Ciência

Pode um carro de Fórmula 1 andar de cabeça para baixo?

Desde o seu início, há 70 anos, a Fórmula 1 representa o topo do desporto motorizado. Com carros que podem alcançar velocidades acima dos 350 km/h, esta categoria encanta, ao redor do mundo, diversos fãs apaixonados por velocidade e automobilismo.

Para atingir estas velocidades tão altas, o carro deve ser projetado para ser o mais aerodinâmico possível, buscando sempre estar o mais próximo do chão e fazer as curvas com maior rapidez.

Então, primeiramente, para responder à pergunta do título deste artigo, precisamos de entender o que é downforce e o que é arrasto.

Fonte: Globo Esporte | Getty Images

O downforce é a força aerodinâmica que empurra o carro em direção ao chão, aumentando a aderência dos pneus e a estabilidade nas curvas. Esta força é gerada de várias formas, pelas asas traseiras e dianteiras, pelo assoalho e difusor e por outras partes menores inseridas em toda a dimensão da carroceria do carro.
Arrasto é a força aerodinâmica causada pela resistência do ar que age contra o carro, diminuindo a sua velocidade.

Estes dois agem em conjunto: quanto mais downforce, maior é o arrasto. Isto força os engenheiros a criarem um balanço perfeito entre os dois ou, até mesmo, priorizar um em detrimento do outro.

Como as corridas mudam todos os fins de semana, é necessário avaliar as exigências de cada pista: algumas apresentam poucas zonas de alta velocidade, tornando essencial que o carro faça as curvas o mais rápido possível – isto exige dar um privilégio maior à criação de downforce, o que aumenta também o arrasto. Em outras pistas, onde há retas mais longas e menos curvas, é necessário ter uma velocidade média alta, o que faz com que os carros sejam ajustados para uma menor criação de downforce, o que gera menos arrasto, fazendo o carro ir mais rápido.

Então, para possibilitar esta proeza de andar de cabeça para baixo, o carro precisaria de criar mais downforce do que o seu próprio peso, o que, boa notícia, os carros de Fórmula 1 modernos já são capazes de fazer. Estima-se que, por volta dos 150km/h, o downforce produzido é igual ao peso do carro, o que, virado ao contrário, deixá-lo-ia parado, estático no ar, fazendo-o desacelerar e consequentemente cair em direção ao chão. Ou seja, é preciso ir muito mais rápido para que o downforce gerado seja maior que o peso do carro – algo em torno dos 260 km/h seria o ideal para que ele conseguisse continuar a andar.

Fonte: GPFans

Apresentados estes factos, parece que, tecnicamente, não há nenhum impedimento para que isso seja realizado e deixe de ser apenas uma hipótese, porém, é preciso contabilizar outros fatores, que atuam de uma forma mais prática, como por exemplo:

Qual seria o comportamento de um motor se tivesse de trabalhar ao contrário?

Até ao momento, não andamos diariamente com as rodas viradas para o céu. Os motores não são produzidos e pensados para este tipo de trabalho. O que aconteceria é que o mesmo iria começar a falhar, o carro perderia velocidade, como consequência geraria menos downforce, e o experimento seria frustrado.

Como seria o processo de pôr o carro de cabeça para baixo?

Quando pensamos neste empreendimento, geralmente é idealizado que o carro vai subir gradualmente as paredes de um túnel até ficar, finalmente, de cabeça para baixo, como nos videojogos. Acontece que, na vida real, os túneis não são construídos com isto em consideração. Na maioria dos casos, não há nenhuma transição suave entre o chão e o teto. Teria de ser construída uma rampa para suavizar este processo ou, até mesmo, teria de ser pensada outra alternativa.

Sem contar que, além disto, seria preciso encontrar um piloto corajoso o suficiente para encarar este desafio. É claro que pessoas que arriscam as suas vidas, todas as semanas, para conduzir uma caixa de fibra de carbono com rodas a velocidades máximas que ultrapassam os 300 km/h, não são, de todo, cobardes, mas para isto é preciso outro nível de coragem, ou loucura…

Fonte: Driver61

Após a leitura do artigo, a conclusão pode ser um pouco ambígua: pelo lado teórico, todos os números se alinham para que isto aconteça, com uma margem de falha minúscula. Pelo lado prático, existem alguns pequenos e grandes problemas que ainda precisam de ser resolvidos e fazem que esta proeza seja impossível. Por outras palavras, neste presente instante, a resposta é: não é possível um carro de Fórmula 1 andar de cabeça para baixo.

Mas a verdade é que, por mais que não seja no momento, nunca saberemos quando a equipa de marketing da Red Bull pode querer tornar este grandioso feito humano-científico numa realidade. Até lá, resta-nos apenas sentar e esperar.

Fonte: RacingNews365

Fonte da capa: Google
Artigo revisto por Carolina Neves

AUTORIA

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Wallace Damião tem 20 anos e está no 1.º ano de Jornalismo. Vem do Rio de Janeiro e vive em Portugal há 5 anos. Desde sempre foi curioso em relação ao mundo à sua volta, procurando conhecer mais sobre o que o rodeia. Adora pesquisar e aprender sobre diversos assuntos, como música, história, ciência, desporto e muitos outros. Gosta ainda mais de poder partilhar estes “conhecimentos aleatórios” e espera poder fazê-lo na ESCS Magazine.