta interior entre quem é, quem precisa de ser e quem gostaria de ser. Porém, no meio de tanto sangue e crime, ainda houve espaço para uma história de amor entre Thomas e Grace. Embora Thomas seja um criminoso que não olha a meios para atingir um fim, vive incomodado com as memórias que tem dos tempos da guerra.

Todas as personagens e o enredo encaixaram na perfeição para tornar a série num pequeno diamante, que sempre passou despercebido na Netflix. No entanto, a “cereja no topo do bolo” vai para a banda sonora.

Desde Radiohead, PJ Harvey e Arctic Monkeys, muitas foram as músicas utilizadas que pareceram ter sido feitas exclusivamente para a série, de tão bem que encaixaram. Mas, o Grammy de melhor música, para mim, vai para “The Red Right Hand”, de Nick Cave e The Bad Seeds, que abre todos os episódios. É impossível separar a música da série.

Cillian Murphy é a mistura e a ponte entre tudo aquilo que é bom na série. Quando pensares que não consegues fazer algo porque é impossível, lembra-te de Peaky Blinders – na série eles mostram-te que tudo é possível, a bem ou a mal.

“By order of the Peaky Blinders” é a frase de ordem da série. Portanto, se ainda não começaste a ver uma das melhores séries dos últimos tempos, não sei de que estás à espera.

A nova temporada estreia em 2019, por isso, by order of the Peaky Blinders, vai ver a série e sente que também fazes parte do gangue.  

Artigo revisto por Vitória Monteiro

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