Restaurante Davvero: uma sinfonia italiana no coração de Lisboa
Como membro de uma família italiana e visitante assídua de Itália, confesso que há algo nessa mesma gastronomia que me encanta de forma particular. Esta cozinha consegue ter uma magia rara: combina simplicidade com tradição e emoção. Por isso, sempre que descubro um restaurante que se inspira nesse universo, é com curiosidade e exigência que o visito, e, até agora, nenhum me conquistou como o Davvero.
Com o Chef Isaac Kumi a investir em produtos frescos e artesanais, entre massas no ponto certo, vinhos bem escolhidos e reinterpretações de pratos típicos italianos. Este restaurante oferece muito mais do que uma refeição: proporciona um momento de calma e sabor, onde tudo flui naturalmente, como uma sinfonia perfeitamente afinada.
Logo à entrada, o ambiente conquista. A luz suave, a decoração discreta e o tom intimista criam um espaço acolhedor, mas elegante, perfeito para quem procura uma refeição tranquila e sem pressa. A simpatia da equipa é imediata: sorrisos genuínos, explicações detalhadas sobre o menu – inteiramente em italiano, mas apresentado com toda a clareza – e uma atenção constante para com os clientes, sem nunca se tornar invasiva.
A água chega à mesa assim que nos sentamos, as entradas não demoram e a cozinha aberta convida-nos a espreitar a precisão de cada gesto dos chefs. Há algo de hipnótico em ver o movimento da equipa, como se cada prato fosse parte de uma coreografia.
As primeiras impressões chegam sob a forma de azeitonas grandes e verdes, carnudas e bem temperadas, acompanhadas por generosos pedaços de parmesão com um sabor intenso e uma textura perfeita. Um começo simples, mas que anuncia qualidade. É também neste momento que percebemos que a casa leva o vinho a sério: o serviço é feito com rigor, a garrafa aberta com elegância e o ritual de cheirar a rolha de forma a entender o ponto do vinho cumpre-se com discrição e profissionalismo. Apesar de monocasta – como é normal nos vinhos italianos – este é um sabor com muito para apreciar: “La Luna e i Falò” (48€), um Barbera D´Asti Superiore de 2021. Tradicional tinto piemontês, intenso e de cor rubi, com aromas a violeta, alcaçuz e baunilha, quando na boca tanto é seco como macio e incorporado, com um toque final de frutos silvestres e carvalho francês: é a combinação perfeita para acompanhar os pratos escolhidos.
Fonte: Carolina Raposo
A preocupação com alergias e restrições alimentares é outro ponto que merece destaque. Face à minha intolerância à lactose, a equipa confirmou-me várias vezes que as opções escolhidas eram seguras para mim, explicando-me os ingredientes utilizados e as possíveis contaminações cruzadas – um detalhe que revela maturidade e respeito pelo cliente.
É à mesa que o Davvero mostra a sua verdadeira essência. Os Espargos com Pesto de manjericão e amêndoas, com um toque de menta (16€), foram uma revelação: crocantes, com um cheiro magnífico e com sabores incrivelmente equilibrados. O azeite presente no prato une todos os elementos, realçando o carácter dos espargos sem o mascarar. Trata-se de um prato que mostra técnica e leveza, mas também intuição.
A Burrata (18€) surge fresca, cremosa, com sabor delicado e acompanhada de pequenos tomates doces no ponto certo – um tom perfeito entre suavidade e acidez, que remete diretamente para o verão italiano.
Fonte: Carolina Raposo
Segue-se o Spaghetti alla Carbonara (25€), uma reinterpretação da clássica carbonara italiana, onde o aroma e o sabor da trufa negra se misturam com o parmesão, criando uma experiência gustativa bastante rica e envolvente. A massa está no ponto certo – al dente – e o bacon faz-se sentir de forma suave. É um prato que se impõe, mas sem exagero, deixando um sabor prolongado a trufa que marca o paladar.
Os Escalopes de Vitela (30€) chegam suculentos e cobertos por um molho amanteigado que valoriza os sucos naturais da carne. O acompanhamento é um puré trufado, cremoso e com uma nota subtil a trufa: é daqueles que convidam a repetir garfadas. “Quanto mais se come, mais se quer” é a expressão que surge espontaneamente à mesa.
Também os Filetes de Novilho com Rosmaninho (32€) brilharam. Estavam muito tenros, dando a sensação de que se desfazem na boca, e eram envoltos num sabor extremamente surpreendente, que apaixona. Há camadas, nuances e uma riqueza que faz lembrar pratos caseiros – características conjugadas com técnicas de alta cozinha. Os espinafres e as cenouras baby completam a composição, e há quem comente: “Parece uma sinfonia”.
Fonte: Carolina Raposo
Terminamos a refeição da melhor forma, com o final obrigatório num restaurante italiano: o Tiramisù (9€). Leve, equilibrado e sem ser excessivamente doce, deixa uma sensação de conforto e satisfação. Para finalizar, não faltou o limoncello, onde a doçura está em harmonia com a acidez do limão, bebendo-se de uma forma incrivelmente fluida.
Fonte: Carolina Raposo
Sair do Davvero é sair em paz. Há um ritmo próprio naquele espaço, onde o tempo abranda, a comida fala por si e a atenção ao detalhe faz-nos sentir verdadeiramente especiais. Num mundo onde tantas refeições se fazem com pressa, o Davvero lembra-nos do valor do prazer à mesa – e da arte de comer “davvero” (de verdade, em italiano).
Para mais informações sobre o conceito, menu e reservas, podem visitar: https://www.davvero.pt/
Fonte Capa: Time Out Lisboa
Revisto por Lara Santos
AUTORIA
Nascida e criada no Alentejo, sempre de joelhos esfolados na correria da brincadeira, foi desde cedo que a Carolina percebeu que o ramo da comunicação ocupava um lugar especial na sua vida. No entanto, com um amor especial por animais, chegou a achar que veterinária poderia ser o futuro. Mas, após frequentar o primeiro ano de Medicina Veterinária, soube que lhe faltava a comunicação para ser verdadeiramente feliz. Agora, segue o seu sonho, e frequenta o 2º ano da licenciatura de Jornalismo. Com um fascínio especial por gatos, vinho, moda e fotografia, a Carolina faz parte da ESCS Magazine para se expressar e partilhar histórias que lhe iluminam os olhos e motivam as suas mãos a escrever.





