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Web Summit: o futuro da comunicação

Num contexto de rápida transformação tecnológica, a Web Summit afirma-se como um dos principais palcos globais de reflexão sobre o futuro do trabalho, da comunicação e das relações humanas. A edição de novembro de 2025 destacou a forma como as novas ferramentas digitais estão a redefinir os processos criativos, as estratégias de marca e a relação com os públicos.

Entre os temas centrais destacou-se a evolução da Inteligência Artificial (IA) generativa e a forma como esta está a transformar as áreas tradicionalmente associadas à criatividade, como o marketing e as relações públicas. A IA surge, então, como uma ferramenta que redefine processos, exige novas competências e levanta questões éticas fundamentais para quem comunica com marcas e pessoas.

Fonte: https://startups.com.br/eventos/o-que-esperar-do-web-summit-lisboa-2025/

No campo da comunicação digital, Irina Novoselsky, CEO da Hootsuite, destacou o papel da IA como uma ferramenta de apoio estratégico à criatividade e à gestão de marcas. Ao afirmar que “AI amplifies human creativity, but what makes brands and people successful will never be replicated by AI”, Novoselsky reforça a ideia de que a tecnologia potencia capacidades humanas, mas não substitui certos elementos, como a autenticidade. Para os profissionais de comunicação, esta perspetiva sublinha a importância de utilizar a IA como aliada na análise de dados, no planeamento e na produção de conteúdos, mas mantendo sempre uma perspetiva humana, consciente e ética.

A conferência evidenciou a forma como as grandes marcas estão a integrar a IA nos seus ecossistemas digitais para reforçar a confiança, a personalização e a reputação. Mark Nelsen, Global Chief Consumer Product Officer da VISA, abordou esta questão no contexto da economia dos criadores e da relação entre marcas, tecnologia e consumidores. A sua afirmação “Trust comes from validating both AI agents and human intention, that’s how we scale authenticity” sintetiza um dos grandes desafios atuais da comunicação: garantir que a inovação tecnológica não comprometa a credibilidade das marcas. Neste sentido, a confiança passa a ser construída não apenas através da eficiência tecnológica, mas também da transparência.

Fonte: Tek Notícias

Perante um ambiente mediático cada vez mais saturado, estas reflexões tornam-se especialmente relevantes, já que os públicos exigem comunicações personalizadas, mas também éticas e responsáveis. A IA surge, assim, como um instrumento poderoso para compreender audiências, antecipar tendências e gerir reputações, desde que utilizada de forma consciente e estratégica.

Neste contexto, o evento deixou claro que, apesar do forte protagonismo da tecnologia, o networking e o contacto presencial continuam a ser elementos centrais da inovação. Ao longo da conferência, Paddy Cosgrave, fundador e CEO da Web Summit, voltou a sublinhar, ainda que de forma indireta, que são as relações humanas que dão significado à tecnologia. A diversidade de encontros informais, debates presenciais e momentos de partilha demonstra que a inovação não acontece apenas nos palcos, mas também nas conversas que aproximam pessoas de diferentes países, culturas e áreas profissionais.

Fonte: The Cooltours

Num mundo cada vez mais digital, este encontro internacional mostrou como a tecnologia e a humanidade se cruzam, reforçando que as redes profissionais mais sólidas continuam a ser construídas com base na proximidade, na confiança e nas interações cara a cara. Assim, a Web Summit 2025 refletiu os principais desafios e oportunidades do setor da comunicação: integrar a Inteligência Artificial de forma estratégica e responsável, fortalecer a relação entre as marcas e os públicos e reconhecer que, mesmo numa era tecnológica, é o fator humano que continua a dar sentido à inovação e à comunicação eficaz.

Fonte da Capa: Sic Notícias

Artigo revisto por Mariana Ranha e Eva Guedes

AUTORIA

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A Leonor tem 20 anos e está no terceiro ano da licenciatura em RPCE. Visto que sempre gostou de escrever, começou a fazer parte da ESCS Magazine na secção do Mundo Académico e, no ano seguinte, aceitou o desafio de se tornar editora dessa mesma secção. Agora, dá o próximo passo e assume o cargo de diretora com motivação e empenho, enquanto continua a aprimorar as suas competências de escrita e revisão linguística.