Opinião

Ser voluntária na Web Summit

Este ano tive a oportunidade de ser voluntária num dos maiores eventos tecnológicos do mundo. Cumpri dois dias de voluntariado: o primeiro no aeroporto e o segundo na measurement team, já dentro do recinto da Web Summit.

No aeroporto, o meu papel foi receber os participantes do evento, maioritariamente estrangeiros, como é natural num ponto de chegada internacional. Integrada na equipa de registo, tinha como responsabilidade confirmar se os convidados traziam os documentos necessários e garantir que as suas empresas estavam devidamente registadas.

A organização do registo estava dividida por categorias: Chairpersons, que moderam e conduzem entrevistas; Speakers, que são os oradores; Platinum Investors e Investors; Media, VIP, Alpha e Beta, que representam startups, Women in Tech, que inclui mulheres ligadas à tecnologia ou às suas empresas; e, por fim, os Attendees, que são todas as pessoas que compram bilhete para assistir ao evento e fazer networking.

No meu segundo dia, na quarta-feira, integrei a measurement team, onde fiquei responsável por verificar as entradas para o evento e registar bilhetes. Na minha opinião, ser voluntária na Web Summit tem os seus altos e baixos. Por vezes pode ser cansativo e repetitivo, mas basta olhar para além dessa rotina para perceber que todas as tarefas são essenciais para garantir que o evento decorra de forma organizada, funcional e segura.

As condições oferecidas eram boas, com almoços e jantares incluídos, pausas com pequenos lanches e até gabardines distribuídas em caso de chuva.

Ser voluntário, seja onde for, é acima de tudo ajudar sem esperar uma recompensa monetária. Considero um papel nobre e sinto-me muito grata por ter sido selecionada para fazer parte da equipa de voluntários da Web Summit 2025. Apesar de não sermos pagos, saímos com algo muito mais valioso: conhecimento, experiência e uma nova perspetiva sobre eventos desta dimensão. Passamos a compreender a enorme dinâmica, trabalho e logística necessária para mobilizar centenas de pessoas de todo o mundo até Lisboa para discutir desafios emergentes da Inteligência Artificial, a necessidade de atualização tecnológica global e o futuro das startups, entre muitos outros assuntos. 

Fonte: Sara Gaião

Tive ainda a oportunidade de assistir a algumas palestras. No palco central, acompanhei a conversa entre Tao Zhang, cofundador e CPO da Manus AI, e Steve Clemons, editor da National Interest, onde foram debatidos desafios recentes da inteligência artificial e o impacto que terão nas empresas e no mundo. Assisti também à palestra “TikTok: The culture that moves the world”, com Karthoon Weiss, vice-presidente da Global Business Solutions no TikTok, e Katie Drummond, diretora editorial da Wired. Discutiram o poder da plataforma, sobretudo na forma como impulsionam pequenos negócios, com o exemplo de uma marca de luvas que, após um único vídeo viral, esgotou quase todo o stock em apenas uma semana.

Fonte: Flickr

Estive ainda presente no stage 8 na sessão “The Death of Facebook”, com Teddy Solomon, CEO e cofundador da Fizz, e Diogo Pires, da Mega Hits, onde abordaram o declínio do Facebook e o que a Fizz pretende oferecer como alternativa. Uma ideia de Teddy Solomon que me ficou na memória foi que, apesar de o Instagram e TikTok serem as redes sociais mais utilizadas, uma tornou-se um espaço dominado pela estética e pela partilha superficial do dia a dia, enquanto a outra se transformou num scroll infinito. Falta uma plataforma de partilha emocional e autêntica, algo que a Fizz já está a criar.

Nos momentos em que pude explorar os pavilhões, observei um pouco de tudo a acontecer em simultâneo: reuniões, palestras, networking e inúmeras bancas de empresas de vários países.

Embora não tenha conseguido assistir a muitas mais palestras, entre o voluntariado e a faculdade, as que vi ensinaram-me bastante sobre tecnologia e redes sociais. Imagino que quatro dias inteiros dedicados a este evento me fariam refletir ainda mais sobre temas que tantas vezes passam despercebidos e, sobretudo, sobre o papel que as tecnologias irão desempenhar no nosso futuro.

Fontes : Flickr

Corrigido por Constança Alves

AUTORIA

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A Sara desde cedo sempre gostou de dar voz aos que não tinham, de dar ideias, asas a pensamentos e impulsos a opiniões. No seu primeiro ano de Licenciatura em Relações Públicas e Comunicação Empresarial, aos 18 anos, Sara começou o seu caminho na Magazine como redatora no departamento de Opinião, onde teve oportunidade de escrever vários artigos inovadores. Hoje a começar o seu segundo ano na Escs, aos 19 anos tornou-se Editora de Opinião, aceitando o desafio de guiar os atuais e futuros redatores para alcançar o seu grande potencial e inspirar novas mentes com diferentes pontos de vista, comprometendo-se a inovar, criar e incentivar este departamento neste novo ano.