Cinema e Televisão

Drive to Survive: Documentário ou Telenovela da Netflix?

Em 2019 estreou Formula 1: Drive To Survive, a série da Netflix em colaboração com a Fórmula 1 que tenta, através de um formato de documentário, mostrar o backstage daquela que é a maior modalidade de automobilismo do mundo. Cada temporada da série acompanha, ao longo de 10 episódios, o Campeonato Mundial de Fórmula 1 de um respectivo ano. Até agora podem ser vistos os Campeonatos de 2018, 2019, 2020, 2021 e 2022.

A série tem como objetivo chamar a atenção de novos públicos e aproximar os fãs de Fórmula 1 dos pilotos e das equipas, captando, através das câmaras, o que acontece para lá do paddock e do cockpit. No passado mês de fevereiro estreou a 5.ª temporada, que se foca no Campeonato Mundial de 2022 e recorda alguns dos momentos que marcaram esse ano: pilotos que vêem o seu lugar em risco na equipa, tensão entre diretores, acidentes que põem em risco a vida dos pilotos e a sobrevivência financeira das equipas ou carros que não têm o desempenho esperado.

Acidente de Zhou Guanyu, Alfa Rome
Fonte: British Grand Prix, 2022.

Documentário ou Telenovela?

Mas uma série, mesmo que seja sobre Fórmula 1, não deixa de ter drama, e esse é o grande problema de Drive To Survive. Desde que estreou, DTS tem sido bastante criticado pelos fãs de F1 que não se identificam com a narrativa adotada pela Netflix de transformar os pilotos e as equipas em vilões numa constante disputa pelo primeiro lugar. As críticas à excessiva dramatização também vêm dos próprios pilotos, como Max Verstappen, piloto da Red Bull, que se recusou a participar na 4.ª temporada e acusou a Netflix de distorcer a realidade vivida dentro da F1.

A opinião dos fãs de F1:

O sucesso da série divide-se, principalmente, entre os fãs de F1 que acompanham DTS e aqueles que se recusam a assistir à telenovela criada pela Netflix. Para perceber o porquê de DTS não agradar a alguns fãs de F1, nada melhor do que conhecer a opinião de alguém que já acompanha a modalidade há alguns anos – é nas palavras de Miguel S. que se revêem muitos dos outros fãs deste desporto:

“Apenas vi alguns episódios soltos da primeira temporada, já como fã e acompanhante ávido de F1, e não consegui gostar da forma como mostram tanto os pilotos como o backstage ou até mesmo a modalidade. Tentam criar drama desnecessário, à americana, e retratam certos pilotos e equipas como sendo “maus da fita” (…)”

Defensor da realidade que é vivida nas pistas, Miguel S. afirma:

“Parece uma série com guião, quando na verdade deveriam documentar o campeonato tal e qual como é. Se seria mais aborrecido? Sim, mas seria uma imagem real do desporto e igualmente interessante.”

Apesar de ter consciência de que a série fez aumentar a fanbase de F1 e de como o desporto renasceu aos olhos do público em comparação com aquilo que era anteriormente, não deixa de criticar como, em algumas situações, os sons dos motores dos carros são manipulados e não correspondem à realidade e como alguns pilotos e equipas passam a ser odiados e insultados em praça pública devido à excessiva descontextualização presente na série:

“Desde que a série estreou consigo lembrar-me de alguns pilotos que foram odiados por palavras, excertos de entrevistas e mensagens de rádio tiradas do seu contexto e colocadas estrategicamente para criar uma dramatização. “

Não desvalorizando a qualidade cinematográfica da série, Formula 1: Drive To Survive continua a ser uma boa forma de ficar a conhecer o percurso dos pilotos e das equipas, especialmente para quem ainda está a dar os primeiros passos na modalidade. Quanto aos fãs mais familiarizados com o mundo da F1, vão saber identificar o sensacionalismo quando confrontados com ele.

Daniel Ricciardo, piloto da McLaren em 2022.
Fonte: Independent UK

Fonte da capa: SportsTiger

Artigo revisto por Sofia Santos

AUTORIA

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A Mariana Jerónimo tem 24 anos é aluna do Mestrado em Jornalismo e tem o sonho de produzir e apresentar um programa dedicado à música numa rádio de renome do nosso país. Enquanto isso não acontece, é através da secção de Música que quer dar a conhecer aos leitores o que de melhor há na vida: a Música. Ao mesmo tempo na secção de Desporto escreve sobre outra das suas paixões, a Fórmula 1. A Mariana costuma dizer que as suas maiores qualidades são o seu sentido de humor e o gosto musical: desde o Hip-Hop e R&B, ao Indie, passando pelos Clássicos do Rock e sem esquecer o MPB, ela é o Spotify em pessoa.